Inspirada por Lenine, para o Brasil

se está ruim, arrume,

se saiu do rumo, aprume,

se caducou, renove,

se deteriorou, inove.

se desgovernou, endireite,

se complicou, ajeite,

se se perdeu, engaje,

se mal armou, desmanche,

se perdeu, revanche,

se mixou, engaje,

se furou, emende,

se é crise, gere,

se é o país, lidere!

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Inovo, logo crio o que existe.

Fiz este texto para homenagear a um amigo e colega. Mas preciso dividir com todos vocês.

Motivados pelo Novo, seguimos o caminho como Veículos do Inexistente. Esperançosos virais de hipóteses a serem comprovadas. Instigadores do inédito. Rejeitamos a acomodação, refutamos crer que não se possa fazer melhor, quer pelo simplesmente diferente, quer através do inusitado. Adoramos respostas que abrem mais perguntas, como a luz passando pelo prisma e abrindo mais alternativas. Olhamos o passado para apreender, mas mais ainda, cerramos os olhos para tentar enxergar o que está além do horizonte. Escutamos a voz da experiência, mas aguçamos nossos ouvidos de vez para um som cujo timbre só o mais profundo silêncio pode nos permitir escutar: a voz interior que nos impele a fazer o que ainda não foi tentado. Sentimos na pele todas as coisas boas e também todas as agruras, mas nos arrepiamos mesmo é com o frisson das perspectivas do que ainda não pode ser tocado. O mau cheiro daquilo que fenece, que se vai, não nos incomoda porque sabemos que logo, logo o que recém floresce trará aromas indescritíveis. E, mesmo que tenhamos tido que engolir alguns indigestos sapões ao longo da luta, seu gosto arrefece diante do que realmente nos faz salivar.

A Inovação como Norte não é como agarrar-se a uma tábua de salvação, ou a uma Esperança apenas alicerçada na Fé. Tábuas de salvação e Esperança estão para os que se deixam levar, para os apóstolos do Acaso, do fortuito, dos Deterministas. A Inovação como Norte é terra de bravos, dos destemidos, dos que moldam a sinapses o que virá, o que será, o que iluminará. Há algum espaço para improviso, e os erros são partes do acerto maior. Mas, finalmente, o que garante o êxito da empreitada é este meu, teu, nosso Indomável Espírito do Buscador.

Brasil – um desabafo

Brasil, bonito por natureza. Incompetente por má gestão.

Brasil, abençoado por Deus. Endemoniado por governantes ridículos, corruptos e afins.

Brasil, em fevereiro tem carnaval. E tem mortes por enxurradas, pau, pedra, tudo no caminho.

Brasil, a pátria de chuteiras. E de sinalizadores, soco inglês e tacos de paus.

Brasil, onde tudo que se planta cresce. E onde tudo que se constrói desaba, principalmente marquises de prédios públicos.

Brasil, olha que coisa mais linda, mais cheia de fumaça, é ele menino, que vem e que fuma crack.

Brasil, gigante pela própria natureza, continente a caminhar. É só o que resta, caminhar, dada nossa infraestrutura logística.

Brasil, lindo e trigueiro, grande pátria desimportante, terra boa e gostosa, sujeira para todo o lado, mostra a tua cara e me diz qual o futuro da nação?

Brasil, ame-o ou deixe-o. Agora, consertar não é opção, não pode?

O Brazil é o novo Brasil?

O final de semana era de decisões nas Olimpíadas. Tudo mundo dava seu pitaco. Tudo mundo errou. Eu não dei pitaco e não errei nenhum prognóstico, rá!

Daí eu vou assistir o show da Maria Rita cantando Elis Regina e me deparo com aquela música, Querelas do Brasil, entre outras pérolas. Tudo o mais é decorrência.

O Brazil não conhece o Brasil. Nem o Brasil conhece o Brasil. Nas Olimpíadas menos ainda. Ganhamos o que não sabíamos que podíamos ganhar. Perdemos o que acreditávamos barbada. O auto-conhecimento é a chave do sucesso. Quem não conhece a si mesmo, não faz idéia de onde pode chegar, menos ainda sabe o que tem de fazer para melhorar. O Brasil não sabe o que é o Brasil. Ruma, portanto, a esmo, para lugar nenhum.

