Charlie n’est plus là

Charlie écoute de la musique

Ça peut-être tragique

Charlie vient du bureau

Donne-moi un morceau

De ta tristesse?

Charlie sort de l’école

A quelle vitesse?

Charlie va au cinema

Mais qu’est-ce qu’il y a?

Pas grave, Charlie

On a tué ta maladie

Charlie

N’est plus là

Où il faudra

On fait un dessin

Sur le chagrin

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Crítica do Cinema Francês : Mademoiselle Chambon

O silêncio só pode ser rompido pelo sublime, parece nos querer dizer o diretor Brizé. No filme, uma história de amor simples, entre um pedreiro e uma professora de primário, vale o que não está dito. Mas não é preciso muito mais que alguns minutos para que se perceba todo o potencial deste não-falado, não-comunicado. A atuação dos protagonistas é estupenda, sensível e jamais previsível. Jean, o pedreiro, só sabe o que é concreto, sólido como as fundações que faz, não tem nenhuma intimidade com as palavras e o mundo intangível. Já a professora, não sabe concretar nada, vive no que poderia ser e não naquilo que é. Tem uma total inadequação ao mundo real. A forma como ela tenta trazer Jean para o seu mundo é custosa, indireta, torta ao extremo. O telefonema que ela recebe da mãe, e que ela não atende, oferece uma boa pista para a sua reclusão e seu modo errante de vida. A forma como Jean tenta trazê-la para perto de si é igualmente irregular, quase um nada, distante e penosa também. A conversão dos dois modos se dá sofregamente. Mademoiselle Chambon, a professora, concretiza no violino o que não sabe expressar de outra forma, e Jean entende perfeitamente o que quer e não sabe dizer.

E o filme segue nesse não-dizer, mas comunicando tudo pelos olhares intensos, pelo gestual contido mas cheio de tensão, pelo quase-toque de mão, pelo quase sufocar. Poucas vezes o silêncio fez tão bem à alma.

Crítica do cinema francês : Grandes Mulheres

Curioso como em um curto espaço de tempo o cinema francês acabou produzindo dois filmes muito semelhantes na temática, abordando a vida de duas grandes damas da França no século XX. Piaf e Coco avant Chanel são obras similares até na estrutura narrativa, pois ambos iniciam-se na infância pobre das duas personagens, falam das tragédias particulares dessas grandes personagens e enaltecem ao máximo suas personalidades fortes. Dois filmes que souberam fazer uma reconstrução primorosa de época. De forma muito curiosa, a música também tem um papel importante para Coco, não só para Piaf.

A sinalar também a relação destas mulheres fortes e seus companheiros. Enquanto Piaf parece sempre estar à frente de seus homens, embora dependente do amor deles, Coco, como retratada no filme, parece criar uma relação oportunística, explorando e deixando-se explorar pelos amantes. Em ambos filmes, quando o pior acontece, a reação de ambas é tão díspar, que evidencia enormemente esta diferença. O trabalho de maquiagem não é tão expressivo em Coco, pois o período retratado da personagem coincide mais com a idade real de Audrey, ao passo que em Piaf, Marion Cotilliard, para virar Piaf, necessita de todas as armas em termos de pós e máscaras.

De qualquer modo, ótimas indicações, ambos os filmes.

É isso aí,

Crítica do cinema francês II : Horas de Verão

Gente,
Horas de Verão é um filme magistralmente elaborado. Não dá para dizer menos. Quer um exemplo? A cena de despedida da família, logo a um terço do filme. É fantástico como em dois segundos o autor consegue mudar inteiramente a atmosfera e transmitir o sentimento de Helène de uma forma vigorosa num piscar de olhos.
Todos os diálogos são precisos, extremamente “reais” e transmitem muita crebilidade, graças ao ótimo trabalho dos atores também, claro. Mas a essência de tudo, o pano de fundo do que se discute ali pode passar desapercebido quando se está tão inebriado pelo que se vê. Eu fui salvo pela Dani (hi, love!) que foi direto ao ponto: a discussão é sobre valores. O que é mais importante, o individuo ou a sociedade? O que vamos deixar ou o que vamos aproveitar (consumir) ? A família ou o Eu?
Uma discussão sempre pertinente. Curioso como o autor usa um merchandising (Philips) a seu favor. O bendito telefone que foi um presente, fica o filme todo relegado ao último plano, esquecido sobre a mesa, nunca usado. Será que o fabricante ficou satisfeito com o resultado?
E as questões que afligem a França veem à tona: a perda de sua importância no cenário da globalização, seus filhos que se vão, desprezando sua cultura,….
Mas de uma coisa pelo menos eles não precisam ter medo: a força do seu cinema segue fenomenal. Alons enfants!

Outro aspecto muito curioso do filme, é como ela faz uso de obras de arte reais. É o caso de Degas, que tem uma peça quebrada e que vai ser restaurada, de Redon, presente com dois painéis, de Corot, cujos quadros retraram via de regra paisagens, Majorelle, com uma escrivaninha que realmente se pode ver no Museu d’Orsay, e Bracquemont, com seus vasos. Deixo aqui com vocês a reprodução de dois quadros de Corot:

Recollections-of-Mortefontaine,-1864-small

Two-Figures---Working-in-the-Fields-small