A versão extendida da Trilogia Millennium / Dragon Tattoo Trilogy extended version

A TV brasileira neste momento promove a série Millennium amplamente, colocando no ar em vários horários os três filmes (estamos falando dos originais suecos). O que nem todos sabem é que a filmagem baseia-se no que foi originalmente concebido para ser uma série de TV, em seis capítulos. Este série faz tempo foi lançada na Europa e nos USA com o título Millennium Trilogy, ou Dragon Tattoo Trilogy – Extended Edition, com algo como 9 horas no total, quase 1 hora a mais por filme em relação ao que vimos no cinema. Para os fãs de Stieg Larsson, este formato é o que mais permite explorar todas as facetas da obra do autor. Os temas paralelos da trama são aprofundados, o que nas versões editadas para a telona não se mostrou viável. A intrincada investigação policial, por exemplo, tem muito mais consistência nesta versão mais longa. E, vale o aviso, a versão não fica enfadonha em nenhum momento. Em resumo, é obrigatório para os fanáticos de carteirinha por Larsson e Lisbeth, mas ao mesmo tempo é uma boa pedida até para quem não leu os livros. E sigo com minha opinião: Hollywood deveria ficar fora desta. O suecos não se deixaram levar apenas pelo potencial mainstream da literatura de Stieg, eles souberam preservar as (importantes) parcelas de crítica social, de costumes e empinaram altíssimo todas as bandeiras do autor. Um show. A Sony ainda estuda se vai seguir com o projeto e colocar os volumes dois e três para rodar, já que Girl With the Dragon Tattoo mal e porcamente cobriu os custos de produção. Não se preocupem. Tudo o que podia ser extraído do material que Larsson deixou já foi contado.

Brazilian cable TV promotes right now the Millennium Trilogy, exhibiting its three motion pictures, from the original swedish. But what is unknown to major part of the public is that the films were originally conceived as a TV series, with more than 9 hours in total, which makes more or less 3 hours more of filming than what was released  to be shown at the cinemas. For Stieg Larsson’s fans, this extended format is the most suitable one, the one which allows a in-depth dive on the author´s various subtopics. Not to mention that the additional three hours were well used, (do not worry, this version, despite its lenght, never gets boring) giving chance to the stories around the two main characters and exploring in a much better and consistent way the intricate investigation that is the core of the whole thing.  In a nutshell, that is a must see for the fans, but at the same time, even for those who haven’t read the books, a very good entertainment. Hollywood should have stayed out of this. The Swedish have taken a road less travelled, far from the mainstream, and explored perfectly Stieg’s concerns over the state of the society he was living within. A masterpiece. It is still unclear whether Sony will follow shooting the next two parts of the trilogy. It does not matter. All that could or should have been said about the Millennium Trilogy is already at our disposal.

The Man who can’t get rid of the Dragon Tattoo

A BBC e sua completa investigação sobre o sucesso da “crime fiction” escandinava. Vale a pena ver, completíssimo e com dicas ótimas sobre o que ler.

A Tatuagem borrada – Os cinco erros de David Fincher em The Girl with the Dragon Tattoo

The Girl with the Dragon Tattoo (2011 film)
Image via Wikipedia

Fui ontem assistir a refilmagem americana de “Os homens que não amavam as mulheres”, de David Fincher, baseada na obra de Stieg Larsson. A princípio, quando do anúncio de que haveria esta refilmagem, fui tomado por aquela sensação que considera uma besteira toda e qualquer refilmagem. Se alguma vez vi alguma que tenha sido melhor que a original, esta foi a exceção que confirma a regra. A reação de quase todos os fãs da trilogia era mais ou menos a mesma. Bradavam desaforos em todos os fóruns de discussões da obra de Stieg, e não faltavam elogios – justos – aos produtores suecos da Yellow Bird, que haviam feito bonito com a filmagem dos três capítulos da série Millennium, onde eles permaneceram bastante fiéis à idéia original do autor.
Ao longo do tempo, porém, quanto mais chegavam notícias sobre o andamento da produção da Sony, mais os preconceitos iam caindo. Afinal, Fincher havia engajado excelentes atores, estava com locações na Suécia, e dizia-se, não iria poupar nas tintas para realçar os pontos mais polêmicos do livro. Depois, a estratégia de marketing contribuiu para o resto: uma série de virais inteligentes tomou a internet e despertou a curiosidade sobre o filme, chamado em inglês “The girl with the Dragon Tattoo”, mesmo título dado ao livro nos EUA.
A estréia americana, em 21/12/2011, sob o moto ‘the feel bad movie for Xmas’, garantiu ao filme o quarto lugar nas bilheterias. Nada mau, para a classificação restritiva que ele recebeu.
Portanto, ontem, dia da estréia no Brasil, eu estava desprovido dos preconceitos iniciais e com muita expectativa de ver algo realmente surpreendente.
Mas mal iniciou a projeção e aquela sensação sobre as refilmagens começou a fazer eco. David Fincher iria borrar a tatuagem do dragão. Errar a mão. E não deu outra. Fincher errou em pelo menos cinco pontos, na minha opinião.

