Inovo, logo crio o que existe.

Fiz este texto para homenagear a um amigo e colega. Mas preciso dividir com todos vocês.

Motivados pelo Novo, seguimos o caminho como Veículos do Inexistente. Esperançosos virais de hipóteses a serem comprovadas. Instigadores do inédito. Rejeitamos a acomodação, refutamos crer que não se possa fazer melhor, quer pelo simplesmente diferente, quer através do inusitado. Adoramos respostas que abrem mais perguntas, como a luz passando pelo prisma e abrindo mais alternativas. Olhamos o passado para apreender, mas mais ainda, cerramos os olhos para tentar enxergar o que está além do horizonte. Escutamos a voz da experiência, mas aguçamos nossos ouvidos de vez para um som cujo timbre só o mais profundo silêncio pode nos permitir escutar: a voz interior que nos impele a fazer o que ainda não foi tentado. Sentimos na pele todas as coisas boas e também todas as agruras, mas nos arrepiamos mesmo é com o frisson das perspectivas do que ainda não pode ser tocado. O mau cheiro daquilo que fenece, que se vai, não nos incomoda porque sabemos que logo, logo o que recém floresce trará aromas indescritíveis. E, mesmo que tenhamos tido que engolir alguns indigestos sapões ao longo da luta, seu gosto arrefece diante do que realmente nos faz salivar.

A Inovação como Norte não é como agarrar-se a uma tábua de salvação, ou a uma Esperança apenas alicerçada na Fé. Tábuas de salvação e Esperança estão para os que se deixam levar, para os apóstolos do Acaso, do fortuito, dos Deterministas. A Inovação como Norte é terra de bravos, dos destemidos, dos que moldam a sinapses o que virá, o que será, o que iluminará. Há algum espaço para improviso, e os erros são partes do acerto maior. Mas, finalmente, o que garante o êxito da empreitada é este meu, teu, nosso Indomável Espírito do Buscador.

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Mudança

De saber-se um crápula exalava com precisão os maiores impropérios. De achar-se um divino executava as maiores imprudências. De ter subjugado a todos mantinha os olhos fixos no nada.

A tudo e a todos igualava na baixeza dos tratos, na imundície dos pensamentos, na agressividade dos gestos. Pensava-se o maior. Aquele que não tem nem nunca tivera nenhum igual, a referência, o Um.

Foi quando se sentiu apunhalado vigorosamente, a espada cravando-lhe o coração bem no meio. Da horda de seguidores surgira aquele vergalhão imenso. Da multidão disforme havia se sobressaído Algo Novo, ganhado altitude e força e sobre o Um lançou-se como um bólido de videogame. O atingiu e se foi. De relance, Um viu Algo Novo voltando a se imiscuir entre todos, mas não sem antes poder perguntar:  “Como te chamas”. Algo Novo,  já percebendo a vitória iminente, responde, altivo: “Sou a mudança,  o que ainda não vês, mas que já te rondava havia muito. Fostes demasiado obtuso, o teu riso sempre presente, e não te destes conta, o poder te fragilizou”. O que antes era o impiedoso Um se desmantela diante de Algo Novo. “Incorpore-se a mim, implorou o Um,  juntos seremos ainda maiores e imbatíveis”. Algo Novo contesta: “Não percebes que já estás caído. Logo, logo te farei arder, já não podes mais. Resigna-te”.

E o Um fenece. Um que antes era tudo, já nada. E resplandece Algo Novo. Instantes depois, porém,  já se percebe neste os mesmos certos sinais que eram tão comuns em Um, os lábios vão se aproximando das orelhas lentamente, o que com certeza surge é um sorriso.

Na multidão, candidatos já se agitam. Algo Ainda Mais Novo já desponta célere e começa a sobressair da horda de seguidores com uma faca afiada na bainha.

Para bom Inovador, nem TODAS as idéias bastam

Idéias que surgem em fluxo exorbitante. Uma metralhadora de pensamentos.

