Com o quê o RH deve se preocupar hoje?

Estes dias li um comentário bastante ridículo no LinkedIn, que simulava um diálogo entre um CFO e um CEO. O CFO perguntava:

– não seria ruim se a gente investisse no desenvolvimento de nosso pessoal e ele saíssem da empresa logo em seguida?

ao que o CEO respondia:

– não seria pior se a gente não investisse no desenvolvimento deles e eles ficassem?

Tóiiiim……

Como piada é ótimo, como estereótipo de um CFO me incomoda.

Estes dias topei o desafio de participar do CapacitaRH do IBC, e já fui logo explicando que não havia nada demais em ser um CFO e estar alí mediando uma mesa de Presidentes/CEOs em um evento de Recursos Humanos. Fui logo alertando que eu acreditava que os resultados se alcançavam por intermédio das pessoas e que gente motivada, identificada e satisfeita produzia resultados para alegrar qualquer CFO.

Mas, enfim, voltando à pergunta do título….com este cenário de crescimento no Brasil, inflação e pleno emprego, tudo ao mesmo tempo, nossa mesa-redonda identificou as seguintes preocupações para o RH de hoje:

1. Com o pleno emprego chegando, a guerra por talentos se acirra e a capacidade de atraí-los vira uma competência chave das organizações. E não adiantarão os tradicionais programas de retenção. A busca é por identidade, por significado, por emoção;

2. já vivemos uma fase onde o custo da mão-de-obra brasileira supera vários países desenvolvidos. O que é alarmante.  Este cenário é um potencial disparador de inflação de demanda;

3. o conflito geracional deixa de ser um tema de consultórios de psicologia e passa a integrar o dia-a-dia das empresas. E o conflito de gerações é uma coisa nova sim. Antes, nas Organizações que seguiam o modelo de uma estrutura hierarquizadas de comando e controle, tínhamos egressos de várias gerações trabalhando nas empresas, mas ninguém era chamado a opinar, a dar idéias e questionar o status-quo.  Somente agora, quando o imperativo organizacional é outro, é um espaço mais democrático, que precisa inovar e reinventar-se sempre, aí sim é que o conflito geracional entra para dentro das empresas;

4. Cada vez mais a busca por significado impõe às organizações a necessidade de um modelo de Gestão alicerçado em Valores. Você não vai extrair o melhor das pessoas se não engajá-las na sua empresa, criar laços mais emotivos. Salários atrativos e pacotes de benefícios legais estarão em várias oportunidades lá fora, os talentos só ficarão com você se houver um aporte maior para o empregado também em termos qualitativos, de valorização da Pessoa e do que ela traz como vivência.

É isso aí,

Barreiras organizacionais para a Inovação

Por quê algumas empresas inovam e outras não? Por quê, dentre as empresas que inovam, algumas têm êxito e outras não? Quais são as barreiras que as organizações enfrentam para inovar com sucesso? Qual o papel da cultura organizacional na busca da Inovação? Estas questões intrigantes certamente fazem parte da pauta de qualquer Gestor hoje em dia. Afinal, só a inovação consistente pode assegurar a manutenção de vantagem competitiva sustentável para qualquer organização. Terei o prazer de apresentar meu ponto de vista sobre este tema, em evento do IBC, no próximo dia 24 de junho. Detalhes aqui.

É isso aí,

Vou te contar…RH

Saiu de casa pontualmente às 7h40, assim, quando aquele comentarista começasse a falar no rádio, já estaria confortavelmente dirigindo pela estrada, onde podia prestar atenção aos comentários dos quais tanto debochava. Como se aqueles caras soubessem como é a vida nas empresas. Exultava de prazer, ouvindo o que considerava as maiores baboseiras e acumulava estórias para a sua palestra de aposentadoria, diante da Diretoria da empresa: Já tinha o título pronto fazia uns dois anos: “O erreagá que não se entrega e entrega”.

Desta vez o comentarista falou sobre os pecados na hora da entrevista de emprego, mas ele se distraiu, pois preocupado estava em acabar hoje a política da empresa para assédio sexual e mandar para publicação. Gostava particularmente do capítulo que definia que um abraço entre colegas poderia durar até dezoito segundos, mais do que isso, era assédio!
Ficava excitado imaginando ter a D. Rosinha por dezessete segundos contra o seu peito, diariamente. Precisaria apenas lembrar de colocar o remedinho debaixo da língua antes, para evitar uma taquicardia.