1.    Já filmou pensando nas sequencias.
Desde a abertura estilizada, com um que de James Bond, até algumas mensagens nem tão subliminares assim ao longo da narrativa, deixam a entender que ele quis dar uma tratativa de franquia ao material que tinha na mão.
2.    Salander não é uma super-herói
Lisbeth Salander é uma personagem complexa demais e de difícil tradução. Para quem não leu os livros, é muito complicado entender as motivações e a personalidade de Salander em apenas alguns poucos minutos de projeção. Fincher carregou na atitude vingativa de Lisbeth, mas errou ao deixar de lado o aspecto mais introspectivo da personagem. A anti-sociabilidade dela ganhou tons muito violentos, o que não corresponde à personagem de Stieg.

3.    Não explorou como poderia os pontos fracos das versões suecas
É certo que o filme original não primava pela ação e pela capacidade de agarrar a plateia com seu ritmo. Fincher melhorou apenas um pouquinho estes quesitos, mas ainda ficou muito aquém do que já mostrou ser capaz de fazer.
4.    Mudou um elemento importante da história

Este para mim o ponto mais incompreensível, pois não havia nenhuma razão para tal. Fincher não surpreendeu com sua alteração, mas para quem conhece o texto de Stieg, fica a pergunta: Para quê?

5.    Propaganda ficou melhor que o produto
Francamente, depois de todas as geniais etapas preparatórias para o lançamento do filme, da qualidade do material colocado nos sites, do trailer alucinante, do bom uso da música, ficou aquela sensação amarga de que venderam artigos precários em uma embalagem maravilhosa.

É claro que o filme tem seus acertos, suas ousadias e algumas cenas brilhantes. Mas fica a sensação de que é pouco.

Ainda bem que hoje em dia não tem tatuagem que não se remova. Demora, mais sai.

A propósito, tudo sobre os livros e os filmes suecos e outros comentários sobre a versão de Fincher na aba “Millennium” ai em cima.

Trilogia Millennium: as datas de exibição na TV de Millennium 2 e 3 (os originais suecos)

Aproveitando-se do furor que causa o lançamento do filme de David Fincher “The Girl with the Dragon Tattoo”, a refilmagem de Millennium 1 “Os Homens que não amavam as mulheres”, e que estréia em 27 de janeiro no Brasil, mas ao mesmo tempo sem nenhum marketing, a TV brasileira vai exibir os originais de “A Menina que brincava com fogo” (Millennium 2) e a “A rainha do castelo de ar” (Millennium 3). Tais películas entraram na grade do canal HBO Max com diversos horários de exibição agora em janeiro e fevereiro. Os filmes aqui no Brasil nunca chegaram ao mercado, nem em cinema, nem em vídeo. Os direitos de distribuição pertenciam à Imagem Filmes, que optou por abrir mão dos mesmos, devido à baixa repercussão do primeiro filme da trilogia, lançado no Brasil em maio de 2010, atingindo apenas 37.000 espectadores, após 7 semanas em cartaz.

Os filmes serão exibidos na sua versão para o cinema. A versão extendida, que foi exibida como minisérie nas TVs nórdicas e que agrega algo como 3 horas de filmagem na soma dos três filmes, esta continuará inédita entre nós.