Rajadas de planos mirabolantes, às vezes grotescos, para posterior lapidação. Visões vomitadas em lindas sinapses. Não consegue parar, é um depósito sem fundo de futuros possíveis. Inesgotáveis os cenários que desafiavam toda lógica conhecida e que vazam a todo instante de dentro dos bolsões latejantes dos seus hemisférios.

Questiona sem parar, em constante maré alta, inundando os incautos à sua volta. Do alto de seu poder gerador, nada parece improvável, impraticável, impossível, irreal.

Não arrefece. Tudo é apenas questão de tempo e esforço. Se ainda não existe, é porque ainda não fora pensado.

Não conta com barreiras de nenhuma espécie. Aposta na força pura das construções de sua mente. Um celeiro de sementes fortes, fertilíssimas.

O inesperado, o inacreditável, tudo dentro de si. Um homem além da imaginação.

Não criar é morrer se debatendo com as impossibilidades da Imperfeição.

Por ocasião da Rio + 20

  1. Crescimento insustentável é igual a universo em expansão. Todos sabem como acaba, só não se sabe quando.
  2. Se o crescimento pode ser sustentável, a recessão é mais sustentável ainda?
  3. Sustentar o crescimento não é igual a crescimento sustentável
  4. A insustentável sustentabilidade do crescimento
  5. Rio + 20. Mais vinte mil toneladas de CO2 em emissões por ano desde a Rio 92.
  6. Fomentar o consumo sem contrapartidas ambientais é como curar febre de quem está com hemorragia
  7. A Europa cresceu devastando, os EUA cresceram devastando. A China cresce devastando. A América Latina quer ter o direito de devastar para crescer. A África…, bem a África devasta-se.
  8. A inovação está para o crescimento sustentável assim como a inércia está para a devastação insustentável.
  9. Inove ou Devaste.
  10. Tudo o que der errado na Rio + 20 a Rio + 40 não poderá consertar.

Goodbye Yellow BRIC Road, ou O que eu aprendi sobre a China

Vejo muitas discussões rasteiras, bidimensionais, sobre diferenças entre Brasil e China. Muitos falam que um sistema não democrático facilita a tomada de decisões e consequentemente funciona como alavancador da velocidade com que a China ganha espaço. Outros dizem que é a apatia dos chineses, que tudo acatam sem pestanejar o que realmente destrava o país. Nada disso me convence. O que precisamos definitivamente apreender é que obstinação não depende de regime político, nem qualidade das instituições ou qualquer de outro falso argumento para justificar porque o entre a Grande Muralha e o Himalaia existe tanta “acabativa”.

O que move a China, e a faz tão apta a exercer o domínio no novo milênio, são suas pessoas. E estas são ordeiras, disciplinadas, obstinadas e que sabem que o esforço individual ao fim e ao cabo é a mola propulsora do progresso. E eles estão aplicando esta firmeza de caráter para estudar, estudar mais ainda e ainda aprofundar-se nos estudos. Veja aqui a reportagem de Gustavo Ioschpe sobre a educação na China que ilustra isso sobremaneira.

A estrada de tijolos amarelos terá de achar outra cor. Minha aposta é que ele vai empalidecer de vez. É difícil ela ganhar os tons pardos dos ursos da velha Rússia ou mesmo os tons da mulatice indiana. Ambos os países carecem de instituições sólidas para ditar o crescimento sustentável. O enorme arco-íris brasileiro que tudo comporta infelizmente não tem a capacidade de planejmento que é indispensável para ditar o ritmo desta marcha. E os amarelinhos do Império do Meio vão para outra divisão logo, logo. Mais acima, muito mais acima.

Resiliência, obstinação, caráter, disciplina e objetivos claros nunca fizeram mal a ninguém.