Ligou para a caixa postal, para se certificar de que não havia recados. “Você não tem novas mensagens”, repetiu a voz e ele se refestelou no banco, a mão para fora do vidro, e ajeitou o som do carro. Instintivamente, pensou no passeio do final de semana, e colocou o CD do Bruce. “born to be wild” começou a rasgar os tweeters…

Quando chegou na empresa, D. Rosinha o aguardava ansiosa.
Que foi mulher, aumentaram o salário mínimo hoje?
Pior seu Antonio, reunião extraordinária de Diretoria.
Pauta?
Fusão.

Antonio Eduardo de Souza, o enérgico, conhecido como AES por suas descargas elétricas destemperadas, coçou a cabeça e desalinhou a massa grisalha que mantinha insistentemente jogada para trás.

Por que não me telefonou para avisar D. Rosinha?
Não queria que o senhor chegasse nervoso, chefe.
Mas agora eu já estou nervoso, pronto. Nervosíssimo! Você sabe quem é a diretora de RH daquela empresinha com a qual nos estamos entrando em parceria?
Aquela sirigaita?
Ela mesma.

AES sabia que não teria chances. Toda a diretoria babava pela D. Cindy. Ele seria dispensado, ou, suprema humilhação, rebaixado a assecla da D. Cindy. Logo ele, que sempre teve o cuidado com as pessoas, que tratava cada demissão como um caso de morte. Sim, porque quando AES chamava na sala do quinto andar, risco de vida é que não havia.

Entrou na sala, todos já reunidos. Cindy tinha um decote generoso. Estratégia de ataque.

AES tomou assento e mergulhou no caos. Cindy discursava enfaticamente:

….e portanto, vamos redimensionar os parâmetros, através dos benchmarks que o survey do nosso pessoal de Business Inteligence apontou e gerar uma estrutura mais lean, mais focada no delivery, e com isso aumentamos o committment do grupo, e…

Cindy parecia acreditar naquilo. Ele estava boquiaberto. Todo aquele discurso bárbaro. E ainda tinha os peitos de bônus.

Senhor Souza, o que o senhor acha da proposta?

AES pigarreou…

Rã, ham…eu achei um risco.

Um risco?

Sim. Um risco. Devemos levar em consideração os montes, as massas sustentáveis, que sobejamente flutuam, acima de nossas expectativas. É inquestionável o valor também do vale, entre as massas sustentáveis. Ali vislumbramos o risco. Um belo risco profundo. Não podemos desprezar os vales, não, jamais! Não estaríamos sendo justos. E os bicos, quero dizer, os picos de performance, eles precisem ser melhor avaliados pelas políticas internas. Com carinho, com mãos delicadas, para não causar um frisson além do necessário. Vejo dois picos importantes em um futuro próximo, portanto, temos de nos preparar, tomar as medidas com antecedência. Sim, nada pode sair errado. Um aperto mais efusivo e pof! A coisa toda pode explodir. Eu não gostaria que fosse artificial, mas pode ser. Hoje em dia….Portanto, muito cuidado. Eu acho que eu estou qualificado para cuidar destas massas, destes vales, destes picos.

A Diretoria, embasbacada com o discurso vigoroso, e pleno de entusiasmo, aplaudiu o Senhor Souza de pé. Com ele, a fusão seria um êxito!

Bônus é conquista, não presente

A pressa, de novo, sempre ela, e suas consequências: as conclusões apressadas. A falta de planejamento, outra das nossas pièce de resistance e suas consequências: a perda de oportunidades.
Estas duas tão nossas (do Brasil) características me ocorrem agora, lendo o que tem se falado a respeito de um conceito interessante, mas, no meu julgamento, ainda muito mal interpretado no Brasil. Trata-se do já famoso “bônus demográfico”. Cabe explicação rápida: seria a oportunidade que cada país só tem raramente ao longo dos séculos, de ter uma massa populacional economicamente ativa igual ou superior a 55%. Isto porque o numero de idosos acima de 65 anos ainda não seria tão alto, ficando abaixo de 15%, e, ao mesmo tempo, o numero de crianças com até 15 anos seria já inferior a 30%, perfazendo 45% a soma dos considerados inativos. Quando isto ocorre, os países tem excelente pré-requisitos para crescer sua riqueza. Ocorreu com a Europa Ocidental entre 1950 e o ano 2000. Começou na China em 1990 e pode durar lá até 2015. Para a índia, a expectativa é de isto ocorra entre 2010 e 2050. Já na África, a tendência é de ocorrer somente após 2050. Tudo muito natural, pelo estágio de desenvolvimento das nações, pela qualidade da saúde e pelas taxas de natalidade. E o Brasil? Bem, segundo alguns especialistas, o Brasil já estaria vivendo esta situação de alta taxa populacional em estágio de PEA (população economicamente ativa) desde o ano 2000 e ela tende a perdurar até 2040.