Para ver os horários de “A Menina que brincava com fogo”, clique aqui.

Para ver os horários de “A Rainha do Castelo de Ar”, clique aqui.

30 days to go: toda a estratégia de lançamento do novo “Os homens que não amavam as mulheres” (The Girl with the Dragon Tattoo)

Dia 21 de Dezembro estréia nos EUA a versão de David Fincher para a primeira parte da Trilogia Millennium de Stieg Larsson. A estratégia de divulgação do filme é massiva, e tem sido bem sucedida, gerando muito atenção em todas as frentes. É uma estratégia que pode alavancar nomeações ao Oscar, embora o próprio David Fincher tenha declarado que “este não é um filme de Oscar”. Entende-se o que ele diz. Fincher aposta pesado no lado mais “dark” da estória, pelo pouco que podemos ver nos trailers e chamadas de TV, vai ser mesmo “the feel bad x-mas movie“. A Salander de Rooney Mara é extremamente outsider e o roteiro parece que vai carregar na parte pesada da trama, com ênfase ao tópico de exploração de mulheres, que era tangenciado apenas na versão sueca. O filme ainda não foi classificado, mas seguramente vai ganhar um R, o que quer dizer que menores só podem assistir acompanhados de um adulto.

Mas de volta à estratégia de lançamento, vejam só:

1. Duas chamadas para a TV, incluindo esta aí abaixo, de 1 minuto:

2. O site do filme na web é espetacular, com imagens alucinantes da Suécia, vale a pena visitar.

3. A trilha sonora do filme será lançada em 02.12

4. Soma-se a isto tudo um site que publica quase tudo da produção, o http://mouth-taped-shut.com/ e linka com outro,  http://www.whatishiddeninsnow.com/ onde pouco a pouco segredos são revelados em uma espécie de geo-catching game. Os internautas já acharam, por exemplo, 14 das flores enviadas à família Vanger, o capacete de Lisbeth e o diário de Harriet Vanger !

5. A cadeia de lojas H&M vai lançar uma coleção de roupas baseada na estética de Lisbeth:

6. A página do filme no Facebook já tem mais de 76000 curtições.

Enquanto isso, vivemos um ligeiro conflito de informações a respeito do lançamento do filme no Brasil. O site da rede Cinemark dá a estréia para 06 de janeiro, apenas duas semanas depois dos EUA, porém, o hiper-confiável calendário de lançamentos da Filme B aponta, desde faz muito tempo, a data de 27 de janeiro. A ver.

Não, Stieg Larsson não previu O Atirador da Noruega

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Image via Wikipedia

O que o tal sujeito fez tem o poder de danificar as estatísticas. A Noruega tinha a décima taxa de homicídios mais baixa (0.8 por mil, dividindo o topo da lista com Austria, Fiji, Japão ) entre quase 200 nacoes, . As 76 mortes equivalem a colocar o pais este ano na companhia de países como Azerbaijão e  Romênia, com 2.4 por mil, quase 70 posiçoes abaixo.

A imensa popularidade que os escritores de ficção policial (crime fiction) escandinavos ganharam nos últimos anos, onde Stieg Larsson com sua multi mega milionária série Millennium é mestre-sala, porta-estandarte e comissão de frente, é bem capaz de suscitar em alguns a pergunta se tamanha voracidade e habilidade em descrever a violência não seria uma forma de se antever que a sociedade tinha isso nas suas entranhas?

Não há nada em Millennium que infiram algo parecido. A violência de Larsson é outra, do Estado contra seus cidadãos, e de homens imundos contra mulheres, por exemplo. O autor, porém, tem sim alguma conexão com o extremismo de direita, pois ele foi alvo por sua colaboração com as guerrilhas na África e América central, bem como por sua voz na revista Expo contra os grupos neo-nazistas suecos.  Mas ele mesmo julgava as organizações norueguesas como fracas e desorganizadas.

O atirador da Noruega é mais um cisne negro da década de terror, que se prolonga agora indevidamente além da morte de Osama. Aliás ,parece que cisnes negros estão se reproduzindo mais que coelhos por estes dias.

Se o que ocorreu vai mudar o panorama social e político da Noruega não sabemos. Mas isso já não seria um outro cisne.