Inspirada por Lenine, para o Brasil

se está ruim, arrume,

se saiu do rumo, aprume,

se caducou, renove,

se deteriorou, inove.

se desgovernou, endireite,

se complicou, ajeite,

se se perdeu, engaje,

se mal armou, desmanche,

se perdeu, revanche,

se mixou, engaje,

se furou, emende,

se é crise, gere,

se é o país, lidere!

Advertisements

Brasil – um desabafo

Brasil, bonito por natureza. Incompetente por má gestão.

Brasil, abençoado por Deus. Endemoniado por governantes ridículos, corruptos e afins.

Brasil, em fevereiro tem carnaval. E tem mortes por enxurradas, pau, pedra, tudo no caminho.

Brasil, a pátria de chuteiras. E de sinalizadores, soco inglês e tacos de paus.

Brasil, onde tudo que se planta cresce. E onde tudo que se constrói desaba, principalmente marquises de prédios públicos.

Brasil, olha que coisa mais linda, mais cheia de fumaça, é ele menino, que vem e que fuma crack.

Brasil, gigante pela própria natureza, continente a caminhar. É só o que resta, caminhar, dada nossa infraestrutura logística.

Brasil, lindo e trigueiro, grande pátria desimportante, terra boa e gostosa, sujeira para todo o lado, mostra a tua cara e me diz qual o futuro da nação?

Brasil, ame-o ou deixe-o. Agora, consertar não é opção, não pode?

O Brazil é o novo Brasil?

O final de semana era de decisões nas Olimpíadas. Tudo mundo dava seu pitaco. Tudo mundo errou. Eu não dei pitaco e não errei nenhum prognóstico, rá!

Daí eu vou assistir o show da Maria Rita cantando Elis Regina e me deparo com aquela música, Querelas do Brasil, entre outras pérolas. Tudo o mais é decorrência.

O Brazil não conhece o Brasil. Nem o Brasil conhece o Brasil. Nas Olimpíadas menos ainda. Ganhamos o que não sabíamos que podíamos ganhar. Perdemos o que acreditávamos barbada. O auto-conhecimento é a chave do sucesso. Quem não conhece a si mesmo, não faz idéia de onde pode chegar, menos ainda sabe o que tem de fazer para melhorar. O Brasil não sabe o que é o Brasil. Ruma, portanto, a esmo, para lugar nenhum.

O Brasil nunca foi ao Brazil. Hoje o Brasil deita e rola no Brazil. E se acha. Daqui a pouco o Brazil vai começar a reclamar que sofre bullying do Brasil. É que só está lá por tamanho. Parece mesmo que quer se impor por força, e não por competência. Qualquer ranking de competência deixa o Brasil no chinelo, vide nossas performances em Educação, em Inovação ou Ambiente de Negócios. Urgh! Agora, ultimamente o Brazil também vem muito ao Brasil. E se espanta. O espanto mais bacana da última semana é o da Forbes sobre o preço dos carros por estas bandas.

O Brazil não merece o Brasil. Ecos de uma postura totalmente anti-globalizada, anti-participativa, anti-tudo, que era a cara do Brasil pseudo-intelectualizado. Na verdade, o Brasil quer porque quer pertencer ao Brazil, o Brasil quer ser o Brazil.
O Brazil está matando o Brasil. Falso corolário da frase anterior. O Brazil cansou de jogar bóia para cá, para o Brasil. Agora este Brasil lindo e trigueiro acha que pode jogar bóias para os outros. Na verdade, é o Brasil que está matando o Brasil. Ora, joguem bóia primeiro nas nossas mazelas, criem um país direito. Mas se deixar, o Brasil também pode faz um estrago considerável no Brazil.

Do Brasil, SoS ao Brasil. É isso aí. Ponto.

Fui ao Futuro e não gostei

A moda agora é falar que o Brasil não é mais o país do futuro. Nosso tão aguardado futuro teria chegado. Agora é se desfrutar, correr para o abraço. O mundo se curva diante do gigante recém acordado do Sul.

Será?  

Pois eu olhei, vasculhei, e não vi futuro algum.  

Todas as mazelas sociais estão aí para se ver. Desnecessário listar o descalabro geral, mas cito apenas um dado incrível: apenas 55,4% dos 57,3 milhões de domicílios estavam ligados à rede geral de esgoto em 2011. Então alô classe média emergente: as vossas novas babás paraguaias ficarão doentes também.

Não resolvemos nenhum dos problemas crônicos nacionais. Não fizemos nenhuma reforma (política, fiscal, previdenciária), não solucionamos nada. Apenas fomos capazes de eliminar a aberração da hiperinflação e colocar a locomotiva nos trilhos minimamente alinhados para crescer de maneira mais constante e firme. Isso equivale a entrar no jardim de infância sendo que o objetivo é fazer uma graduação em nível superior. E os 2,7% do crescimento do PIB ano passado já põe bastante em dúvida nossa capacidade de sequer sermos alfabetizados, digamos assim.

