Top 5 James Bond songs ever (no, Adele is not part of it) / As melhores músicas de James Bond (não deu, Adele)

5. Diamonds are Forever. No início da série, Shirley Bassey emplacou três canções. As outras duas também são interessantes (Goldfinger e Moonracker), mas esta, com esta letra, deixa as demais para trás. Um golaço.

4. License to Kill. Um hit pop, o vozeirão de Gladys Knight e a orquestra. Puro Bond.

3. Live and Let Die. Tida por muitos como a melhor de todas, com Sir Paul McCartney e The Wings. Eu quase concordo.

2. If There Was a Man. A surpresa da lista, pois esta é uma música secundária do filme “The Living Daylights”, que rola nos créditos finais. Os Pretenders e a voz incrível de Chrissie Hynde arrassaram. Bond também ama.

1. Nobody Does it Better. Carly Simon e a essência de Bond. Minha favorita.

Argo: Filme-Mentira, Cinema de Verdade

Ben Affleck realiza uma façanha com este filme, e bastam os primeiros minutos para que você entenda isso e mergulhe com tudo na proposta que ele nos faz. A reprodução da invasão da embaixada americana em Teerã em 1979, alavancada pela fúria dos revolucionários islâmicos contra a decisão dos EUA de não extraditar o xá Reza Pahlevi de volta ao Irã é feita com esmero jornalístico e amplo domínio dos movimentos dos atores, música e belíssimo jogo de câmera. E o melhor é que cada nova tomada justifica-se, o timing é ótimo ao longo de toda a película até o final, um tanto espetacular, mas ainda assim, muito satisfatório.

O filme é baseado em uma estória real, revelada ao mundo em 1997, sobre como a CIA resolveu resgatar 6 funcionários que haviam escapado da embaixada momentos antes de ela ser completamente tomada pelos adeptos de Khomeini, refugiando-se na casa do embaixador canadense. A princípio alicerçada em uma ideia estapafúrdia, de simular a filmagem de um roteiro de ficção cientifica (o tal ARGO), as engrenagens da aliança CIA-hollywood-Canadá acabam por viabilizar o projeto, e Affleck, também o protagonista, lança-se no meio do caos para fazer a exfiltração dos 6 americanos. A dimensão da dificuldade da operação é dada por Affleck, ao comentar sobre a empreitada com os chefões da Agência de inteligência: “exfiltrações são como abortos. Você não quer ter de fazer um, mas se for preciso, não vai querer fazer você mesmo”

O agente de Affleck, Tony Mendes, não é Bond. Não há glamour, há apenas um trabalho a ser feito.  Mendes sofre, tem medo e, pior de tudo, depende muito de seus 6 alvos para também sair ileso do Irã. Toda esta tensão é muito bem retratada no filme, mas contrabalançada com mestria nas cenas onde Hollywood é pano de fundo, especialmente pelas participações geniais de John Goodman e Alan Arkin, como os que são engajados pela CIA para “produzir” o não-filme Argo. As frases lapidares que são proferidas pela personagem de Goodman são um ótimo exemplo de como Hollywood sabe fazer piada de si mesma.

Argo é no todo uma bela produção, que aparece muito bem cotada para a temporada de premiações que se aproxima.

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Skyfall e A Sociedade dos Heróis Mortos

Quando tudo vira só uma tênue esperança, é usual nos agarramos ao inesperado, ao mágico, ao sobrenatural. E aos heróis, sejam eles precedidos ou não do prefixo super. Estamos talhados para isso desde nossos primórdios, é nossa formação. A capacidade Humana de gerar inovações neste novo Milênio só parece poder ser superada para nossa igualmente voraz capacidade de gerar crises, cataclismos e catástrofes. E não importa que cada vez mais saibamos mais sobre tudo. O problema é que o Tudo insiste em se expandir inconteste, gerando novos problemas, estes ainda mais complexos que os anteriores, atingindo fronteiras antes impensáveis. Ok, achamos o Bóson de Higgins, e agora?

