A Tatuagem borrada – Os cinco erros de David Fincher em The Girl with the Dragon Tattoo

The Girl with the Dragon Tattoo (2011 film)
Image via Wikipedia

Fui ontem assistir a refilmagem americana de “Os homens que não amavam as mulheres”, de David Fincher, baseada na obra de Stieg Larsson. A princípio, quando do anúncio de que haveria esta refilmagem, fui tomado por aquela sensação que considera uma besteira toda e qualquer refilmagem. Se alguma vez vi alguma que tenha sido melhor que a original, esta foi a exceção que confirma a regra. A reação de quase todos os fãs da trilogia era mais ou menos a mesma. Bradavam desaforos em todos os fóruns de discussões da obra de Stieg, e não faltavam elogios – justos – aos produtores suecos da Yellow Bird, que haviam feito bonito com a filmagem dos três capítulos da série Millennium, onde eles permaneceram bastante fiéis à idéia original do autor.
Ao longo do tempo, porém, quanto mais chegavam notícias sobre o andamento da produção da Sony, mais os preconceitos iam caindo. Afinal, Fincher havia engajado excelentes atores, estava com locações na Suécia, e dizia-se, não iria poupar nas tintas para realçar os pontos mais polêmicos do livro. Depois, a estratégia de marketing contribuiu para o resto: uma série de virais inteligentes tomou a internet e despertou a curiosidade sobre o filme, chamado em inglês “The girl with the Dragon Tattoo”, mesmo título dado ao livro nos EUA.
A estréia americana, em 21/12/2011, sob o moto ‘the feel bad movie for Xmas’, garantiu ao filme o quarto lugar nas bilheterias. Nada mau, para a classificação restritiva que ele recebeu.
Portanto, ontem, dia da estréia no Brasil, eu estava desprovido dos preconceitos iniciais e com muita expectativa de ver algo realmente surpreendente.
Mas mal iniciou a projeção e aquela sensação sobre as refilmagens começou a fazer eco. David Fincher iria borrar a tatuagem do dragão. Errar a mão. E não deu outra. Fincher errou em pelo menos cinco pontos, na minha opinião.

1.    Já filmou pensando nas sequencias.
Desde a abertura estilizada, com um que de James Bond, até algumas mensagens nem tão subliminares assim ao longo da narrativa, deixam a entender que ele quis dar uma tratativa de franquia ao material que tinha na mão.
2.    Salander não é uma super-herói
Lisbeth Salander é uma personagem complexa demais e de difícil tradução. Para quem não leu os livros, é muito complicado entender as motivações e a personalidade de Salander em apenas alguns poucos minutos de projeção. Fincher carregou na atitude vingativa de Lisbeth, mas errou ao deixar de lado o aspecto mais introspectivo da personagem. A anti-sociabilidade dela ganhou tons muito violentos, o que não corresponde à personagem de Stieg.

3.    Não explorou como poderia os pontos fracos das versões suecas
É certo que o filme original não primava pela ação e pela capacidade de agarrar a plateia com seu ritmo. Fincher melhorou apenas um pouquinho estes quesitos, mas ainda ficou muito aquém do que já mostrou ser capaz de fazer.
4.    Mudou um elemento importante da história

Este para mim o ponto mais incompreensível, pois não havia nenhuma razão para tal. Fincher não surpreendeu com sua alteração, mas para quem conhece o texto de Stieg, fica a pergunta: Para quê?

5.    Propaganda ficou melhor que o produto
Francamente, depois de todas as geniais etapas preparatórias para o lançamento do filme, da qualidade do material colocado nos sites, do trailer alucinante, do bom uso da música, ficou aquela sensação amarga de que venderam artigos precários em uma embalagem maravilhosa.

É claro que o filme tem seus acertos, suas ousadias e algumas cenas brilhantes. Mas fica a sensação de que é pouco.

Ainda bem que hoje em dia não tem tatuagem que não se remova. Demora, mais sai.

A propósito, tudo sobre os livros e os filmes suecos e outros comentários sobre a versão de Fincher na aba “Millennium” ai em cima.

Trilogia Millennium: as datas de exibição na TV de Millennium 2 e 3 (os originais suecos)

Aproveitando-se do furor que causa o lançamento do filme de David Fincher “The Girl with the Dragon Tattoo”, a refilmagem de Millennium 1 “Os Homens que não amavam as mulheres”, e que estréia em 27 de janeiro no Brasil, mas ao mesmo tempo sem nenhum marketing, a TV brasileira vai exibir os originais de “A Menina que brincava com fogo” (Millennium 2) e a “A rainha do castelo de ar” (Millennium 3). Tais películas entraram na grade do canal HBO Max com diversos horários de exibição agora em janeiro e fevereiro. Os filmes aqui no Brasil nunca chegaram ao mercado, nem em cinema, nem em vídeo. Os direitos de distribuição pertenciam à Imagem Filmes, que optou por abrir mão dos mesmos, devido à baixa repercussão do primeiro filme da trilogia, lançado no Brasil em maio de 2010, atingindo apenas 37.000 espectadores, após 7 semanas em cartaz.

Os filmes serão exibidos na sua versão para o cinema. A versão extendida, que foi exibida como minisérie nas TVs nórdicas e que agrega algo como 3 horas de filmagem na soma dos três filmes, esta continuará inédita entre nós.

Para ver os horários de “A Menina que brincava com fogo”, clique aqui.

Para ver os horários de “A Rainha do Castelo de Ar”, clique aqui.