Crescimento este longe de ser sustentável. Fica muito abaixo do potencial, pois temos os mais incríveis gargalos de infra-estrutura. Aeroportos-lixo, portos ineficientes, estradas-buraco, obras intermináveis e burras. Não temos política industrial e em nossa pauta de exportação, oito produtos geram metade da receita. O nível de globalização de nossa economia é baixíssimo e mal as importações aumentam um pouquinho, lá veem medidas protecionistas.

Todo verão os mesmos desastres naturais são causados sempre por chuvas “nunca vistas neste país” e nunca por falta de planejamento, isto sim algo “nunca visto neste país”.

Em pouco tempo, a janela demográfica vai acabar e teremos de confrontar o fato de que por volta de 2030 cada trabalhador na ativa terá de financiar 1 aposentado. Na década de 70 eram 4 para cada 1, hoje já são  menos de 2.

Na educação, não saímos dos últimos lugares no PISA, com qualquer outro paiseco, com o perdão do trocadilho, pisando na nossa cabeça.

Insistimos em não querer aprender com ninguém. Repudiamos os modelos de êxito, sejam asiáticos, europeus, africanos, sempre queremos criar as nossas jabuticabas, as nossas tomadas genuinamente nacionais. Continuamos atravancando exemplarmente qualquer iniciativa empreendedora, seja por impostos, seja por burocracia. Nos últimos 30 anos fomos ultrapassados por Coréia do Sul e outros países em diversos quesitos. Ficamos como uma carroça à beira da estrada olhando os bólidos passar. Para quais países perderemos a corrida nos próximos 20 / 30 anos? Romênia, Bulgária, Cazaquistão, Bósnia? (Ops, todos estes já tem melhor IDH que o Brasil). E lá vem o vietnã, logo alí atrás, dobrando a curva já e nos colocando na alça de mira…

Para terminar, como mudar? Não sei. Só sei que é preciso haver vontade e determinação. Elevar a capacidade de planejamento, alterar prioridades, privilegiar a inovação. Tudo isso pressupõe que pessoas capazes e altruístas estejam à frente do processo, liderando a sociedade. Na democracia, isso se chama votar certo. Cobrar os eleitos e penalizar culpados.

Eu sempre aprendi que futuro é consequência de atos que já ocorreram no passado e dos que estão ocorrendo no presente. Futuro não cai do ceú, é construído. Portanto, vamos parar de acreditar nesta bobagem de futuro que já está aí e mãos à obra!

Rasgando o futuro

O homem, provavelmente indignado com os resultados, adentra o recinto onde são declarados os vencedores, apanha as cédulas de votação, foge e rasga os papeis todos, em um ato de fúria. Mas o que parece um ato isolado de destempero, certamente não o é.  Seguro que a turba o incentivou, todos os companheiros que ali se sentiam prejudicados, enganados, só precisavam de um sujeito com menos conflito entre razão e emoção para concretizar a barbárie que muitos almejavam. E este não tardou a aparecer.

O que me interessa, porém, não é analisar o comportamento de um indivíduo incitado pela massa, ou sequer analisar porque aquela votação era mais rudimentar que eleição de síndico de prédio pequeno.

O que me interessa é pensar que aquela atitude, perpetrada por um, mas seguramente desejada por muitos, é o reflexo de um modo de ser que prefere “reagir contra o sistema”, a fazer qualquer tipo de autocritica. É querer impor-se pela prepotência e não pelo Saber.

Pois Brasil afora nos seguimos rasgando orçamentos que não queremos cumprir, seguimos rasgando os boletins da escola que saíram ruins, seguimos rasgando as avaliações dos consumidores que apontam falhas em nossos produtos, seguimos rasgando os votos contrários ao nosso partido. Rasgamos sempre, ao invés de tentar entender nossas deficiências.

Enquanto persistir esta cultura não sairemos do lugar. O primeiro passo para o crescimento é reconhecer seus pontos fracos. O autoconhecimento precede a capacidade do ser de melhorar. Só quem tem autocritica apreende e avança.