Como ensinou Jean Monnet, “só aceitamos a mudança na necessidade e só vemos a necessidade na crise”. A crise está por toda parte e, conseqüência natural, as mudanças que ela causa. A nova moda é a descrença na crença. Assolados pelas inúmeras catástrofes, exógenas ou auto impostas, passamos a  duvidar de nossa própria imaginação e potencial de resposta.  A Humanidade poucas vezes teve tantas possibilidades de dar errado como Raça. Colapso climático, superpulação, choque de asteróides, falta de água, hecatombe nuclear, mega-giga-tera bactérias, terrorismo desenfreado, explosão zumbi, you name it. Parece não haver saída. 

O Homem, então, revisita seus símbolos e se questiona se sairá vivo desta. Há um fortíssimo núcleo de desesperançados correndo solto por aí, tomando de assalto a liderança e provocando a mudança. No cinema, eles fazem nossos heróis sucumbir inapelavelmente.

Webb já havia humanizado o Homem-Aranha e Chris Nolan matou Batman sem dó nem piedade, transformando-o em um impotente contra o Mal avassalador que vem das Sombras. O último Batman de sua trilogia é um inflamado discurso nesta direção. Batman tenta, ressurge depois de oito anos na obscuridade, mas é cada menos o Salvador. É estoico, mas sabe que é falível. E as sombras penetraram fundo na alma de Gotham.

As mesmas sombras estão muito presentes em Skyfall, a 23ª aventura de James Bond, onde Sam Mendes assume o papel de iconoclasta da vez.  O inimigo vem de dentro do próprio MI-6, bastião da honra e da retidão. Não há escapatória. Tanto que M, papel de Judi Dench, a certa altura da trama, revela: “não sabemos quem são nossos inimigos, eles estão nas Sombras. Vocês se sentem seguros?”

Bond não se sente. Sucumbe. Daniel Craig é o Bond mais viril, truculento e carismático, ombreando Sean Connery, sem dúvida alguma. Mas Mendes descaracteriza o herói por completo, tirando-lhe mulheres, gadgets e os martinis, e lhe entregando um efeminado Javier Bardem como alvo. Bardem longe de seu melhor, aliás. E mesmo este Bond viril ao extremo não termina bem suas lutas. Não finaliza com precisão, hesita, erra. Quem é Bond agora? Um Highlander dos grotões da Escócia, defendendo a mãezinha, ajudado por um menino imberbe. O Mito cai. Bond é um Humano comum.

O filme é instigante e tem todos os méritos ao repensar o personagem, um dos mais emblemáticos e longevos da indústria do entretenimento. O Mundo sem Esperança precisava de um novo tipo de Bond. Mendes, Sam Mendes faz o serviço e entrega este Bond duro, leal e rude. Sua grande estratégia é o constrate com o Bond idealizado. Em uma cena emblemática, os espectros de Bond e um de seus algozes lutam com um grande telão do assombroso skyline de Shanghai como pano de fundo. O brilhante mundo novo com velhos heróis foscos a lhe fazer apenas sombra.

Bond, James Bond. Fui um bom herói, mas não sirvo para os novos tempos. Estou envelhecendo. Falho como qualquer outro. Preciso de muita  ajuda para o combate e de trapaças para voltar à ativa.

A tela flui rápida e duas horas e vinte minutos depois a sensação é agradável, todos entregam muito, o filme tem elenco e não apenas Craig. Ralph Fiennes parece ser uma ótima aquisição para a série.

Mendes inova muito. Q encontra Bond diante de uma tela de Turner e faz M, de novo, ter o momento mais ímpar do filme, ao recitar Tennyson e resumir tudo (embora ainda deixando uma última gota de esperança):

We are not now that strength which in old days

Moved earth and heaven; that which we are, we are;

One equal temper of heroic hearts,

Made weak by time and fate, but strong in will

To strive, to seek, to find, and not to yield.

Será?

Nosso heróis ainda não morrem de overdose, mas falta pouco.

