13 filmes imperdíveis para este restinho de ano

Meus caros, olho vivo que já tem gente planejando a ceia de Natal. Fica aqui a minha lista de 13 prioridades para os cinéfilos de plantão. Isto não é um ranking, por isso todos os filmes são precedidos do número 1. Mas a lista segue mais oou menos a ordem prevista para a estréia no Brasil.

  1. Carnage (Deus da Carnificina)

De Polanksi, com elenco bárbaro. O homem continua bem, sarcástico ao máximo. Ghost Writer provou.

  1. The Mill and the Cross (O Moinho e a Cruz)

Verei por interesse artístico. Baseado na tela abaixo Brugel, tal como já foi feito com A garota do brinco de pérola, de Vermeer.

  1. On the road – Na Estrada

Waltinho não levou prêmio mas seu filme sobre a obra “infilmável de Kerouac arrasou em Cannes. Beatnicks, uni-vos!

  1. Prometheus

Em Imax. Ridley Scott, o homem que quer fazer uma sequência para Blade Runner. Vamos ver como ele se saiu na prequel de Alien. Pelamordedeus!

  1. Dark shadows (Sombras da Noite)

Burton. Será que ele já sarou, depois de ter caído na toca do Coelho Maluco?

  1. Fausto

incrível versão da lenda de Goethe. Incrível como já remarcaram a estréia deste filme. Leão de Ouro em Veneza 2011. Não garanto que saia este ano.

  1. To Rome with Love ( Para Roma com Amor)

Allen. Ponto.

  1. Dark Knight rises ( Batman, O Cavaleiro das trevas ressurge)

o último Batman. Bale. Nolan com alguns dos vícios de Inception , mas e daí?

  1. Somos tão jovens

Este é o ano Legião.

        1. Skyfall (Operação Skyfall)

Bond. certas coisa não envelhecem.

        1. Frankenweenie

Burton. Já totalmente curado, com certeza.

         1. Gambit

com roteiro dos irmãos Coen. Detalhes aqui.

         1. The Hobbit

My precious.

Oscar 2012: Hugo versus The Artist

Se há uma guerra particular dentro da competição do Oscar 2012, esta será travada entre os dois filmes mais originais dentre todos os indicados, aliás os mais originais desde Avatar: O Artista e A Invenção de Hugo Cabret. O primeiro concorre a 10 estatuetas e o segundo a 11. Em 7 delas, a competição é direta. Vale a pena analisar categoria por categoria para ver quem vai ficar com o que, ou se ainda um terceiro filme pode aparecer correndo por fora e levar parte dos prêmios mais importantes.

1. Onde Hugo está sozinho

Efeitos visuais > indiscutivelmente o uso do 3D é um primor em Hugo, que deve ganhar esta, a menos que a academia resolva dar um reconhecimento para Harry Potter

Mixagem de Som  > pode dar qualquer um dos indicados, eu particularmente aposto que a Academia vai usar este prêmio menos importante para reconhecer um dos demais candidatos

Edição de som > Drive é um fortíssimo candidato aqui. “As pessoas não vão ver Drive, vão ouvi-lo”, diz a Première francesa.

Roteiro adaptado > o roteiro não é a melhor parte de Hugo, que peca na primeira metade por uma certa dificuldade com o timing.

2. The Artist sozinho 

Ator > não parece difícil para Jean Dujardin, dado à sua performance para lá de encantadora no filme, já reconhecida inclusive em outras premiações. George Clooney se aproxima cada vez daquilo que Brad Pitt já conseguiu, que é ser reconhecido como um ator e não apenas um star. Mas ainda não será desta vez.

Atriz coadjuvante > Berenice Bejo tem chances, embora seja estranho que sua indicação tenha sido para coadjuvante, afinal ela é o primeiro nome feminino do elenco. Sorte dela, que escapa da disputa direta com Meryl Iron Streep.

Roteiro original > aqui a competição é duríssima e o prêmio deve ir para Midnight in Paris. Woody merece.

3. Onde o verdadeiro embate acontece

Figurinos  > A academia costuma reconhecer filmes de época nesta categoria, portanto maiores chances para Jane Eyre. Entre nossos dois combatentes, Hugo.