Trilogia Millennium: as datas de exibição na TV de Millennium 2 e 3 (os originais suecos)

Aproveitando-se do furor que causa o lançamento do filme de David Fincher “The Girl with the Dragon Tattoo”, a refilmagem de Millennium 1 “Os Homens que não amavam as mulheres”, e que estréia em 27 de janeiro no Brasil, mas ao mesmo tempo sem nenhum marketing, a TV brasileira vai exibir os originais de “A Menina que brincava com fogo” (Millennium 2) e a “A rainha do castelo de ar” (Millennium 3). Tais películas entraram na grade do canal HBO Max com diversos horários de exibição agora em janeiro e fevereiro. Os filmes aqui no Brasil nunca chegaram ao mercado, nem em cinema, nem em vídeo. Os direitos de distribuição pertenciam à Imagem Filmes, que optou por abrir mão dos mesmos, devido à baixa repercussão do primeiro filme da trilogia, lançado no Brasil em maio de 2010, atingindo apenas 37.000 espectadores, após 7 semanas em cartaz.

Os filmes serão exibidos na sua versão para o cinema. A versão extendida, que foi exibida como minisérie nas TVs nórdicas e que agrega algo como 3 horas de filmagem na soma dos três filmes, esta continuará inédita entre nós.

Para ver os horários de “A Menina que brincava com fogo”, clique aqui.

Para ver os horários de “A Rainha do Castelo de Ar”, clique aqui.

188 anos de indiferença

É incrível como o Brasil não presta atenção nos seus vizinhos. Este ano, diversos países da América Latina comemoram duzentos anos de independência (coisa que só vamos alcançar em 2022) e muito pouco se vê, lê ou escuta por aqui sobre este marco. Há muita coisa bacana sendo feita pelos hermanos em relação a esta data, muita discussões e revisitas a temas polêmicos do passado.

Cada um comemora como quer, mas o fato é que ninguém tem muito o que festejar. Coisas bizarras também fazem parte das comemorações em todos os lados. O México tem uma nova refinaria chamada…Bicentenario, e na Colômbia um hino foi composto! Mas o estandarte de campeão da esquisite vai para a Venezuela, que renomeou uma cadeia de supermercados “Hipermercado Bicentenario”.

Mas, afinal comemorar o quê? De que se orgulha a América Latina independente? Cem milhões de latino-americanos ainda vivem em extrema pobreza, segundo estudos recentes. Em nenhum outro lugar a riqueza é tão mal distribuída, basta ver o ranking do Índice de Gini (entre os vinte piores países, 14 são da América Latina!!). Ainda assim, os sites criados especialmente para o evento, tem pérolas como esta:

Em apenas 200 anos gestos heróicos e grandes momentos criaram muitas ocasiões de que podemos estar orgulhosos. Somos parte daquilo que os fundadores sonharam como Independência.”

hummmm…sei. Sonho estranho este.

O tema que encanta e espanta para o observador de fora, e aqui faço uso de uma reprotagem publica na Alemanha pelo Süddeutsche Zeitung, é o dos recursos naturais: “é uma maldição de ser abundante em recursos naturais, conclui o economista e político equatoriano Alberto Acosta. A riqueza do ouro, prata, zinco, chumbo, café e bananas tornou tudo demasiado fácil para as elites, e o investimento em educação e infra-estrutura eram vistos como supérfluos”. Hoje sofremos as conseqüências.

Uma navegada pelas páginas oficiais dos países para a celebração da data já proporciona mais do que tudo o que você aprendeu na vida sobre a Argentina, o Chile, a Colombia, o Mexico e a Venezuela.

Veja abaixo minha seleção de recomendações:

Argentina:

uma galeria digital muito ampla e bem organizada, por ano. Vale a pena olhar a visão crítica atual sobre a Guerra das Malvinas, por exemplo (1982) e vejam a narração do gol de Maradona contra a Inglaterra na semifinal de 1986 (o cara põe Galvão Bueno no chinelo).

http://www.muralbicentenario.encuentro.gov.ar/videoteca1900.html

http://www.bicentenario.argentina.ar/listado_historia.php?decada=1980

Chile:

A idéia de criar uma declaração de valores para o País é estupenda. E o que está escrito lá é um primor de bom-senso e equilíbrio político. Outra coisa bacana é a “galeria de sonhos” onde qualquer pessoa pode escrever sua mensagem e deixar seu sonho registrado (já tem quase 1000).

http://www.chilebicentenario.cl/frmValoresBicentenario.aspx?idArticulo=50

http://www.chilebicentenario.cl/frmGaleriaSuenos.aspx?idarticulo=693&t=1

Colombia:

os caras criaram perfis de personagens históricos que você pode seguir pelo Facebook! Bolivar é o mais curtido.

http://www.facebook.com/BolivarLibertador

Mexico:

Muito boa a biblioteca digital do Bicentenario, com toda a história do país contado pelos documentos e livros.

http://www.bicentenario.gob.mx/bdbic/

Venezuela:

Dá para sentir a conotação militarista do site e nas postagens, ênfase aos desfiles militares e acrobacias aéreas.

http://www.bicentenario.gob.ve/noticias/category/videos/

É isso aí,