Dalí in Wonderland

This slideshow requires JavaScript.

Salvador Dalí, em 1969 ilustrou uma edição especial de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Nada mais apropriado. As imagens finalmente foram digitalizadas  e estão agora disponíveis na web. Veja no slideshow acima todas as ilustrações. Para tudo sobre Alice no País das Maravilhas clique na tag aí ao lado.

Advertisements

Alice in Wonderland (1) – How Tim Burton handled with the challenges of Carroll’s masterpiece

This series of posts about Alice in Wonderland has generated so much traffic in Portuguese that I’ve decided to translate. So, here is the fourth one:

Celebrating the film première today (calm down: just in the States), we go ahead with our series about “Alice in Wonderland”.

And suddenly, here it comes: the Cat. Who does not have Alice’s Cat very well entrenched in the memory? The one with that huge smile…the Cat that only appears in half, come and goes like a cloud, in a moment we see maybe only the head, or only the tail, that disappears slowly on the top of the tree. The little pads are going, then the tail, then the body, and we are left only with the head, with that smile and then the head also disappears and we have only that intriguing smile! enormous white teeth, perfectly aligned. Don’t know about you, but for me, this is one of the classic images of childhood. And now we have the Cheshire Cat on 3D! Be carefull Tim, there are millions of grown-ups that, in this case, do not want you to be an iconoclast. Not in this case!

And the Cat take part in one of the most remarkable pieces of dialog in Carroll’s book: The dialog with Alice goes more or less like this:
Alice asks: “Would you tell me, please, which way shall I take to get out of here?
to what the cat responds: “It depends heavily on where do you want to go“.
And Alice: “The place does not matter much…”
-“So it also does not matter the way you will take“, answers the cat, very, very ironically.

Brilliant! This part was extensively borrowed and used as a metaphor, specially in Corporations, in Change Management programs. But the original is the original.

And what did Tim? Well, the Cheshire Cat in the motion picture is astonishing, ironic to the deepest, smart as it should be and also magical. Point for Tim, no doubts. A translation to the big screen that respects the orginal and adds some others aspects that only contributes to make it more interesting.

That’s it! And I think I just saw a little cat……

This series continues here

P.S. > the whole series of postings comments the six more relevant pieces of Carroll’s Alice. Just drop a note if you think it is worth translating them all.

Alice in Wonderland (2) – How Tim Burton handled with the challenges of Carroll’s masterpiece

We keep going, listing the most emblematic parts of Alice in Wonderland, from Lewis Carroll, and analyzing what was its conversion to Burton’s motion picture.

After falling into the well, another sensational event is when Alice turns out to be only some centimeters tall, around 25cm, after having drunk from a mysterious bottle, and she is trying to escape to the beautiful garden she had seen from the keyhole of one of the doors belonging to the room she fell in. At this moment, the advise she gives herself (“mostly I give myself great advises, although I rarely follow them”) was to try to eat the cake she found, believing that it also could have some special powers. “If I became taller, I reach the key and open the door, if I get even more smaller, I slip thru the door“. Brilliant!

It follows, to my understanding a scene that is a summary of a probable metaphoric reading of the book. The cake, indeed, produces a strange side effect, and Alice, surprised with the phenomena that follows, proclaims:

“Oh my Gosh, my Gosh, how everything is so weird today! Yesterday was everything exactly like it always was. Did I change last night? Let me think: Was I the same when I woke up this morning? I am almost thinking I can remember of feeling a bit different. But if I am not the same, the next question is: Who am I? Ah, that is the greatest quiz!”

Both passages may evoke many interpretations, one of which tells us about the changes a teenager suffers, but I would incline myself to consider more the one that considers that Carroll was doing a great reflexion about a human being’s evolution: how to feel one self’s changes? How to deal with memories from what we were in the past ? A human being’s integrity is given by its conscience of our own experiences, isn’t it?

