Game of Thrones – Impressões da 2a Temporada

Impossível não pensar em Sísifo. A primeira e a segunda temporadas de GoT me pareceram um grande esforço montanha acima, cujo ápice nunca chega. Não existem respostas, não existem soluções, apenas um crescendo que promete, promete, mas não entrega. Como não li os livros de George R.R. Martin, não sei dizer se isto vem de lá, ou se é coisa da HBO. O fato é que queremos desesperadamente ver o cume!

Prova de que as qualidades desta produção superam em muito este reles desejo de finalizar as coisas. As grandes histórias na verdade nunca terminam.  Belas performances de muitas das personagens, principalmente Peter Dinklage, como o hábil meio-homem e estrategista por inteiro e de Theon (Alfie Allen), cujo semblante de alucinado é apropriadíssimo para o seu papel de guerreiro sem guerra. A brutamontes Brienne é uma grata surpresa, no meio de tantas mulheres que só tem o corpo para mostrar e nenhum talento.

E o reizinho Joffrey (Jack Gleeson) , por mais asqueroso, merece nosso aplauso. Ele consegue ser unânime no quesito ódio absoluto. O venal Littlefinger (Aidan Gillen) também é soberbo em seu papel bestial.

A mistura, ainda que tímida de fantasia alucinante com Idade Média está funcionando bem. O final desta segunda temporada deixa a entender que a terceira parte será bem mais equilibrada neste aspecto. O que antes era apenas insinuado agora ficou explícito.

A luta por Westeros deve continuar a todo vapor. Nem mesmo o derrotado Stannis deve ser considerado carta fora do baralho na luta pelo Trono de Ferro. Os Stark parecem levar a preferência, afinal são os mais normais entre todos. Os Lannisters primam por serem todos detestáveis, exceto o anão. Não deve sobrar um sequer vivo. Theon e sua irmã parecem ter poucas chances, apesar da bravura. E ela, a dos dragões, correu por fora e parece agora mais bem posicionada para reivindicar sua herança. Meu voto vai para a esta The Girl with the Real Dragons.

Game of Thrones é uma ótima pedida. O esmero da HBO em cima de uma obra consistente resulta neste querer mais da platéia. Agora resta esperar a próxima leva de episódios (2013). E que a pedra não role montanha abaixo.

Winter is coming to stay.

Como Foi Pensada a Primeira Temporada de Game of Thrones

WonderCon 2011 - HBO's Game of Thrones booth
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Não li o livro. Talvez isso me condicione um pouco ao fazer esta rápida análise do que vi na TV. Mas creio que também me credencia a olhar de forma mais isenta para esta série sem estar tão emocionalmente ligado, o que às vezes gera uma coisa meio tendenciosa. Então, para mim a primeira temporada de Game of Thrones bem que poderia ter sido pensada mais ou menos assim:

1. “vamos criar um primeiro capítulo muito promissor, cenas fortes e uma cena final de lascar. Depois podemos deixar a trama amornar, o pessoal vai ficar ligado esperando que tudo engrene de novo. Acho que com isso, temos uns 6 ou 7 episódios onde podemos enrolar e não mostrar nada, largar mesmo, e deixar sem emoção”

2. “tá bom, creio que apenas precisamos assegurar que eles odeiem os Lannisters e adorem os Starks, mas sem arroubos. Com isso garantido, podemos até ter uns erros de continuísmo, de lógica, de tudo”.

3. “certo. E abusamos das cenas de sexo e expomos corpos nus à revelia, mesmo sem ter nada a ver com o contexto.”

4. ” mas não podemos deixar de retomar as rédeas nos últimos dois episódios (9 e 10), fazendo algumas reviravoltas”

5. (spoiler) “vamos matar o mocinho!”

6. “E anunciar a volta da Magia, que depois de tão anunciada no primeiro capítulo, temos de aproveitar melhor ”

7. “certo. E é bom lembrar que contamos com alguns bons atores que seguram a onda e fazem o público seguir insistindo, como por exemplo, o Half-Man Peter Dinklage

8. “importante deixar ótimos ganchos para a segunda temporada, onde aí sim ou engrena de vez ou perdemos tudo”. Viramos mais um “Flash Forward” .

9. “isso não! Tá certo que não seremos Roma, onde aí sim a HBO mandou bem, mas “Flash Forward”, isso seria muito fracasso.

10. “é isso aí”.

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Filosofando com Flash Forward

Nunca vi Lost. Nem um capitulozinho. Foi na época em que eu estava dedicado a outras coisas. A última série de ficção que me lembro é Arquivo X. Ou seja, talvez minhas referências estejam um pouco defasadas. Mas que a nova série da AXN é daquelas coisas que fazem sacudir a cachola, ah isso é. Além de muito bem produzida, e com um ótimo time de atores, ela tem aquele algo mais que a coloca em um outro nível. Para mim, é uma grande sacada propor este argumento da “visão coletiva do futuro”. Gradativamente, os personagens estão incorporando a angústia, desconhecida na espécie humana, de saber o seu futuro, ainda que na série, até o momento, este futuro conhecido seja só um momento, um dia daqui a alguns meses. Mas habilmente os roteiros estão desencadeando uma sequência de eventos que vão confirmando a tal visão.