 Música > ambos tem primorosas trilhas, mas o Artista se sobressai.

 Edição > outra categoria onde a disputa será árdua, contando ainda com The Girl with the Dragon Tatto no páreo.

Cinematografia > deve prevalecer o impacto do 3D de Hugo.

Direção de arte > A complexidade de Hugo chama a atenção, a arte dos primeiros minutos é simplesmente mágica e a recriação do universo de Meliés um espetáculo à parte. Hugo.

Direção > Scorsese fez um trabalho hercúleo, e deve ser recompensado.

Melhor filme > é no mínimo curioso que estejamos cotejando um filme francês que homenageia uma época de ouro da cinematografia americana e um filme americano que rende-se aos franceses, inventores da sétima arte. Uma disputa alucinante de estilos também, pois ao passo que The Artist vale-se de quase nenhum efeito especial, é um filme de baixo orçamento e não tem elenco superstar, Hugo usa as mais modernas técnicas de filmagem, é uma superprodução e tem nomes de maior peso no elenco, embora nenhum super-astro. O filme francês ganhou quase tudo até agora e, no conjunto, é mais harmônico que Hugo. Fica a minha aposta.

Bom Domingo a todos.

Todas as músicas de Midnight in Paris (completo, inédito em português)

Close up of Allen's statue in Oviedo (Asturias...
Image via Wikipedia

Depois de muita pesquisa, finalmente consigo publicar a relação completa de músicas que Woody Allen utilizou em Meia-Noite em Paris. Uma seleção para lá de “cool”.  Como não tem CD em vista com esta trilha, o público a fim de tê-lastem de garimpá-las por aí.  Pelo que consegui apurar, esta relação é inédita na Web em português. Boa sorte!

“Si tu vois ma mère”
Letra, música e interpretação de Sidney Bechet

“Je suis seule ce soir”
Escrita e composta por Rose Noel, Jean Casanova e Paul Durand

“Recado”
Escria e composta por Luiz Antonio e Djalma Ferreira
Interpretado por Original Paris Swing

“You’ve got that thing”
Composição de Cole Porter

“Let’s do it”
Composição de Cole Porter

“La Conga Blicoti”
Interpretada por Josephine Beker

“You do something to me”
Composição de Cole Porter

“Charleston”
Composição de James P. Johnson e Cecil Mack
Interpretada por Enoch Light e The Charleston City All Stars

“Ain’t she sweet”
Composição de Milton Ager e Jack Yellen
Interpretada por Enoch Light e The Charleston City All Stars

“Parlez-moi d’amour”
Escrita e composta por Jean Lenoir
Interpretada por Dana Boulé

“Barcarolle”
Composição de Jacques Offenbach

“Can-can”
Composição de Jacques Offenbach

“Ballad du Paris”
Composição e interpretação de François Parisi

“Le Parc de Plaisir”
Composição e interpretação de François Parisi

“Montagne St Geneviève”
por Stéphane Wrembel

Resumo (mesmo! ) de férias

Gene Kelly dancing while singing the title son...
Image via Wikipedia

Filmes:

Os doze condenados (12 Angry Men) – nunca deixe de expressar sua opinião

A viagem de chihiro – alguém pode me explicar ?

Esposa troféu (Potiche) – genial, Ozon! Luchini é um furação na tela.

Dançando na chuva (Singin’ In The Rain) – bom de rever

A outra (Another Woman) – Um Woody mais pesado, fase Bergman, para fazer contra-ponto com seus filmes mais leves atuais

Um dia de cão (Dog Day Afternoon) – Pacino, Pacino!

Minha versão do amor (Barney’s Version) – Imperdível, Paul Giamati dá um show e ótima ponta de Dustin Hofmann

The Adjustment Bureau – Se algum dia você fez um Plano, você vai gostar.

Cisne Negro (Black Swan) – bom, intenso.

Livros :

Our Choice – o ebook alçado a um outro patamar.