O problema é que nós confundimos o conceito de demografhic window com o conceito de demografhic dividend.

Senão, vejamos:

A “janela” é o que conceituamos acima. O período de tempo em que a população economicamente ativa é a maior possível. Com isso, há uma grande chance de que os países que se encontrem nesta janela, possam auferir algum benefício, crescer forte economicamente e aumentar a renda per capita. Este delta de renda derivado da janela demográfica seria o bônus demográfico (dividend).

Ocorre que, se tínhamos na Europa Ocidental entre 1950 e 2000, uma janela demográfica, também tínhamos outros pré-requisitos para o crescimento. Do Plano Marshall ao nível educacional da população, do aparato industrial sub-ocupado do pós-guerra às políticas do welfare state. Vivíamos uma sociedade ainda industrial, onde os requisitos para o crescimento eram a capacidade de produção e mão-de-obra abundantes. A janela da China está obviamente sendo aproveitada, as taxas de crescimento do país são de dois dígitos há mais de décadas. Mas a China é um caso a parte, devido ao modelo de capitalismo “estatal” que impera. Podemos nos virar para os exemplos da Coréia do Sul e dos demais “tigres”.  A Índia segue um bom caminho para aproveitar sua janela também, haja vista a base que preparou nas últimas décadas, especializando sua economia em Softwares e serviços de tecnologia em geral.

Mas e o Brasil?

Bem, nossa janela ocorre em um momento em que os elementos chaves que definem o crescimento econômico são outros. Conhecimento sendo o pré-requisito principal. E conhecimento pressupõe educação. E nossas carências em Educação são enormes, basta ver nossas resultados nas competições globais como Pisa, por exemplo. Em um artigo brilhante em uma Veja recente, Gustavo Ioschpe pergunta: “Brasil, primeira potência de iletrados?”. A resposta óbvia é: claro que não: Portanto, mãos à obra, a janela está aberta, mas nós corremos o risco de só ver o trem passar.

É isso aí,

Vou te contar…

Não há mudança sem aprendizado, não há aprendizado sem motivação.  Segue a Fábula:

Eles chegam com a voz mansa, olhares simpáticos, gestos cuidadosos, passos sutis. Não parecem atuar através da força, querem te conquistar e te fazer seguidor do que professam pelo poder do convencimento. Nunca se mostram em desavenças, nem a mais mínima, para não macular o comportamento asséptico. Não se deixariam agarrar por qualquer trocinho. Divulgam que O Método não pressupõe impor a Visão, mas sim torná-la um objetivo comum. Nobilíssimo. Espaço aberto para o uso de figuras de linguagem. Os mais belos pepetês, com veleiros singrando o mar azul, gansos em formação, a flecha na mosca. Nenhum erro. Não há espaço para nada menos que o cume.

Uma diminuta resistência, porém, está à espreita. Quando ela se manifesta, O Método responde com ação. Então eles não cumprem o que professam. Apresento-lhes a Discórdia. O manto negro do Senhor Tempo, aliado d’Eles desde o principio, rapidinho começa a se arrastar pelos corredores, ocupar todos os espaços. Trombadas com os espectros surgem a toda a hora. O negrume é tal que não há refúgio. Breu cegante, atmosfera irrespirável, sufocação constante.

Mas há uma inércia que nada move, e então urge a execução implacável do programa. O Programa. Escrito em pedra. É o credo d’Eles. Há uma força inexpugnável n´Ele que os empurra rumo ao topo. O discurso é tudo com palavras que parecem cheias de nada, ou de vácuo. Muitos dos nossos se apequenam, somem reduzidos atrás das baias, das montanhas de papel. Se fossem pisoteados não seriam menores.