30 days to go: toda a estratégia de lançamento do novo “Os homens que não amavam as mulheres” (The Girl with the Dragon Tattoo)

Dia 21 de Dezembro estréia nos EUA a versão de David Fincher para a primeira parte da Trilogia Millennium de Stieg Larsson. A estratégia de divulgação do filme é massiva, e tem sido bem sucedida, gerando muito atenção em todas as frentes. É uma estratégia que pode alavancar nomeações ao Oscar, embora o próprio David Fincher tenha declarado que “este não é um filme de Oscar”. Entende-se o que ele diz. Fincher aposta pesado no lado mais “dark” da estória, pelo pouco que podemos ver nos trailers e chamadas de TV, vai ser mesmo “the feel bad x-mas movie“. A Salander de Rooney Mara é extremamente outsider e o roteiro parece que vai carregar na parte pesada da trama, com ênfase ao tópico de exploração de mulheres, que era tangenciado apenas na versão sueca. O filme ainda não foi classificado, mas seguramente vai ganhar um R, o que quer dizer que menores só podem assistir acompanhados de um adulto.

Mas de volta à estratégia de lançamento, vejam só:

1. Duas chamadas para a TV, incluindo esta aí abaixo, de 1 minuto:

2. O site do filme na web é espetacular, com imagens alucinantes da Suécia, vale a pena visitar.

3. A trilha sonora do filme será lançada em 02.12

4. Soma-se a isto tudo um site que publica quase tudo da produção, o http://mouth-taped-shut.com/ e linka com outro,  http://www.whatishiddeninsnow.com/ onde pouco a pouco segredos são revelados em uma espécie de geo-catching game. Os internautas já acharam, por exemplo, 14 das flores enviadas à família Vanger, o capacete de Lisbeth e o diário de Harriet Vanger !

5. A cadeia de lojas H&M vai lançar uma coleção de roupas baseada na estética de Lisbeth:

6. A página do filme no Facebook já tem mais de 76000 curtições.

Enquanto isso, vivemos um ligeiro conflito de informações a respeito do lançamento do filme no Brasil. O site da rede Cinemark dá a estréia para 06 de janeiro, apenas duas semanas depois dos EUA, porém, o hiper-confiável calendário de lançamentos da Filme B aponta, desde faz muito tempo, a data de 27 de janeiro. A ver.

As personagens do novo “The Girl with the Dragon Tattoo” em detalhes

Já escrevi “tudo” aqui no blog sobre “Millennium”, os livros de Stieg e os filmes originais (veja na categoria Millennium aí em cima).

Agora é a refilmagem de David Fincher que começa a causar. Depois do poster provocativo e do vazamento do trailer antes da publicação oficial, agora pipocam as “fichas” dos personagens. Uma ótima sacada para colocar ao par de tudo principalmente o público que não leu os livros de Stieg Larsson. Vejam como ficaram os perfis de Lisbeth Salander, Henrik Vanger, Miriam Wu e de Mikael Blomkvist:

O filme estréia em 21 de dezembro nos USA e em janeiro de 2012 no Brasil.

O trailer e o site oficial da refilmagem americana de “The Girl with the Dragon Tattoo”

E já vemos que David Fincher imprime alguma marcas bem peculiares, como o forte apelo da trilha sonora. Ainda pouco se vê de Rooney Mara como Lisbeth, mas claramente temos o foco na ação (pelo menos nesta chamada) e o filme se auto-proclama “The feel bad movie for Xmas“, devido a estréia programada para 21.12.2011 nos EUA. O site oficial do filme da Sony Pictures publica que o lancamento oficial no Brasil foi antecipado para 27.01.2012

É isso aí, vai ser um prato cheio discutir as diferenças deste para o original sueco.

Não vai dar Oscar, mas deu BAFTA

O Oscar desprezou os filmes suecos da série Millennium, e sendo assim nenhum deles foi nomeado para melhor filme estrangeiro. Noomi Rapace, que interpretou Lisbeth Salander barbaramente,  foi completamente esquecida pela AMPAS, como previsto. O terreno fica assim preparado, menos difícil, para David Fincher e suas refilmagens. Em compensação, os britânicos não só indicaram como concederam o BAFTA de melhor filme não falado em inglês para “Man hat som kvinnor” (ou Os homens que não amavam as mulheres, ou ainda The Girl with the Dragon Tattoo), em um merecido reconhecimento para os produtores suecos da Yellow Bird que levaram para a Telona com muita eficiência e sensibilidade a obra de Stieg Larsson. Veja aqui o momento da premiacão, e o justíssimo agradecimento do produtor à Stieg Larsson e a sua atriz principal. Notem que os aplausos da platéia são efusivos tanto quando Stieg é citado, como quando é a vez de Noomi.

A estréia no Brasil de “The Girl with the Dragon Tattoo”, remake americano, já está programada

Rooney Mara at the 2009 Toronto International ...
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E vai comecar tudo de novo….
Pois é, David Fincher está fazendo a primeira parte do remake americano da trilogia Millennium para as telonas. O filme, esperado para sair na semana do Natal do ano que vem nos USA, recebeu a data de 12 de fevereiro de 2012 para a provável estréia no Brasil. Parece que neste caso, seguiremos mais de perto o cronograma de lançamento , o que nao foi o caso nos filmes originais suecos.

Eu, por princípio, abomino esta idéia de remakes, mas vai ser divertido comparar as duas visões da estória, e, sobretudo, comparar a performance de Rooney Mara contra a de Noomi Rapace.

A conferir em 2012.