Essa é a parte que me interessa mais, quando a ficção possibilita uma reflexão da condição humana. Então vamos lá:

E como seria, se soubéssemos o nosso futuro? Ainda que fosse um ínfimo momento? No terceiro episódio, exibido em 9 de março, finalmente aparecem os primeiros questionamentos sobre este fato.

O ser humano é o único ser consciente da sua finitude, mas vivemos a vida como se ela nunca fosse acabar, exatamente como os outros animais, que supostamente não sabem que vão morrer, não é mesmo? O inevitável não pode ser combatido. E se tivéssemos consciencia de que sofreríamos um acidente, estivéssemos condenados a ter uma doença grave, ou nos inteirássemos de que iríamos ganhar na loteria, trataríamos da mesma maneira?

Intrigante, não?

Opino que o curso das coisas seria alterado pelas ações que seriam desencadeadas, as quais não faríamos se não soubéssemos do tal “futuro”. E, portanto, aquele futuro esperado já não ocorerria mais….O Destino não seria o que vimos, mas outra coisa. O que vimos então seria reduzido a um simples sonho, como qualquer outro. Pense: o que você faria se soubesse que seria demitido de seu emprego, por exemplo? Provavelmente se esforçaria mais e acabaria não sendo demitido. E se soubesse que desenvolveria uma doença a partir do sedentarismo? Provavelmente agiria para mudar o curso das coisas antes que fosse tarde demais.
E se fosse algo bom, como ganhar na loteria? Provavelmente ficaria tão eufórico que comprometeria todo o prêmio antes mesmo de ganhá-lo, tornando-o irrelevante.
Não há futuro sem as ações que ocorreram no passado e as que ocorrem no presente. O futuro é construído, não nos é dado de brinde. Nós o influenciamos. É como diz o personagem de Joseph Fiennes, no episódio 4:

“Podemos usar o que vimos para impedir o que vimos”

É isso aí,

HBO Rome

Aproveitando a onda de promoções para séries de TV, acabei finalmente assistindo a Roma, super produção da HBO de alguns anos atrás. Emendei as duas temporadas. O que achei? Bem, é um must, sem dúvida, ainda que a segunda temporada seja menos eficiente ao prender a atenção do espectador ao longo dos seus 10 capítulos. A série vale por um punhado de fatores, entre eles:

1. Humanização: quantas vezes não vimos Roma retratada de uma forma idealizada, a cidade sendo um ícone de limpeza e traços arquitetônicos elegantes, o luxo como uma ubiqüidade? Em Rome da HBO, o que salta aos olhos é a crueza da vida dura do período pré-medieval: a sujeira impera nas ruas, corpos aprodecendo nos rios e bueiros, as casas como verdadeiras pocilgas, exceto, claro, as da nobreza. Prevalece também a apurada pesquisa histórica nas cenas de intervenções médicas, com as “operações” sendo feitas obviamente sem anestesia, e com “instrumentos” elementares, como martelos e pregos.
2. Atores: as escolhas da minissérie foram corretíssimas, principalmente Júlio César na primeira temporada, Servília, Átia e os heróis Pullo e Voreno. Marco Antonio é a encarnação perfeita do cafajeste na segunda fase, e Cleópatra é retratada como uma ninfomaníaca insana e ardilosa.
3. Ousadia: as cenas de sexo e violência foram abordadas com muita ousadia e naturalidade. Como ambas ajudam a compor o cenário histórico da época, não houve gratuidade nem apelação.
4. Reconstituição histórica precisa: Nas roupas, no caos da cidade, na imundície, na pobreza, nas doenças, tudo estava lá. Cabe notar também o apuro com que foi mostrada a religiosidade da Roma-pagã, pré-cristianismo.

Por tudo isso, vale a pena.

É isso aí!

Law and Order : SVU

Ultimamente tenho me dedicado um pouco a alguns seriados de TV. O que se pode apreender assim? Bem, se você estiver diante de algo inteligente, pode render. No caso, trata-se de Law and Order, com o subtítulo, special victims unit. O pessoal mais fanático certamente poderia dar todos os detalhes, mas não é meu caso. Foi por acaso que comecei a ver, e gostei. Vejam só quantos ensinamentos em um só episódio:

a) Sem hipocrisia. O seriado retrata a sociedade americana, e bem. Neste episódio em questão, ao mostrar uma unidade investigatória da polícia em busca de um molestador sexual de crianças, não hesita em acusar padres e rabinos de pedofilia. Ou seja, o time conservador pode ter feito um enorme estrago político por lá, mas daí a concluirmos que a América é um bando de moralistas enrustidos vai um longo caminho. E não protegem os judeus como seria de supor.

b) Auto-crítica. o caso, ao avançar, bate às portas de um questionamento maior da sociedade, e do papel da mídia na socialização. A conclusão é devastadora, ao mostrar o nível de exposição ao indizível a que estão sujeitas nossas crianças.

c) Realidade inescapável. Explorando o caso das comunidades judaicas mais ortodoxas, o episódio também mostrou que a realidade alcança a todos, não há como fugir, mesmo dentro dos altos muros e portões fechados dos condomínios. É melhor, portanto, que o todo fique melhor, para que a vida melhore.

E basta, além de tudo, foi divertido.