O Brasil nunca foi ao Brazil. Hoje o Brasil deita e rola no Brazil. E se acha. Daqui a pouco o Brazil vai começar a reclamar que sofre bullying do Brasil. É que só está lá por tamanho. Parece mesmo que quer se impor por força, e não por competência. Qualquer ranking de competência deixa o Brasil no chinelo, vide nossas performances em Educação, em Inovação ou Ambiente de Negócios. Urgh! Agora, ultimamente o Brazil também vem muito ao Brasil. E se espanta. O espanto mais bacana da última semana é o da Forbes sobre o preço dos carros por estas bandas.

O Brazil não merece o Brasil. Ecos de uma postura totalmente anti-globalizada, anti-participativa, anti-tudo, que era a cara do Brasil pseudo-intelectualizado. Na verdade, o Brasil quer porque quer pertencer ao Brazil, o Brasil quer ser o Brazil.
O Brazil está matando o Brasil. Falso corolário da frase anterior. O Brazil cansou de jogar bóia para cá, para o Brasil. Agora este Brasil lindo e trigueiro acha que pode jogar bóias para os outros. Na verdade, é o Brasil que está matando o Brasil. Ora, joguem bóia primeiro nas nossas mazelas, criem um país direito. Mas se deixar, o Brasil também pode faz um estrago considerável no Brazil.

Do Brasil, SoS ao Brasil. É isso aí. Ponto.

7 Bardagens Organizacionais

  1. Quando der, não tiro só um sabático. Vou tratar de tirar um domingático junto.
  2. A solidão no pico é melhor que a multidão no vale. Mas bom mesmo é ser carregado do vale ao pico pela multidão. E se você cair, que eles estejam lá embaixo para te agarrar.
  3. Sou o “cara” que está atrás do cara, atrás do cara, atrás do cara, atrás do cara. Quando eu descobrir quem são estes quatro na minha frente, aí fica fácil.
  4. Cúmulo da produtividade: antecipe que aquilo que você iria fazer não daria em nada mesmo, portanto, não faça nada e obtenha o mesmo resultado.
  5. Sabemos que é loucura fazer as coisas sempre do mesmo jeito e esperar resultados diferentes. Agora, o ápice da idiotice é não fazer absolutamente NADA e querer resultados, qualquer resultado.
  6. A inovação não é pérola e sim diamante. Não sai pronta de dentro de um só, sai inacabada e precisa ser lapidada por muitos.
  7.  O sucesso é 99% provável, desde que o outro 1% contente-se em ser altamente improvável.

Fui ao Futuro e não gostei

A moda agora é falar que o Brasil não é mais o país do futuro. Nosso tão aguardado futuro teria chegado. Agora é se desfrutar, correr para o abraço. O mundo se curva diante do gigante recém acordado do Sul.

Será?  

Pois eu olhei, vasculhei, e não vi futuro algum.  

Todas as mazelas sociais estão aí para se ver. Desnecessário listar o descalabro geral, mas cito apenas um dado incrível: apenas 55,4% dos 57,3 milhões de domicílios estavam ligados à rede geral de esgoto em 2011. Então alô classe média emergente: as vossas novas babás paraguaias ficarão doentes também.

Não resolvemos nenhum dos problemas crônicos nacionais. Não fizemos nenhuma reforma (política, fiscal, previdenciária), não solucionamos nada. Apenas fomos capazes de eliminar a aberração da hiperinflação e colocar a locomotiva nos trilhos minimamente alinhados para crescer de maneira mais constante e firme. Isso equivale a entrar no jardim de infância sendo que o objetivo é fazer uma graduação em nível superior. E os 2,7% do crescimento do PIB ano passado já põe bastante em dúvida nossa capacidade de sequer sermos alfabetizados, digamos assim.