A versão extendida da Trilogia Millennium / Dragon Tattoo Trilogy extended version

A TV brasileira neste momento promove a série Millennium amplamente, colocando no ar em vários horários os três filmes (estamos falando dos originais suecos). O que nem todos sabem é que a filmagem baseia-se no que foi originalmente concebido para ser uma série de TV, em seis capítulos. Este série faz tempo foi lançada na Europa e nos USA com o título Millennium Trilogy, ou Dragon Tattoo Trilogy – Extended Edition, com algo como 9 horas no total, quase 1 hora a mais por filme em relação ao que vimos no cinema. Para os fãs de Stieg Larsson, este formato é o que mais permite explorar todas as facetas da obra do autor. Os temas paralelos da trama são aprofundados, o que nas versões editadas para a telona não se mostrou viável. A intrincada investigação policial, por exemplo, tem muito mais consistência nesta versão mais longa. E, vale o aviso, a versão não fica enfadonha em nenhum momento. Em resumo, é obrigatório para os fanáticos de carteirinha por Larsson e Lisbeth, mas ao mesmo tempo é uma boa pedida até para quem não leu os livros. E sigo com minha opinião: Hollywood deveria ficar fora desta. O suecos não se deixaram levar apenas pelo potencial mainstream da literatura de Stieg, eles souberam preservar as (importantes) parcelas de crítica social, de costumes e empinaram altíssimo todas as bandeiras do autor. Um show. A Sony ainda estuda se vai seguir com o projeto e colocar os volumes dois e três para rodar, já que Girl With the Dragon Tattoo mal e porcamente cobriu os custos de produção. Não se preocupem. Tudo o que podia ser extraído do material que Larsson deixou já foi contado.

Brazilian cable TV promotes right now the Millennium Trilogy, exhibiting its three motion pictures, from the original swedish. But what is unknown to major part of the public is that the films were originally conceived as a TV series, with more than 9 hours in total, which makes more or less 3 hours more of filming than what was released  to be shown at the cinemas. For Stieg Larsson’s fans, this extended format is the most suitable one, the one which allows a in-depth dive on the author´s various subtopics. Not to mention that the additional three hours were well used, (do not worry, this version, despite its lenght, never gets boring) giving chance to the stories around the two main characters and exploring in a much better and consistent way the intricate investigation that is the core of the whole thing.  In a nutshell, that is a must see for the fans, but at the same time, even for those who haven’t read the books, a very good entertainment. Hollywood should have stayed out of this. The Swedish have taken a road less travelled, far from the mainstream, and explored perfectly Stieg’s concerns over the state of the society he was living within. A masterpiece. It is still unclear whether Sony will follow shooting the next two parts of the trilogy. It does not matter. All that could or should have been said about the Millennium Trilogy is already at our disposal.

Crítica do cinema francês – Intocáveis / Intouchables

Embora na mesma cidade, eles eram completamente diferentes e o encontro entre ambos, quase impossível. Um, podre de rico, branco, cercado de todas as regalias, vivendo dentro de uma bolha protetora contra toda e qualquer imundície do mundo real lá fora. Apenas um problema, ele é tetraplégico. Outro, podre de pobre, negro, cercado de todas as imundícies do mundo real, sua única bolha protetora é via o escapismo da droga. Mas de repente todos os tais seis degraus de separação vão se fusionando na tela à sua frente. Todas as intrincadas peças do mecanismo do Acaso se movem para criar uma conjunção inusitada. O encontro se dá. O improvável está diante do inesperado. O que nunca poderia acontecer, surge. Eles se cruzam, convivem, se tocam. Muito. Intocável é o que não existe. O resto tudo é muito tocável. E você vai rir e chorar. Não necessariamente nesta ordem e menos ainda de forma organizada. Todas as emoções vão se embaralhar em você, como cartas jogadas a esmo.  O momento de tensão vira piada. O escracho quer te dizer alguma coisa, e o aperto no peito é para te dar centro.

É bom ficar de olho em Toledano / Nakache. Os caras já fizeram alguns filmes juntos e parecem sólidos. Na trilha dos Coen. François Cluzet renasce esplêndido, merecidamente. E Omar Sy é brilhante, para dizer o mínimo. Você vai se lembrar de O escafandro e a borboleta, igualmente baseado em uma história real e com um personagem principal fisicamente incapacitado. Mas este Intocáveis atinge um patamar superior. Talvez por dar mais leveza, por não sentir pena em nenhum momento. Philippe mesmo afirma que não quer compaixão. Philippe paga por serviços e só.

