O Brazil é o novo Brasil?

O final de semana era de decisões nas Olimpíadas. Tudo mundo dava seu pitaco. Tudo mundo errou. Eu não dei pitaco e não errei nenhum prognóstico, rá!

Daí eu vou assistir o show da Maria Rita cantando Elis Regina e me deparo com aquela música, Querelas do Brasil, entre outras pérolas. Tudo o mais é decorrência.

O Brazil não conhece o Brasil. Nem o Brasil conhece o Brasil. Nas Olimpíadas menos ainda. Ganhamos o que não sabíamos que podíamos ganhar. Perdemos o que acreditávamos barbada. O auto-conhecimento é a chave do sucesso. Quem não conhece a si mesmo, não faz idéia de onde pode chegar, menos ainda sabe o que tem de fazer para melhorar. O Brasil não sabe o que é o Brasil. Ruma, portanto, a esmo, para lugar nenhum.

O Brasil nunca foi ao Brazil. Hoje o Brasil deita e rola no Brazil. E se acha. Daqui a pouco o Brazil vai começar a reclamar que sofre bullying do Brasil. É que só está lá por tamanho. Parece mesmo que quer se impor por força, e não por competência. Qualquer ranking de competência deixa o Brasil no chinelo, vide nossas performances em Educação, em Inovação ou Ambiente de Negócios. Urgh! Agora, ultimamente o Brazil também vem muito ao Brasil. E se espanta. O espanto mais bacana da última semana é o da Forbes sobre o preço dos carros por estas bandas.

O Brazil não merece o Brasil. Ecos de uma postura totalmente anti-globalizada, anti-participativa, anti-tudo, que era a cara do Brasil pseudo-intelectualizado. Na verdade, o Brasil quer porque quer pertencer ao Brazil, o Brasil quer ser o Brazil.
O Brazil está matando o Brasil. Falso corolário da frase anterior. O Brazil cansou de jogar bóia para cá, para o Brasil. Agora este Brasil lindo e trigueiro acha que pode jogar bóias para os outros. Na verdade, é o Brasil que está matando o Brasil. Ora, joguem bóia primeiro nas nossas mazelas, criem um país direito. Mas se deixar, o Brasil também pode faz um estrago considerável no Brazil.

Do Brasil, SoS ao Brasil. É isso aí. Ponto.

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Buenos Aires 2012: entre Paris e Caracas

  1. Melhor que Paris: as amplas avenidas como a Libertador, com sua parede de edifícios de um lado e as amplas áreas verdes do outro. Nem as avenidas de Hausmann em Paris são tão bonitas. Falta o verde abundante. Mas tente atravessar a rua de um lado a outro no tempo de um semáforo para ver o que é bom.
  2. Quase Caracas: as favelas que estão se amontoando ao longo do viaduto que liga a 9 de julio com a saída para a carretera norte. Urgh!
  3. Igual Paris : os belíssimos casarões e edifícios da Avenida Alvear e as madames passeados com seus lulus.
  4. Pior que Paris: a enormidade de gente fumando adoidado em qualquer lugar, mesmo fechado. Experimente com moderação.
  5. Bem Caracas: a galeria dos “heróis” latino-americanos da Casa Rosada parece ter sido sugerida pelo Chavez…..estão lá Che, Getulio Vargas, Tupac, Allende, e os Peron…obvio. Não vi Nestor, mas logo logo ele ganha um quadrinho lá. E talvez Lula. Cabe na companhia.
  6. Disputa dura: El Ateneo é seguramente uma das mais lindas livrarias do mundo. Paris tem Shakespeare&Co.
  7. As horrorosas medianeras (veja o filme, leia critica aqui) são horripilantes. São Paulo também tem. Coisa de matar. Mas os portenhos ganham em feiúra porque ainda agregam aquele mar de fios e cabos expostos acima de nossas cabeças como enormes teias de aranha do inferno.
  8. Buenos Aires vive de noite e dorme de dia. Tente encontrar algo aberto antes do meio-dia. Isso, só em Buenos Aires mesmo.
  9. Separar o joio do trigo em Palermo é tarefa hercúlea. Muitas coisas lindas, mas também muitas pegadinhas. Algumas lojas tem preços de SoHo e qualidade de SoHo, outras tem preço de SoHo e qualidade de brechó. A meta é encontrar as que tem preço de brechó e qualidade de SoHo. Fique com estas.