O Facebook quer saber em que você está pensando

12 Angry Men (1957)
Image by Profound Whatever via Flickr

Curioso, não?  Paradoxal, até. Nestes tempos de tudo ao mesmo tempo, onde você só tem 140 caracteres para sintetizar tudo, a pergunta soa desfocada. Atrevo-me a dizer até que poucos a percebem, passam por cima dela com a velocidade habitual do ato contínuo. Mas vá lá olhar atentamente sua barra de status e confira. A pergunta está lá, como pano de fundo: No que você está pensando agora?

Ora,  e quem tem tempo para pensar?  E, mais, para que pensar, se já está tudo aí pronto, dado de bandeja?

O que vale é o que estamos fazendo, não é mesmo?

Bem, na boa, na boa mesmo, em alto e bom som, NÃO !

Precisamos sim pensar, pensar muito mais, e principalmente antes de fazer.

Só o pensamento transforma o mundo. Ou você acha que Newton estava fazendo algo embaixo daquela macieira?

Só o pensamento inova. Ou você ainda acha que executar as mesmas coisas, do mesmo modo de sempre vai te propiciar algum resultado diferente? A essência da diferenciação é a criação de alternativas, o estudo de opções, a análise de dados. Depois a ação. Para se obter resultados diferentes, é preciso repensar as coisas primeiro e fazer diferente depois. Para ser sustentável é preciso destruição criativa constante. E para criar é preciso pensar.

Pense nisso antes privilegiar a ação acima de qualquer. E pense nisso antes de escrever naquele espaço, a sua barra de status.

O gratificante é que parece que temos uma retomada da consciência em relação à importância do Pensar. A quantidade de informação disponível nunca foi tão alta, mas o tempo para digerir tudo nunca foi tão escasso. A velocidade do copy-paste é tentadora, mas é bom saber que alguns se recusam a adotá-la como modo de vida permanente. Alguns poucos ainda tem vontade de se debruçar sobre o joio e sacar o trigo.

Por isso foi um alento deparar-se com dois textos brilhantes que tem como pano de fundo esta temática, cujas essências reparto aqui. Primeiro, Sergio Augusto, no editorial do caderno Sabático do Estadão, aproveitando um ciclo de palestras sobre a preguiça (veja link aqui, lamentavelmente já esgotado), acabou nos brindando com o que considero as pérolas dos Papas do ócio, aqueles caras que sabiam que o não-pensar era a condenação da raça: O ócio, não confundam, não é entregar-se a uma espécie de “deixa assim para ver como é que fica”, o ócio é o tempo para pensar por excelência.

São os ociosos que transformam o mundo, pois os outros não têm tempo (Camus)

“A primeira prova de uma inteligência ordenada é poder parar e aquietar-se consigo mesmo” (Sêneca)

“Quem não tem dois terços do dia para si é escravo” (Niestzche)

Segundo, o grande artigo de Neal Gabler, reproduzido no Estadão, mas acessível aqui, sobre o mundo pós-ideia, que joga uma luz e tanto sobre o tema.  Neal advoga, no que tem absoluta razão, sobre a vitória inequívoca da Lei de Gresham, que adaptada da Economia para a Nuvem, quer dizer que informação ruim expulsa informação boa. E informação ruim é o que mais tem na Nuvem, o que mais orbita em torno dos sóis da Web.

E ficamos a ver navios, em uma grande Nuvem que condensou o mundo, mas que faz chover apenas fel, uma vez que dela nada frutifica.

Finalizando, deixo uma recomendação de um filme, que, entre outras coisas, evidencia a qualidade do pensar. Estou falando de “Doze homens e uma sentença”, no original: 12 angry men, (pode ser tanto a versão original, com Henry Fonda, como a refilmagem de 1997, com Jack Lemmon, no papel do velhinho obstinado). Não dá para dizer muito sem entregar o ouro. Veja e tire (pense) suas conclusões.

É isso aí!

A melhor apresentação sobre Management do mundo

Gary Hamel e seu projeto de Management Innovation. Em uma apresentação estilo “TED”, em 15 minutos o homem diz muito, muito mesmo. Assino embaixo de suas idéias. Fora o conteúdo, a apresentação é de uma plasticidade impressionante. Showzaço.