What happens in the film? Well, Tim repeats the passage almost ipsis literis, but as Tim’s Alice is already well grown-up, the entire philosophical aspect is lost.

Vou te contar…e Alice no país das maravilhas

Era tudo muito calmo aqui. No máximo, algumas poucas cabeças eram cortadas. Algumas poucas, por ano. Mas depois daquela garota, puxa, que caos! Tudo em rebuliço, a Rainha ficou muito irritadiça, mandava cortar dezenas, centenas por dia, acho. A gente obedece, certo? O que mais pode fazer um Dez de Ouros ? Pelo menos valho mais que todos os outros números, só tenho que me rebaixar para aquelas Figuras empertigadas, humpt. Mesmo assim, elas precisam de mim….quero ver sair um Royal sem a minha presença! Nunca!

Bem, tem o Ás, aquele presunçoso. Ele vale um, e só. Pensa que tem um Rei na barriga, sem trocadilhos. Quando se juntam os quatro, ficam doidinhos, falando besteiras, tipo “…….
E o 2, então? Se acha, fala que pode substituir todos nós…Duvido. Quem trocaria um Dez por um Dois? Eu hein? Bem, mas aqui neste Mundo, é capaz de alguém trocar….

E vamos levando…..ouvi dizer que estavam por trazer a menina de volta…só pode ser coisa daquele Chapeleiro…sempre tramando…acho que ele é meio tantã, sabe? Imagina, ouvi dizer que ele põe uma mesa enorme para o chá, mas somente convida uns três ou quatro…e oferece vinho! Uma vez o vi dançando o “futterwacker”….bem isso até que ele faz bem….E aquela charada que ele vive repetindo: “qual a semelhança entre o corvo e a escrivaninha?” meu deus, que loucura? O que pode ter de igual entre estas coisas tão díspares? Nada, nadica.

Como será que ela está? Puxa, deve estar bem grandinha já. Digo, em idade, porque em tamanho…nossa! ela já era enorme há treze anos atrás….

Lembro-me bem dela…desafiou a Lagarta, não deu bola para o Gato. Esperta, ela. Dizia que vinha de um lugar cafdasdasda

Se ela voltasse….poderia ser que algumas coisas se resolvessem. Menos a charada. Ah, não, esta não tem jeito. Humpt.

Ihhh, lá vem o 6, o 7, o 8 e o 9 de ouros…..e o 2! Mas que coisa, quem ele pensa que é?

8 razões para ver Tim e Alice no país da maravilhas

Tim fez um filme digno do material de que dispunha. Podemos dizer até que sem dúvida foi fiel ao livro original, na medida do possível. Alguns já disseram que Tim perdeu a mão, pois o enredo mais fantasioso, com cenários e criaturas que pareciam saídos de O Senhor dos Anéis e Nárnia, sai do espaço mais lírico e sensível, que são os elementos por excelência de sua filmografia, e que se configura naquilo que esperamos que sempre sobressaia em todos os seus filmes. Há que se entender que a Disney seguramente queria atingir um público muito amplo e tornar Alice um blockbuster, no que está sendo muito bem sucedida. Apesar disto, Tim soube preservar-se entre os tubarões. Ao ver e rever o filme, em 2D e em 3D (neste caso, com um impacto impressionante), encontrei pelo menos as seguintes razões para você ir ver o filme:

1. a situação de continuidade é excelente, com Alice crescida e envolta em decisões maiúsculas para sua vida. É mais um momento de transição para ela, desta vez da adolescência para a vida adulta, representada pelo compromisso do casamento.

2. muitos dos personagem “criados” para o filme, pareciam sempre estar alí em Wonderland, como se o próprio Carroll os tivesse colocado lá. Isso não é pouca coisa. Especificamente ótimos ficaram os gemeos bolinha.

3. A Rainha Vermelha de Helena Bonham-Carter é um primor e também Depp faz uma interpretação brilhante. A capacidade de expressão de ambos é exemplar. Vale o filme.