10. Lambuze-se de doce de leite no café-da-manhã, empine algumas empanadas no almoço e chore por um bife de chorizo no jantar. Agora se você adotar o porteño way of life, perca o café-da-manhã, almoço um chorizo, jante umas empanadinhas e tome um café quando der para escapar da balada.

11. Pode ser que você consiga entrar no Tortoni. Então pague o olho da cara para tomar um café com Gardel e Borges. Mas vale. Não derrame o seu cortado enquanto olha os vitrais no teto.

12. Tente devolver seu carro alugado em Ezeiza em menos de 30 minutos. Comece tentando achar onde entrega-lo. La puta madre! Isso nem em Caracas.

13. Se puder, use o Aeroparque, mas torça para que a fila da imigração não esteja chegando no pátio das aeronaves. Você desce vendo o Monumental de Nuñez a sua direita e sobre vendo o rio de la plata bem de pertinho, a sua esquerda.

14. Para conhecer todos os bonarenses de uma vez, vá ao Unicenter, o maior shopping da área metropolitana, domingo de tarde. Não precisa pagar para entrar, mas é bom rezar para sair. Só não vi o Messi.

P.S. > ao usar o GPS lá, tente encontrar Buenos Aires na lista de cidades. Não estará!  Sofra até descobrir que você tem de digitar as mégicas letrinhas CABA (Cidade Autônoma de Bs. As.). Que bárbaro!

Março: Sampa calling e é melhor ouvir

 

De 1 a 25  > show do Chico Buarque. Ouvir Sinhá ao vivo.

Dia 2 > Estréia ‘Drive”. Ouvir Cinema

A partir do dia 5 > Restaurant Week. Ouvir as papilas gustativas pulando de alegria.

Dia 8 > Santos vs Inter na Libertadores. Ouvir a galera delirar com DaDaDaDa. (Para quem não sabe ainda, Damião, Dagoberto, D’alessandro e Dátolo)

Dias 8, 9 e 10 > estréia OSESP com Marin Alsop. Ouvir e sonhar.

A partir do dia 9 > Vale tudo, o musical. Ouvir o Tim Maia, como se ele estivesse ali.

Dia 17 > Maria Rita canta Elis no Ibirapuera, de graça. Ouvir a filha da mãe cantando a mãe.

A partir do dia 17 > o musical Priscilla, a Rainha do Deserto, com as músicas na versão original. Ouvir e Rir.

Dia 25 >show Credence Clearwater Revisited. Ouvir e achar que o mundo voltou para trás.

Dia 26 > Exposição Alberto Giacometti, no MASP. Ouvir o bronze estalando, as exíguas figuras como que querendo sair andando.

Dia 29 > Show Joe Cocker. Ouvir, se ele ainda tiver voz.

Rasgando o futuro

O homem, provavelmente indignado com os resultados, adentra o recinto onde são declarados os vencedores, apanha as cédulas de votação, foge e rasga os papeis todos, em um ato de fúria. Mas o que parece um ato isolado de destempero, certamente não o é.  Seguro que a turba o incentivou, todos os companheiros que ali se sentiam prejudicados, enganados, só precisavam de um sujeito com menos conflito entre razão e emoção para concretizar a barbárie que muitos almejavam. E este não tardou a aparecer.

O que me interessa, porém, não é analisar o comportamento de um indivíduo incitado pela massa, ou sequer analisar porque aquela votação era mais rudimentar que eleição de síndico de prédio pequeno.

O que me interessa é pensar que aquela atitude, perpetrada por um, mas seguramente desejada por muitos, é o reflexo de um modo de ser que prefere “reagir contra o sistema”, a fazer qualquer tipo de autocritica. É querer impor-se pela prepotência e não pelo Saber.

Pois Brasil afora nos seguimos rasgando orçamentos que não queremos cumprir, seguimos rasgando os boletins da escola que saíram ruins, seguimos rasgando as avaliações dos consumidores que apontam falhas em nossos produtos, seguimos rasgando os votos contrários ao nosso partido. Rasgamos sempre, ao invés de tentar entender nossas deficiências.

Enquanto persistir esta cultura não sairemos do lugar. O primeiro passo para o crescimento é reconhecer seus pontos fracos. O autoconhecimento precede a capacidade do ser de melhorar. Só quem tem autocritica apreende e avança.

