A magia de Oscar Wilde – The Magic of Oscar Wilde

“I believe that If one man were to live out his life fully and completely, were to give form to every feeling, expression to every thought, reality to every dream, the world would gain such a fresh impulse of joy that we would forget all the maladies of mediaevalism, and return to the Hellenic ideal. But the bravest man amongst us is afraid of himself.”

“We are punsihed for our denials. Every impulse that we strive to strangle broods in the mind and poisons us.”

“To get back to one’s youth, one has merely to repeat one’s follies. Nowadays people die of a sort of creeping common sense and discover when it’s too late that the one thing one neer regrets are one’s mistakes.”

“The people who loved only once in their lives are shallow. What they call loyalty and fidelity I call lethargy and lack of imagination.”

“It is personalities, not principles that moves the age”

“No life is spoiled but one whose growth is arrested”

Pleasure is the only thing worth having a theory about. Pleasure is nature’s test. When we are happy we are always good, but when we are good, we are not always happy” 

“There is a luxury in self reproach. When we blame ourselves, we feel that no one else has a right to blame us. It is the confession, not the priest, that gives us absolution.”

“In her dealings with men, Destiny never close its accounts.”

“Every effect that one produces gives us a ennemy. To be popular one must be mediocrity.”

“The books that the world calls immoral are the books that show the world its own shame.”

“Nowadays people knows the price of everything and the value of nothing.”

“We live in a age when unnecessary things are the only necessities.”

“Men marry because they are tired, women marry because they are curious. Both are disappointed.”

All quotes from The Picture of Dorian Gray.

O ano do Contra Fluxo

Neste novo ano, busque o fracasso, seja ocioso, aumente sua ignorância, discuta muito, perca produtividade, sinta-se desconfortável, desapegue-se de sucessos.

Busque mais fracassos, pois quanto mais fracassar, mais terá trilhado caminhos inóspitos, que lhe farão aprender. Isto é o que engrandece.

Amplie seu tempo de ócio, aquele tempo de qualidade para pensar, refletir, estruturar, criar.

Faça crescer sua ignorância, desbravando campos de estudos novos, conceitos que não conheça, e deslumbre-se com a constatação que ainda tem muito que aprender.

Discuta mais, ao se entregar ao debate com quem não concorda com você. Os pontos de vista deles lhe ajudarão a solidificar, ou mudar, os seus. Com isso, evoluirá. E, de quebra, pode ajudar outros a evoluir também.

Queira o desconforto, zona de conforto é para não aprender nada. No desconforto temos de buscar soluções.

Esqueça sucessos. Aquilo que inebria, prejudica.

E abra mão de produtividade. Quem disse que a vida é melhor quando se faz mais com menos? Eu acho que a vida é melhor quando se desfruta com menos pressa tudo o que nos agrada demais.

Enfim, desvie de manadas cegas, de correntezas avassaladoras, de tsunamis de obviedades. Viva o contra fluxo.

#HomemNoContraFluxo

O chapéu de Vermeer

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O homem é o homem e suas circunstâncias. O pintor é o pintor e o que ele vê. Este livro vai demonstrar isso de maneira brilhante. O autor utiliza cinco telas de Vermeer (A vista de Delft, Oficial e moça sorridente, Leitora na janela, O Geógrafo e Mulher com Balança) para ilustrar o contexto histórico da época em que foram pintadas. É lícito supor que o que Vermeer via e vivenciava nas ruas de Delft, de onde nunca saiu, estão em seus quadros. E já que ele não saia de lá, o mundo veio até Delft, e Vermeer, em sua curta existência (1632 – 1677), presenciou grandes mudanças em seu meio. Provavelmente muito ele se espantou com as novidades que chegavam ao porto de Delft nas grandes embarcações da primeira corporação de atuação global, a famosa Companhia das Indias Orientais. Timothy Brook é um especialista em história da China, e chegou até Vermeer pelo caminho do comércio. A pujança da sociedade holandesa do século XVII explica-se em grande parte pela ousadia de suas interações comerciais com todo o mundo conhecido. As cinco telas em questão do mestre de Delft dispensam olhar de lince, elas são suficientemente belas para chamar a atenção tão somente pela capacidade mágica do artista em trazer à tona, de forma tão brilhante e peculiar, o cotidiano de uma sociedade em processo de enriquecimento lícito. Mas os detalhes que escapariam facilmente a alguém de olhar menos aguçado, não podem ser ocultados de alguém tão afeito às nuances como Brook. Como e porque certas coisas estão lá ? Um chapéu vermelho de pelo de castor do Canadá? Uma porcelana chinesa ? Tudo tem uma explicação consistente e, via de regra, bastante divertida. O autor sabe narrar a História fundindo fragmentos de realidade com enxertos criativos sobre pessoas e lugares, o que é raro de se encontrar. Um  mergulho no século XVII, no início da primeira grande Globalização. Vale a pena.

Um livro : 1Q84

1q84_fan_art_by_ax3lito-d3foq38Nem bem havia lido uma dezena de páginas e fui logo procurar a Sinfonnieta de Janacek para escutar. Queria entrar no clima de uma das personagens, que escuta a tal música em um táxi antes de certos acontecimentos surpreendentes ocorrerem. A última vez em que me aconteceu algo semelhante foi quando li Clube do Filme. Tinha de sair correndo ver o filme que era citado pelo autor. Mas ouvir Janacek não me fez sentir nada de especial. Por que Murakami foi escolher logo esta música? Vai saber. Além de desencavar este quase obscuro compositor tcheco, o autor faz varias outras incursões eruditas na trama, passando por Tchekhov e Bach. Mas são enxertos muito bem encaixados, não estão inseridos apenas para mostrar o quanto o homem conhece da cultura ocidental.