Crescimento este longe de ser sustentável. Fica muito abaixo do potencial, pois temos os mais incríveis gargalos de infra-estrutura. Aeroportos-lixo, portos ineficientes, estradas-buraco, obras intermináveis e burras. Não temos política industrial e em nossa pauta de exportação, oito produtos geram metade da receita. O nível de globalização de nossa economia é baixíssimo e mal as importações aumentam um pouquinho, lá veem medidas protecionistas.

Todo verão os mesmos desastres naturais são causados sempre por chuvas “nunca vistas neste país” e nunca por falta de planejamento, isto sim algo “nunca visto neste país”.

Em pouco tempo, a janela demográfica vai acabar e teremos de confrontar o fato de que por volta de 2030 cada trabalhador na ativa terá de financiar 1 aposentado. Na década de 70 eram 4 para cada 1, hoje já são  menos de 2.

Na educação, não saímos dos últimos lugares no PISA, com qualquer outro paiseco, com o perdão do trocadilho, pisando na nossa cabeça.

Insistimos em não querer aprender com ninguém. Repudiamos os modelos de êxito, sejam asiáticos, europeus, africanos, sempre queremos criar as nossas jabuticabas, as nossas tomadas genuinamente nacionais. Continuamos atravancando exemplarmente qualquer iniciativa empreendedora, seja por impostos, seja por burocracia. Nos últimos 30 anos fomos ultrapassados por Coréia do Sul e outros países em diversos quesitos. Ficamos como uma carroça à beira da estrada olhando os bólidos passar. Para quais países perderemos a corrida nos próximos 20 / 30 anos? Romênia, Bulgária, Cazaquistão, Bósnia? (Ops, todos estes já tem melhor IDH que o Brasil). E lá vem o vietnã, logo alí atrás, dobrando a curva já e nos colocando na alça de mira…

Para terminar, como mudar? Não sei. Só sei que é preciso haver vontade e determinação. Elevar a capacidade de planejamento, alterar prioridades, privilegiar a inovação. Tudo isso pressupõe que pessoas capazes e altruístas estejam à frente do processo, liderando a sociedade. Na democracia, isso se chama votar certo. Cobrar os eleitos e penalizar culpados.

Eu sempre aprendi que futuro é consequência de atos que já ocorreram no passado e dos que estão ocorrendo no presente. Futuro não cai do ceú, é construído. Portanto, vamos parar de acreditar nesta bobagem de futuro que já está aí e mãos à obra!

Goodbye Yellow BRIC Road, ou O que eu aprendi sobre a China

Vejo muitas discussões rasteiras, bidimensionais, sobre diferenças entre Brasil e China. Muitos falam que um sistema não democrático facilita a tomada de decisões e consequentemente funciona como alavancador da velocidade com que a China ganha espaço. Outros dizem que é a apatia dos chineses, que tudo acatam sem pestanejar o que realmente destrava o país. Nada disso me convence. O que precisamos definitivamente apreender é que obstinação não depende de regime político, nem qualidade das instituições ou qualquer de outro falso argumento para justificar porque o entre a Grande Muralha e o Himalaia existe tanta “acabativa”.

O que move a China, e a faz tão apta a exercer o domínio no novo milênio, são suas pessoas. E estas são ordeiras, disciplinadas, obstinadas e que sabem que o esforço individual ao fim e ao cabo é a mola propulsora do progresso. E eles estão aplicando esta firmeza de caráter para estudar, estudar mais ainda e ainda aprofundar-se nos estudos. Veja aqui a reportagem de Gustavo Ioschpe sobre a educação na China que ilustra isso sobremaneira.

A estrada de tijolos amarelos terá de achar outra cor. Minha aposta é que ele vai empalidecer de vez. É difícil ela ganhar os tons pardos dos ursos da velha Rússia ou mesmo os tons da mulatice indiana. Ambos os países carecem de instituições sólidas para ditar o crescimento sustentável. O enorme arco-íris brasileiro que tudo comporta infelizmente não tem a capacidade de planejmento que é indispensável para ditar o ritmo desta marcha. E os amarelinhos do Império do Meio vão para outra divisão logo, logo. Mais acima, muito mais acima.

Resiliência, obstinação, caráter, disciplina e objetivos claros nunca fizeram mal a ninguém.