Vermeer: Chegue bem perto

Dezembro 6, 2009 bardagi Deixe um comentário

A mim sempre interessou mais a floresta do que a árvore, mas Vermeer acaba de mudar isto. Sim, porque quando nos deparamos com os quadros de Vermeer….bem o detalhe é muuuito importante. O mestre era capaz de pintar o impossível, como a textura do tecido, a luz da janela que não se vê, a transparência do copo e, mais importante que tudo, a fração de segundo que capta ação… É deveras impressionante!

Apesar de pairarem ainda algumas poucas dúvidas, hoje se considera que 36 obras-primas chegaram ao século XXI como sendo inquestionavelmente daquele que assinava como IVM. É pouco e é muito.

Nos impressionistas, com seus, digamos, borrões mágicos, a distância ajuda. Para olhar as enormes telas de Monet na Orangerie você não precisa de óculos, e quanto mais a visão puder captar o todo, melhor. É igualmente fascinante, mas sentimos que a Oragerie fica pequena. Mas Monet é outra história. Em Vermeer, é melhor chegar bem perto. Muito perto. Não só porque a maioria das telas teem formato reduzido, mas principalmente porque o minúsculo diz muito. Uma toque do pincel, que em certos casos parece ter uma ponta, digamos, 0.0001, produz o efeito mágico do pingente do brinco, da borda do copo, da luz atravessando a folha.

Entender a obra de Vermeer é mergulhar em um universo incrível, onde o detalhe é sublime, e a captura do momento é inigualável. Quando Vermeer pinta a personagem de “A Lady writing” olhando para o público, é como se ele captasse o exato instante em que ela se virou. Ainda vemos os cabelos se ajustando, o brinco quase que ainda balançando e a boca semi-aberta expressando a primeira parte da sílaba que será pronunciada. Quando Vermeer pinta “o Geógrafo”, segurando já mais debilmente o compasso e olhando fixo para além do quadro, já desprezando o mapa sob a mesa, é como se ele capturasse o exato instante em que o homem faz a descoberta e racionaliza sobre o que está apreendendo naquele instante.

Deixo aqui estes dois exemplos da maravilhosa obra de IVM.

É isso aí!

(em tempo: estou debruçado sobre todas as 36 peças de Vermeer, e postarei mais a respeito).

Dez razões para o Grêmio ajudar o Inter!

Dezembro 2, 2009 bardagi Deixe um comentário

Acompanhado de nobílissimas figuras, como o Luis Fernando Veríssimo, que tem ótima crônica no Estadão e na Zero Hora de hoje sobre o tema, e do Carpinejar, que recentemente postou em seu blog, fica aqui o minha contribuição para a(s) final(is) do Campeonato Brasileiro de Futebol de 2009:

1. Pela honra gaúcha
2. Pela hombridade deles mesmos
3. Pelo fim do mau-caratismo no Futebol
4. Pela preservação dos pontos corridos
5. Para eles terem a quem recorre depois, sei lá, vai que precisam escapar da segundona de novo
6. Nem que seja para que não entendam mesmo a nossa rivalidade
7. Flamengo? Lembrem quando o Nunes marcou no Olímpico e tirou o título de vocês?
8. Pelo ineditismo dos colorados se abraçando com os gremistas (nunca vimos, né?)
9. Pela emoção de ver o Beira-Rio lotado louvando o Grêmio (outra inédita!)
10. Para nós cairmos em uma chave mais difícil da Libertadores ( o campeão pega só pedreira, pelo sorteio, incluindo a UCL, que nos tirou da sulamerica ese ano)

É isso aí!

Inglorious Basterds

Novembro 25, 2009 bardagi Deixe um comentário

Pessoal, este fica em inglês mesmo, por falta de tempo!

Great movie! Tarantino mastered several components of film-making and produced a one of a kind piece of celuloid. Walz and Pitt delivered also great performances. It’s a pitty that the german friends won’t see with subtitles, because Pitt’s accent is a major part of the caracther and also several actors speak in their native languages, which is totaly vital for the film as well. Tarantino’s capacity to deliver unexpected scenes is notable. The guy is creative enough to surprise you every five minutes. A must-see.