Murakami propõe um ping-pong entre as duas personagens principais, Tengo e Aomame. Em capítulos alternados, vamos acompanhando as duas tramas, na expectativa de um possível entrelaçamento das duas narrativas. É curioso isto, surpreedente seria alguém escrever duas estórias realmente paralelas que nunca se cruzam…Seriam dois livros em um.

Mas parece que Murakami ficará no tradicional. As personagem devem se cruzar em algum momento e são armadas inúmeras possibilidades para o entrelaçamento das duas narrativas. Porém, vamos até o final deste que é o primeiro livro de uma trilogia, com esta dúvida.. Mas quem são Tengo e Aomame, de quem estamos falando?

Tengo não assume responsabilidades, não se envolve, é morno demais. É um professor de matemática, aspirante a escritor. Com tais fraquezas em sua personalidade, ele é envolvido a contragosto na tarefa de reescrever um livro que pode se tornar vencedor de um concurso literário, o que o joga em um conflito ético. Fica difícil engolir que alguém tão despreparado emocionalmente possa livrar-se disto sem consequências mais sérias. E mais inverossímil ainda admitir que tal figura seja detentora da sensibilidade necessária para uma escrita de qualidade.

Em contraste, Aomame é radical, extremada em tudo. Quente e fria, mas nunca morna. Tem uma profissão inusitada e válvulas de escape de alto risco. É muito mais complexa que Tengo, muito mais efervescente. Forte como uma rocha, Aomame está sempre no limite, mas não enfrenta nenhum conflito ético. Para ela é tudo muito claro, até surgirem duas luas no céu.

Vivemos a realidade ou somos todos lunáticos? A dúvida é o cerne do livro, desde o título.  A ação nunca é límpida o suficiente para diferenciarmos de imediato o que é aparência e o que é o fato. Cabe ao leitor julgar. Lamento apenas o lugar-comum da violência contra mulheres como pano de fundo, a literatura universal parece meio obcecado com o tema.

Que venha o tomo 2, prometido para março pela editora.

A passagem, livro 2 (The Twelve) – Justin Cronin fala

Para os que leram, e gostaram, de A Passagem, ficção realmente inovadora, a chegada do segundo livro da Trilogia é um evento. O livro The Twelve, foi lançado dia 16 de outubro nos USA e deve chegar ao Brasil até o final do ano, embora a Editora Arqueiro, detentora dos direitos, não tenha nada em seu site a respeito. Justin Cronin fala sobre ele neste vídeo. Em recente entrevista na CBS o autor comentou bastante sobre seu processo criativo e de como surgiu a estória de A Passagem. Veja a entrevista aqui.

É fato que o curto texto que foi disponibilizado como teaser na rede faz alguma tempo não encantou muito, mas Cronin anuncia que neste livro 2 a estória não só evolui como também joga novas luzes sobre os acontecimentos de A Passagem. Talvez valha a pena conferir.

Dalí in Wonderland

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Salvador Dalí, em 1969 ilustrou uma edição especial de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Nada mais apropriado. As imagens finalmente foram digitalizadas  e estão agora disponíveis na web. Veja no slideshow acima todas as ilustrações. Para tudo sobre Alice no País das Maravilhas clique na tag aí ao lado.

Um livro: Nemesis, de Philip Roth

Nemesis
Image by liquidsunshine49 via Flickr

O nordeste dos EUA, no início dos anos 40 do século passado, vitimado por uma epidemia de poliomelite e pelos horrores da Segunda Grande Guerra, é o local onde Roth situa esta pequena novela. A desesperança e a dor grassam, vidas são destruídas e planos interrompidos. Bucky Cantor é um jovem promissor, que cuida do pátio da escola, onde os alunos se exercitam entre e após as aulas, aprendem conceitos básicos de sociabilidade e competição. Roth nos narra um calor senegalesco em plena Newark, mais preparada para os gélidos invernos do que para temperaturas acima dos 30 graus centigrados.

Todos adoram Bucky, que é amigável, prestativo, zeloso e honesto até a última gota de suor. Ele tem uma namorada linda, amigos bacanas e uma avó que cumpre o papel de mãe também, cuidando-o como ninguém. Embora míope, e a aí está a razão para não estar combatento no front, é um ás dos esportes. Admirado pelas proezas que realiza e mais ainda pelos ensinamentos que transmite aos jovens garotos de quem cuida, Bucky leva a vida pacifica e ordeiramente.

Mas a polio é poderosa naquela verão de 1944, não tem piedade e se abate sobre o bairro de Bucky como uma blitzkrieg.

Deus não pode estar certo, pensa Bucky, como pode permitir tantas atrocidades?

Roth a partir deste cenário investiga a culpa, a fé, a vida. O estilo é caústico, a narrativa flui sem muitos rodeios. A secura do texto combina com a aridez deste verão terrível, mas Roth, mais uma vez esquecido para o Nobel em 2011, segue nos dando ótimo material, que faz pensar. E é boa leitura, acima de tudo.