Todavia, segue a resistência, resoluta. Alguns armam a defesa em barricadas improvisadas. Um Quixote com sua lança digital atua no email, propagado com precisão. No café, trincheira ideal, vários minúsculos Brancaleones discutem o próximo plano infalível, que será obviamente dizimado com dois slides. A sala de reunião do canto, no último andar,  ao lado do data-center é o QG. Lá vemos nosso Pirro, pensando a sua estratégia final devastadora, mas também suicida, enquanto admira a chuva gotejando a janela, sua micro-conspiração abafada pelo ruído dos poderosos refrigeradores de dados.

Os Tolos Generais defendem o impossível, mas é o mínimo que podem fazer. No último andar, a Invencível Armada já está se aprontando para mais um Comunicado Oficial, que navegará virtualmente, mas tão solene quanto a própria Tábua de Moisés. É imperativo, pois da discórdia para a dissonância total a linha é um tico. Do fundo das crenças, nossos tacanhos Generais sacam uma última arma, já com os flancos desguarnecidos. É ínfima, ridícula, sôfrega, mas se pudesse ser dita literalmente sairia forte, máscula, soberba: “A hipocrisia não é válida como ferramenta, portanto como crer na excelência por uma via tão torpe”?
Ao que a Armada não pode responder, não porque não quer, mas porque o Método diz para jamais se curvar diante do reles inimigo. E sabe o que Eles fazem quando não há respostas? Quando não podem vencer pelo argumento? Citam. Todos os Grandes vêem em auxilio do Método. O Programa está salvo.

Mas os Quixotes e  Brancaleones nunca desistem. Armam às escondidas o próximo movimento sincronizado da revolta silenciosa. Pirro, porém, sempre ganhará, mas o que terá para comemorar? Onde está a Mudança?

Cash is King. E a Estratégia, é o que?

Em momentos de crise aguda, surfando a rampa de descida do V, como foi para muitas empresas o final de 2008 e o primeiro semestre de 2009, assegurar a sobrevivência era tudo o que importava. Nestes casos, o cash management assume a dianteira e passa a ser prioridade absoluta. Toda a cadeia de valor tem de ser revisitada para a busca de oportunidades de geração de recursos. Prazos de pagamento, postergação de gastos, redução de despesas em geral passa a ser a tônica. Entramos na gestão do Urgente. Estes dias vi um depoimento de Luíza Trajano, onde ela dizia: “Para atravessar ilesos a crise, coloquei o fluxo de caixa no bolso e guardei a chave”. É o normal.

Mas as empresas precisam ter a consciência de que na fase da subida, a Estratégia é que manda. O Urgente sempre tem de ser feito, não há dúvida, mas não podemos passar muito tempo sem dar atenção àquilo que é Importante. E às vezes, no que se refere à gestão de caixa, o Importante entra em conflito com o Urgente.

O Urgente assegura a sobrevivência, mas não a permanência. A Permanência, ou sustentabilidade, como queiram, é assegura por uma ótima Estratégia, bem feita, criadora de vantagem competitiva, e bem executada.

Em 2010, para muitas Indústrias, é a volta do crescimento, do aquecimento da demanda, é hora de desengavetar planos de expansão. É, acima de tudo, hora de olharmos atentamente para a Estratégia, para as alavancas de valor, que, vejam só, vão se configurar nos instrumentos de garantia de fluxos (de caixa) futuros. Não há crescimento sem investimento, não há crescimento com melhoria de caixa no curto prazo, salvo em raríssimas exceções, e em nichos de mercado específicos. Segue aqui um exemplo da HP, veja o que diz a CFO mundial do grupo, quando perguntada sobre o balanço entre eficiência e crescimento:

Cathie Lesjak: Getting your cost structure right is the enabler to growth, so we’ll always be focused on both cost initiatives and growth. In 2010, we are definitely taking additional cost actions because we’re always going to do that, but we’re also making more significant investments to cover our total addressable market.

Cash is King. Mas a Estratégia é o Primeiro Ministro: Nas monarquias mais consolidadas, o Rei tem lá sua influência, mas o poder também está com o Primeiro Ministro.

É ou não é?

11º Congresso de Compras

Em 27.01 darei uma contribuição no já tradicional congresso de compras do IBC. Como sempre, espero poder levantar alguns questionamentos aos participantes, através de uma abordagem criativa sobre a inserção de Compras na Estratégia. O evento está recheado de palestras interessantes para os profissionais da área e para gestores em geral. Maiores detalhes aqui.

É isso aí,