Ridículo?

Novembro 21, 2009 bardagi Deixe um comentário

Dostoevsky

Fui ver “Sonho de um homem ridículo”, em cartaz em SP no teatro Ágora, que é uma nada ridícula empreitada do Celso Frateschi. O monólogo é brilhantemente interpretado pelo ator e o acanhado espaço do ágora em uma noite quente de verão ajudou a deixar tudo sufocante e exasperante ao extremo. Mas me interessa mais o texto de Dostoyevski: nele temos o desespero de um homem acometido pelo desejo de acabar com a vida. Desiludido com a natureza humana. Em seu sonho, temos a figura do bom selvagem, na imagem do planeta de pessoas puras, sem vergonhas, medos e inveja, que são “pervertidas” pelo homem civilizado, pela ciência. Aí está o supra-sumo da verdade absoluta da Tábula Rasa: o homem é bom, essencialmente bom e a mente pode ser construída inteiramente pelas experiências, pela formação. Essa crença, sabemos, perspassa a Cultura Ocidental desde Descartes e vinga por todo o Iluminismo e chega até os nossos dias. Há quem só veja em Levi-Strauss, por exemplo, erroneamente, esta visão também, e aí já adentramos o século XX. Mas eis que a Genética Moderna surge e nos coloca de volta no prumo..Ora, ora, incrivelemente, Dostoyevski escreveu o “sonho” em 1877 e apenas quatro anos depois, em 1881, em “Os Irmãos Karamazov”, temos este trecho esclarecedor:

“Imagine: dentro, os nervos, na cabeça –isto é, esses nervos estão lá na cabeça…(malditos sejam!) há uma espécie de rabichos, os rabichos desses nervo, e assim que começam a tremular…quer dizer, eu olho para alguma coisa com meus olhos e quando começam a tremular, esses rabichos…e quando tremulam aparece uma imagem…não de imediato, passado um instante, um segundo..e então algo como um momento aparece: quer dizer, não um momento – ao diabo com o momento!-, mas uma imagem, isto é, um objeto, ou uma ação, droga! É por isso que vejo e então penso, por causa destes rabichos, e não porque eu tenha uma alma nem porque eu seja alguma espécie de imagem e semelhança. Tudo isso é bobagem! É magnífica essa ciência! Um novo homem está surgindo – isso eu entendo…mas lamento perder Deus”.

Curiosa passagem da “Tabula Rasa” para o geneticismo absoluto. Mas não deixem de ver o Celso, é teatro da melhor qualidade.

É isso aí!

Superfreaknomics – não li e não gostei

Novembro 17, 2009 bardagi Deixe um comentário

Freaknomics não valeu a pena. Tinha uma curiosidade enorme sobre este livro, mas ele me desapontou do inicio ao fim. Não achei os exemplos tão incríveis como foram festejados na imprensa. O exemplo das provas, americano demais para ser aproveitado. Aliás, acho que o nosso ENEM, com todas as esquisitices, está mais estruturado já. Sim, porque um exame nacional que permite a falcatrua tal como os autores demonstram, é para lá de débil. O que dizer então do exemplo sobre corretagem de imóveis? No mínimo, é que os resultados eram os óbvios. Que alguém cuida mais do seu próprio patrimônio do que cuida do patrimônio de terceiros…..ora bolas, isso os nossos políticos estão cansados de demonstrar. Lutas de sumô arranjadas? Bem, será que nossos amigos nunca escutaram falar de “mala branca”? Resta apenas o tema do aborto e a taxa de criminalidade. Interessante, polêmico e tudo, mas pouco para justificar a fama dos autores. Resultado: não vou comprar Super-Freaknomics, que mais parece aquela idéia requentada, tipo seqüência de filme de sucesso que vira uma franquia das brabas. Aliás, para decidir lançar o Freaknomics II, os autores devem ter estudado a história de sucesso dos filmes “romanos” (Rocky I, II, III, IV,etc..Sexta-feira 13 I, II, III, IX, X, etc…).

É isso aí!