Voos que vão surgir no Brasil nos próximos anos

Terminal 2 de GRU
Image via Wikipedia

Quando a infraestrutura aeroportuária permitir, uma série de novos voos internacionais surgirão a partir de São Paulo. Eles servirão para atender uma demanda reprimida, criar novas oportunidades de turismo e negócios. Alguns poderão não se mostrar viáveis como operação regular, mas poderão ter um apelo seja para charters ou para uma operação de temporada.

São eles:

São Paulo – Tenerife > o voo facilitaria o turismo de brasileiros nas Canárias, ilhas espanholas na costa da Africa que recebem milhões de turistas por ano.  O tempo estimado de voo seria de 7 horas e meia. Hoje, para chegar nestas ilhas, o cidadão tem de ir até Madrid e voltar a Tenerife (10h30 de voo até Madrid e mais 4 para regressar) o que se configura um desafio logístico impensável.

São Paulo – Calama >  a porta de entrada do deserto do Atacama fica logo alí, 3h00 de voo, mas hoje, via Santiago, são 4h mais 2h de Santiago a Calama, sem contar o tempo em terra, inviabilizando este destino para quem apenas dispõe de uns poucos dias de férias.

São Paulo – Cairo > com 12 horas de voo chega-se direto na capital egípcia. Com o final do voo da El Al para Telaviv,  seria o caminho mais curto para toda a região do Medio Oriente.

São Paulo – Auckland > Hoje para brasileiros irem para a Oceania, somente com escalas em Buenos Aires ou Santiago. o Voo direto estimo em 14 horas, totalmente factível com as aeronaves de hoje.

São Paulo – Vancouver > para chegar nas Rochosas Canadenses, ou como via de acesso ao Alaska, nada melhor.  Em apenas 13 horas de voo. E de Vancouver para a Ásia, muitas ligações diretas.

São Paulo – Los Cabos > os melhores resorts do México, sem o risco dos furacões na zona de Cancun. 10 horas de voo. E criando ótimos possibilidades de conexões com os EUA, devido ao grande fluxo de low-cost carriers que levam os gringos para lá, principalmente do Oeste americano.

São Paulo – Helsinki > Helsinki é Hub da Finnair, que tem ótimas conexões para a Ásia via o pólo norte. 13 horas de voo

São Paulo – Cape Town >  o Rio de Janeiro da Africa, sem conexão em Jo’burg.

São Paulo – San Jose > para o centro da América Central, da bela Costa Rica, terra de surf, turismo responsável e de aventura, e aproveitando todas as conexões da TACA. E ótima competição para a COPA, que é ótima, mas 7 horas em um 737 é dureza.

São Paulo – Seychelles > o paraíso logo alí, a 13 horas de voo.

São Paulo – Viena >  porta de acesso à Europa Oriental, com as melhores conexões para tudo que ficava atrás da cortina de ferro

São Paulo – Philadelphia > o outro hub da US Airways, que hoje conecta o Brasil com os USA via Charlotte (?). Philly é mais história (berço da independência americana) e está a meio caminho entre NY e Washington.

São Paulo – Lyon ou Marselha > para descongestionar as ligações para a França, além de ser um pulo para a Provence e a Cote d´azur.

São Paulo – Atenas > a velha conexão que a VASP fazia poderia ser resgatada, facilitando a exploração do Egeu.

É isso aí,

Escher ou o Criador de Mundos

The "impossible architecture" of M.C...
Image via Wikipedia

Quer entender de onde vêm algumas das idéias para as  belas imagens de “A Origem” (Inception) ? Ou para as montanhas voadoras de Avatar? Ou ainda para as Minas de Morin, em “O Senhor dos Anéis” (The Lord of  the Rings) ?

Vêm de M.C. Escher, um cara que nos propõe repensar o Real. Um cara para quem não existiam caminhos impossíveis, formas erradas e muito menos, um único ponto de vista. Escher embaralha as cartas e as distribui no campo de jogo de um jeito totalmente imprevisível. O homem te faz olhar tudo de um jeito diferente, te faz desconfiar, achando que o que você vê não é exatamente o que está alí. Trompe l’oeil constante que brinca com o óbvio.  Como assim, óbvio? Coisas que você pensava inexeqüíveis.  Coisas que faltaram naqueles primeiros seis dias. Escher conclui.

Vá ver a exposição deste “holandês voador”, no CCBB, em São Paulo.

É isso aí