Liberdade (Freedom) – sigo a leitura no pós-férias, half way thru

Expo:

6 bilhões de outros – curioso, agora Yann Arthur tem a visão do todo e do individual. Parece que ele leu Lispector, ” a impessoalidade absoluta do mundo versus a minha individualidade como pessoa”

Kubrick em Paris, na Cinemateque > Muito bom, toda a filmografia do cara, inclusive os filmes que ele não fez.

Tv:

Guerra dos tronos (Game of Thrones)  > até agora, não chegou lá. A Terra Média segue imbatível.

Mais sobre Midnight in Paris

Shalva Kikodze. 'Paris', 1920
Image via Wikipedia

Com um filme tão fascinante como este, só o post aí de baixo não bastaria. Woody fez uma viagem tão instigante que sempre voltam coisas à minha cabeça, ao lembrar de cenas do filme e de sua proposta. Fiz algumas pesquisas. Neste momento todo mundo tenta decodificá-lo, até o NYT (veja link abaixo) fez uma reportagem explicando as personagens que o filme traz de volta à vida.  São nada menos que 18 (!) gênios e artistas que desfilam pela tela, 15 de uma época e 3 de outra. Entre eles todos, Woody deixa claro suas preferências, em minha opinião, pela forma como os apresenta e pelos diálogos que põe em suas bocas. Hemingway, por exemplo, parece ser o preferido número um. Através dele temos explicado não só o que é um grande amor (preste atenção nas cenas em que Gil está com ele no carro), mas também temos explicada a cobiça (por Adriana) e a inveja (Hemingway explica porque “detesta” qualquer outra obra de qualquer outro escritor). Quite a lot. Dalí, talvez o número dois. A cena com o mestre do Surrealismo é das mais impagáveis. Páreo duro neste disputa é Cole Porter, cujas canções se transformam no apoio de grande parte do filme (é bom que saia logo a trilha!). Gertrude Stein correndo por fora, aquela que tem opinião formada sobre tudo, dá um carão em Picasso e compra Matisses em profusão.  Buñel parece mais indeciso que Fitzgerald, e nem sequer entende o argumento de seu próprio filme! Da “Belle Époque” temos a competição entre Toulouse-Lautrec, Gauguin e Degas. Vence Lautrec, elogiado de cabo a rabo pela mítica Adriana.

O filme arrisca tornar-se a maior bilheteria de Woody em todos os tempos nos Estados Unidos, se superar Hannah e suas Irmãs, de vinte e cinco anos atrás. Falta pouco, só 17 milhões de dólares.

We will always have (Midnight in ) Paris

Midnight in Paris Photo Call
Image by PanARMENIAN_Photo via Flickr

Nostalgia. Modo de usar.

Allen nos entrega uma pérola impregnada de otimismo, lapidada por um texto magnífico, que na maioria das vezes a ele foi presenteado pelos Grandes Mestres que ele, por sinal,  põe na tela para conviver com o seu alter-ego mais jovem. A Owen Wilson cabe o papel do desconectado, perturbado ser que perambula a esmo por Paris, sem saber o que fazer da vida, sem saber como avançar em seu projeto pessoal e sobretudo, sem saber como lidar com as pessoas à sua volta, principalmente sua noiva e seu amigo para lá de pedante. Ele acaba por receber ajuda de um bando sensacional. Falar mais é revelar surpresas que são jóias preciosas do filme.

Diga-se de passagem que Owen cumpre muito bem sua missão, chega a ter uma entonação de voz e trejeitos que lembram os de Woody ao pé da letra.

Já falei aqui em outros textos que Nostalgia se aprende que é doença (negação do presente, dificuldade de se conectar com a realidade, etc…). Saudade seria mais saudável, seria uma forma de admirar algo que já passou, mas sem perder o vínculo com o presente, a realidade. Allen, porém, transforma a Nostalgia em inspiração e o faz magistralmente. Transporta a todos para um mundo idealizado, para uma Paris mágica que é a “festa em movimento” de Hemingway. Mas não para brincar com isso ou cair em uma armadilha fácil e naïve. E sim para corroborar a frase, dita por uma das personagens:  “A vida é insatisfatória”. O escapismo propiciado pela Nostalgia portanto, a partir desta premissa, acaba sendo tão válido quanto qualquer outro. Em um certo momento da trama outra personagem alerta: “vivemos tempos loucos, muito acelerado”. Soa como Huxley, que escreveu isso em 1968. Para nós, os tempos loucos são estes de agora, do século XXI. Para cada geração, o tempo presente é o mais louco, o mais veloz, o mais inadequado de se viver. Sem solução.