Cemitério de calotas

Novembro 5, 2009 bardagi Deixe um comentário

Resgistro curioso do feriadão: Trafegando pela Rodovia Oswaldo Cruz, nos deparamos com centenas de calotas perdidas pelos automóveis. A explicação mais provável que encontramos é que as constantes freadas acabam por “liberar” as ditas cujas, pelo acúmulo de atrito no sentido inverso da rodagem. Deu para entender?

Ficam as fotos para comprovar.

É isso aí,

Trilogia Millennium: uma análise dos três livros de Stieg Larsson

Novembro 3, 2009 bardagi 4 comentários

Que Millennium é, na maior parte do tempo e de suas mais de 1800 páginas, uma leitura prazerosa, vejo como quase incontestável. O sucesso de vendas retrata isso e a profusão de fãs no mundo todo, com a passagem para o cinema, só vêem reforçar ainda mais o fenômeno mundial em que ela se converteu. Muito além do entretenimento proporcionado pela série, porém, findada a leitura do terceiro e último tijolinho da série, é momento de se refletir sobre o interessantíssimo mundo que a imaginação de Stieg Larsson criou, além de trazer à tona bons pontos de discussão na sua peculiar forma de ver por onde andam os Homens neste novo século e na Suécia em particular.

Das coisas interessantes que o microcosmo sueco do livro nos traz, emerge como grande pano de fundo de sua obra, primeiramente, uma grande crítica do welfare-state. A sociedade tão organizada, tão meticulosamente zelosa do bem-estar comum, falha no individual. Falha ao não cuidar bem dos seus entes que mais precisam de cuidado, o que é bem curioso. É o que parece nos querer dizer o autor, ao nos brindar com o aparato do Estado dentro do Estado, representado pela Seção, revelação do segundo livro. Uma instituição criada para o “jeitinho”, para fazer as coisas fora das regras, para subverter a ordem. É o retrato que sobressai também quando vemos o tratamento dispensado a Lisbeth nos hospitais psiquiátricos da Suécia. Todos os tipos estranhos com os quais cruzamos ao longo da trilogia parecem desambientados na sociedade perfeita que é o estereótipo da Suécia para o mundo. Desviados de toda ordem, como o grupo de motoqueiros, os que lucram com a prostituição, os que vendem drogas, os imigrantes, espelham perfeitamente o “lixo da pós-modernidade”, como nos fala Zigmut Baumann. E a Suécia parece cheia dele. O preconceito da polícia contra Lisbeth, a “lésbica satânica” de Faste, é a jóia da coroa deste lixo e a que mais prontamente deve ser eliminada.

Como sabemos que Stieg tem uma tradição jornalística de esquerda, só podemos interpretar isto como uma grande denuncia ao “sistema”. Stieg porém, algumas vezes exagera no panfletismo, e sua visão muito peculiar e deturpada do capitalismo sobressai por exemplo na estória paralela de Bjorslo, e suas privadas de milhares de coroas, feitas com mão-de-obra infantil no Vietnã. Nunca passou pela cabeça de Stieg que o mercado paga o preço que quer pagar pelas privadas ?

Bloomkvist será o alter-ego do autor? Isto importa pouco, mas o personagem é de tal forma sagaz , sexy, inteligente, que é difícil entender de outra forma. E o adjetivo Super-bloomkvist…..pelamordedeus! Mas não deixo de ver na incrível inteligência de Lisbeth Salander também parte do desejo do autor de se vangloriar. Seria ela também a heroína que ele sempre quis ser?

Lisbeth é a melhor contribuição do autor, sem dúvida. Através desta personagem temos a amarração dos três livros e de uma participação quase que coadjuvante no primeiro, ela passa a protagonista no segundo, e “mentora intelectual” no terceiro. A ética de Lisbeth é talvez o mais interessante a se analisar. Parece ser justa, gostar da mãe, mas rouba e viola a lei sem o menor pudor. Contestadora, afronta as regras de convivência sócia e debocha da autoridade. No livro, tudo justificado pelos abusos, mas para quem é tão intelectualmente bem dotada…

A relação de Bloomkvist e Lisbeth é extramente curiosa e cumpre notar que no segundo livro, há apenas um encontro entre os dois personagens, e ele se dá na última página!