Muitos qualificam o filme como comédia. Para mim este filme é essencialmente a vitória do Humano. Emoção do primeiro ao último pedaço de celulóide. O que é intocável é aquilo que a nossa cegueira nos impede de ver à nossa frente, aquilo que a nossa insensibilidade tenta esconder. E como dizem os ingleses, stay in touch. É isso que faz a diferença. Ainda há esperança. Toque de gênio.

13 filmes imperdíveis para este restinho de ano

Meus caros, olho vivo que já tem gente planejando a ceia de Natal. Fica aqui a minha lista de 13 prioridades para os cinéfilos de plantão. Isto não é um ranking, por isso todos os filmes são precedidos do número 1. Mas a lista segue mais oou menos a ordem prevista para a estréia no Brasil.

  1. Carnage (Deus da Carnificina)

De Polanksi, com elenco bárbaro. O homem continua bem, sarcástico ao máximo. Ghost Writer provou.

  1. The Mill and the Cross (O Moinho e a Cruz)

Verei por interesse artístico. Baseado na tela abaixo Brugel, tal como já foi feito com A garota do brinco de pérola, de Vermeer.

  1. On the road – Na Estrada

Waltinho não levou prêmio mas seu filme sobre a obra “infilmável de Kerouac arrasou em Cannes. Beatnicks, uni-vos!

  1. Prometheus

Em Imax. Ridley Scott, o homem que quer fazer uma sequência para Blade Runner. Vamos ver como ele se saiu na prequel de Alien. Pelamordedeus!

  1. Dark shadows (Sombras da Noite)

Burton. Será que ele já sarou, depois de ter caído na toca do Coelho Maluco?

  1. Fausto

incrível versão da lenda de Goethe. Incrível como já remarcaram a estréia deste filme. Leão de Ouro em Veneza 2011. Não garanto que saia este ano.

  1. To Rome with Love ( Para Roma com Amor)

Allen. Ponto.

  1. Dark Knight rises ( Batman, O Cavaleiro das trevas ressurge)

o último Batman. Bale. Nolan com alguns dos vícios de Inception , mas e daí?

  1. Somos tão jovens

Este é o ano Legião.

        1. Skyfall (Operação Skyfall)

Bond. certas coisa não envelhecem.

        1. Frankenweenie

Burton. Já totalmente curado, com certeza.

         1. Gambit

com roteiro dos irmãos Coen. Detalhes aqui.

         1. The Hobbit

My precious.

Março: Sampa calling e é melhor ouvir

 

De 1 a 25  > show do Chico Buarque. Ouvir Sinhá ao vivo.

Dia 2 > Estréia ‘Drive”. Ouvir Cinema

A partir do dia 5 > Restaurant Week. Ouvir as papilas gustativas pulando de alegria.

Dia 8 > Santos vs Inter na Libertadores. Ouvir a galera delirar com DaDaDaDa. (Para quem não sabe ainda, Damião, Dagoberto, D’alessandro e Dátolo)

Dias 8, 9 e 10 > estréia OSESP com Marin Alsop. Ouvir e sonhar.

A partir do dia 9 > Vale tudo, o musical. Ouvir o Tim Maia, como se ele estivesse ali.

Dia 17 > Maria Rita canta Elis no Ibirapuera, de graça. Ouvir a filha da mãe cantando a mãe.

A partir do dia 17 > o musical Priscilla, a Rainha do Deserto, com as músicas na versão original. Ouvir e Rir.

Dia 25 >show Credence Clearwater Revisited. Ouvir e achar que o mundo voltou para trás.

Dia 26 > Exposição Alberto Giacometti, no MASP. Ouvir o bronze estalando, as exíguas figuras como que querendo sair andando.

Dia 29 > Show Joe Cocker. Ouvir, se ele ainda tiver voz.