4. Há sim um certo lirismo, ainda que pontual. Se prestarmos atenção em algumas falas do Mad Hatter veremos que ela é rimada, poética. Sem esquecer de que há a criação de todo um linguajar específico para o filme, que os tradutores tiveram um esforço incrível para dar uma coerência.

5. Tim rende uma clara homenagem a Lewis Carroll ao enfatizar a charada do Corvo e da Escrivaninha, repetida mais de quatro vezes no filme (no livro, ela aparece apenas uma vez). E, fiel, faz o que é sensato neste caso: não ousa dar uma resposta.

6. A prova de que Alice é a mesma Alice para mim está presente na fala da “loucura”. Pois Alice repete para o Chapeleiro exatamente o que ela ouvia de seu pai quando menina.

7. Metáforas e mais metáforas: A Dani (um dia ela vai efetivamente colaborar aqui!) ponderou que a decisão de enfrentamento, de combate que Alice é obrigada a passar em Wondeland está para o sonho asim como a decisão de enfrentar o tolo Hamish, no mundo real. Provavelmente Hamish é tão escatológico como o terrível monstro das profundezas. Concordo!

8. O final é poético, vemos várias transformações ocorrendo, e neste momento, Tim brilha ao nos trazer “Absolem” em sua nova viagem, ao mesmo tempo em que Alice embarca em uma nova aventura. No Inglaterra Vitoriana, qual aventura poderia ser maior que a que Tim vislumbrou para ela? Só mesmo em sonho!

Portanto, esqueça as críticas tolas e vá ver o filme. É Tim, é Depp, é a mágica em ação.

É isso aí,

Alice no país das maravilhas (6) – Tim Burton e os desafios do livro de Carroll

E a poucos dias da estréia do filme entre nós, se faz imperativo discutir aquele que é seguramente o enigma mais intransponível de Carroll: A charada sobre o Corvo e a Escrivaninha (the raven and the writing desk).
Nas palavras do Chapeleiro:

“Por que um corvo é parecido com uma escrivaninha?”
“Acho que posso adivinhar essa”, respondeu Alice
No que a Lebre de Março contesta: “Você acha que pode descobrir a resposta para a charada?”
“Exatamente”, diz Alice
“Então deveria dizer o que quer dizer”, comentou a lebre
Alice se põe a pensar sobre corvos e escrivaninhas enquanto a conversa degringolava para outros rumos.

E neste ponto Carroll deixa a charada suspensa no ar.

Alguma pesquisa vai levar você a algumas especulações sobre a charada, mas o fato é que o próprio Carroll admitiu que não tinha a menor idéia da resposta!

Será que Tim Burton vai ousar responder?

É isso aí,

Alice no país das maravilhas (5) – Tim Burton e os desafios do livro de Carroll

Pipocam eventos em São Paulo sobre Alice, aproveitando a expectativa criada em torno do filme de Tim Burton. Veja mais em http://alicenations.blogspot.com/ , o blog da sociedade Lewis Carroll do Brasil. (Tem um post meu republicado lá, inclusive, o primeiro desta série, e só rolar até o dia 7 de março.)

Neste quinto post da série, queria comentar sobre o diálogo de Alice e a Duquesa, a personagem preocupada com a Moral de tudo…mas é Alice que a surpreende, com uma observação para lá de madura. Ao afirmar que o Mundo gira por causa do Amor, Alice contesta: “Ele gira porque cada um cuida dos seus interesses”. A Auto-ajuda leva uma bordoada!

Mas a Duquesa se redime, logo mais adiante, ao afirmar:

“Nunca imagine que você não é senão o que poderia parecer aos outros que o que você foi ou poderia ter sido não era senão o que você tinha sido que lhes teria parecido diferente”

É como disse Lewis Carrol, por intermédio de Humpty Dumpty: ” Quando eu uso uma palavra, isto significa que eu escolho o que ela significa”.

Tá explicado?