Bloomkvist e Lisbeth, cada um a seu modo, são elétrons livres da sociedade, vivem sós e são totalmente egocentrados. Retrato do país?

A Suécia do imaginário coletivo, aliás, implode, restando apenas a liberdade sexual como uma bandeira, quase nenhum personagem tem uma família tradicional, e o casal Berger é o supra-sumo do liberalismo.

Fruto da incrível criatividade de Stieg, que em três livros, nos brinda três roteiros totalmente distintos, ainda que enredados entre si e derivados um do outro. Um show.

O mistério do primeiro livro deslancha a partir da página 150 e fica difícil de largar. O segundo livro tem um desenrolar muito parecido, demorando a engrenar, mas nele não há o mistério impenetrável e aprisionado no passado, e sim uma caçada ao assassino declarado. O final deste, porém, muito cinematográfico, prejudica e tira um pouco da credibilidade da narrativa (claro que é ficção, eu não consigo sair totalmente da realidade ao analisar) . Como esperado, o terceiro volume começa exatamente de onde parou o segundo, mas logo se converte em um outro enredo encantador, embora a profusão de personagens desgaste um pouco. Mas este último volume culmina bem com a elucidação de (quase) todos os mistérios levantados pela trilogia desde o principio e a ótima cena do julgamento. Quase que Stieg resvala de novo para o fantasioso, mas desta vez ele soube dosar melhor o seu apetite pelo hollowoodiano

O uso de alguns casos reais se confunde com a criação de outros, e Stieg chega a usar o nome verdadeiro do primeiro-ministro sueco Falldin e citar casos de corrupção reais. Bem curioso.

Enfim, ótima leitura e porta de entrada para um grande milênio.

É isso aí!

Museus em New York : o máximo pelo mínimo

Outubro 24, 2009 bardagi Deixe um comentário

Vai aí um update dos museus de New York, para se aproveitar o máximo pagando o mínimo:

1. MET: embora tenha um preço recomendado de USD 20, você pode se manifestar e dizer quando quer pagar. É falar na frente do caixa mesmo, na hora de comprar o ticket. Eu e Dani pagamos USD 10 para ver Vermeer e foi justo.

2. The Frick Collection: bem, o velho Mr. Frick juntou uma senhora coleção de obras incríveis, que vale muuuuito a pena ver: Rembrandt, Monet, Vermeer, Goya, El Greco, Ticiano, o cara comprou com muita qualidade. Domingos, das 11hs à 13hs, você entra pagando o que quiser também. Nos outros dias, USD 18.

3. Guggenheim: mudou o dia da barbada, desde Maio que passou das sextas-feiras para o sábado, a partir das 17h30. Daí é de graça.

É isso aí, fico devendo o MOMA.

Os horários de MILLENNIUM 1 – “OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES” na 33ª Mostra de SP

Outubro 20, 2009 bardagi Deixe um comentário

MILLENNIUM 1 – OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES (MÄN SOM HATAR KVINNOR), de Niels Arden Oplev (152′). SUÉCIA. Falado em sueco. Legendas em português. Indicado para: 16 ANOS.

CINESESC 31/10/2009 – 00:00 -
UNIBANCO ARTEPLEX 1 01/11/2009 – 23:50 -
CINEMARK CIDADE JARDIM 02/11/2009 – 21:30 -
ESPAÇO UNIBANCO 3 04/11/2009 – 15:20 –

Vamos ter a oportunidade de conferir se o filme é fiel ao livro de Stieg Larsson.

É isso aí,

Filme Millennium 1 estréia no Brasil na 33ª Mostra de Cinema de São Paulo

Outubro 13, 2009 bardagi Deixe um comentário

Para os fãs da série Millennium, uma informação sensacional: O primeiro filme da trilogia Millennium, Os homens que não amavam as mulheres, foi confirmado na pauta da 33ª Mostra de Cinema de São Paulo, dentro da série Perspectiva Internacional. A Mostra este ano começa em 23.10 e vai até 05.11. Demais. Veja o link da mostra com a relação completa de filmes aqui.
Ainda não temos a confirmação dos dias e horários de exibição, mas em breve isso também estará disponível no site da Mostra.