Woody surpreende com este filme, que tem leveza, otimismo e transmite uma grande emoção. É uma ode à vida, que ele parece querer dizer que tem de ser vivida do jeito que se quer viver, alicerçada na essência de cada um, com seus valores e ideais. Sejam quais forem. Woody Allen, com quase 76 anos, acaba de acrescentar uma ótima peça ao seu já magistral legado. Que venham mais!

Woody Allen, mestre das ilusões

Woody Allen in concert in New York City.
Image via Wikipedia

Eu vou a todos os lançamentos de filmes do Woody Allen.  Um por ano, todo ano. Pode ser que você pense que eu sei o que vou encontrar. Muitos dizem, Woody sempre faz o mesmo filme, para que ver mais um?  Bem, para mim, é como dizer que ver o Pelé jogar uma vez, fazer um gol, um único gol, basta. Não, não basta. Você sempre quer ver o Pelé jogar. Você sempre quer ver um novo gol do Pelé. Vai ser sempre a mesma coisa, claro, um show de bola. Mas cada show de bola é um outro show de bola. E ver show de bola é bom.

Isto posto, porem ainda antes de entrarmos no filme em si, que ‘e o que interessa, deixemos esta bobagem de lado e olhemos outra. Que título ridículo em português! E somado ao fato de como a distribuidora anda vendendo o filme, é um verdadeiro acinte. Alô, alô, Paris Filmes, Woody não faz comédia romântica. O filme pode parecer levinho, mas não é. Quem vai ver o filme, fisgado pelas chamadas idealizadas por vocês, e fica só querendo saber quem vai ficar com quem, está, honestamente, perdendo tempo e dinheiro. Melhor ir ver alguma outra película mais mainstream.

Bem, eu fui ver, como já antecipei, “Você vai encontrar o homem dos seus sonhos“. E, como esperado, foi show de bola.  O buraco é mais embaixo. Woody, usando mecanismos simples, como os pequenos romances, as crises conjugais e a chegada da velhice, te faz pensar, toca em questões chave, discute a Existência e a Essência. Logo no começo do filme, o narrador anuncia, em alto e bom tom, citando MacBeth: “A vida é Som e Fúria, e não significa nada”. Um intróito e tanto para uma “comédia romântica”, não acham?

Paris Filmes, foi mal. Vocês fizeram uma estratégia que talvez possa fazer o filme arrecadar uns trocados a mais. Mas que não tem nada a ver, não tem.

Vamos ao que interessa, finalmente. Woody segue sua exitosa fase européia. O local é Londres, como em Match Point. Os personagens são críveis, viabilizados por um elenco acima da média, principalmente a parte mais “senior” encabeçada por Anthony Hopkins e Gemma Jones.  O enredo, bastante verossímel, ainda que sem o mesmo requinte do filme que lhe rendeu a última indicação ao Oscar, nos mantém envolvidos na trama.  É um prazer acompanhar a discussão que Woody põe para rodar:

O que é melhor, deixar-se levar por esperanças, por ilusões e pela fé, ou submeter-se à  lógica da razão?

Combater o desconhecido, o improvável, o inesperado, ou juntar-se a ele?

O bando de londrinos típicos vai se enredando em suas confusões rocambolescas, entrando e saindo de relacionamentos fadados ao fracasso e vamos vendo o aprofundamento de cada um deles em suas convicções. Mas Woody não deixa barato e provoca algumas reviravoltas interessantes na trama.

E é curioso como ele joga com seus personagens, quase todos detentores de uma ética muito peculiar, uma ética de prateleira, que é usada quando convém. Há apenas uma honrosa exceção entre os personagens. Descobrir qual põe a chave do filme na sua mão.

Altamente recomendável.

P.S. > Woody pode não ser o Pelé da Telona, mas ao menos um Di Stefano, um Messi, um Cruyff o cara é.