Onde estar em 2013 / Where to be in 2013

Segue uma lista muito particular de lugares e datas para acompanhar em 2013.

1.  Caracas, 10 de janeiro :  Sem Chavez ?

Caracas, 1/10. Life after Chavez?

2. Qualquer lugar, 31 de março, desde que em frente a um televisor: estréia da terceira temporada de Game of Thrones.

Anywhere, 3/31, provided you are in front of a tv set. Season 3 of Game of Thrones begins

3. Amsterdam, 13 de Abril : Reabertura do Rijksmuseum

Amsterdam, 4/13. Reopening of the Rijksmuseum

 

4. Paris, 6 de Maio, dia mundial do Orgão, música na Notre-Dame em celebração aos 850 anos da Catedral. Clique aqui para mais informações.

Paris, 5/6, world organ day. Music at the Notre-Dame de Paris in celebration of its 850th anniversary. Click here for more info.

5. Argentina, 7 de junho. Classificação da Argentina para o Mundial de 2014, Argentina vs. Colombia

Argentina, 6/7. Match Argentina vs. Colombia will define that Argentina will take part in the soccer World Cup Brazil 2014

6. Londres, entre 26 de junho e 8 de setembro, exposição Vermeer and Music: The Art of Love and Leisure

London, between 6/26 and 9/8, exposition Vermeer and Music: The art of love and leisure

7.  Dallas, 22 de Novembro, Dealey Plaza. 50 anos do assassinato de JFK pelo covarde Lee Oswald

Dallas, Dealey Plaza, 11/23. 50th anniversary of the assassination of JFK.

É isso aí.

Buenos Aires 2012: entre Paris e Caracas

  1. Melhor que Paris: as amplas avenidas como a Libertador, com sua parede de edifícios de um lado e as amplas áreas verdes do outro. Nem as avenidas de Hausmann em Paris são tão bonitas. Falta o verde abundante. Mas tente atravessar a rua de um lado a outro no tempo de um semáforo para ver o que é bom.
  2. Quase Caracas: as favelas que estão se amontoando ao longo do viaduto que liga a 9 de julio com a saída para a carretera norte. Urgh!
  3. Igual Paris : os belíssimos casarões e edifícios da Avenida Alvear e as madames passeados com seus lulus.
  4. Pior que Paris: a enormidade de gente fumando adoidado em qualquer lugar, mesmo fechado. Experimente com moderação.
  5. Bem Caracas: a galeria dos “heróis” latino-americanos da Casa Rosada parece ter sido sugerida pelo Chavez…..estão lá Che, Getulio Vargas, Tupac, Allende, e os Peron…obvio. Não vi Nestor, mas logo logo ele ganha um quadrinho lá. E talvez Lula. Cabe na companhia.
  6. Disputa dura: El Ateneo é seguramente uma das mais lindas livrarias do mundo. Paris tem Shakespeare&Co.
  7. As horrorosas medianeras (veja o filme, leia critica aqui) são horripilantes. São Paulo também tem. Coisa de matar. Mas os portenhos ganham em feiúra porque ainda agregam aquele mar de fios e cabos expostos acima de nossas cabeças como enormes teias de aranha do inferno.
  8. Buenos Aires vive de noite e dorme de dia. Tente encontrar algo aberto antes do meio-dia. Isso, só em Buenos Aires mesmo.
  9. Separar o joio do trigo em Palermo é tarefa hercúlea. Muitas coisas lindas, mas também muitas pegadinhas. Algumas lojas tem preços de SoHo e qualidade de SoHo, outras tem preço de SoHo e qualidade de brechó. A meta é encontrar as que tem preço de brechó e qualidade de SoHo. Fique com estas.

10. Lambuze-se de doce de leite no café-da-manhã, empine algumas empanadas no almoço e chore por um bife de chorizo no jantar. Agora se você adotar o porteño way of life, perca o café-da-manhã, almoço um chorizo, jante umas empanadinhas e tome um café quando der para escapar da balada.

11. Pode ser que você consiga entrar no Tortoni. Então pague o olho da cara para tomar um café com Gardel e Borges. Mas vale. Não derrame o seu cortado enquanto olha os vitrais no teto.

12. Tente devolver seu carro alugado em Ezeiza em menos de 30 minutos. Comece tentando achar onde entrega-lo. La puta madre! Isso nem em Caracas.

13. Se puder, use o Aeroparque, mas torça para que a fila da imigração não esteja chegando no pátio das aeronaves. Você desce vendo o Monumental de Nuñez a sua direita e sobre vendo o rio de la plata bem de pertinho, a sua esquerda.

14. Para conhecer todos os bonarenses de uma vez, vá ao Unicenter, o maior shopping da área metropolitana, domingo de tarde. Não precisa pagar para entrar, mas é bom rezar para sair. Só não vi o Messi.

P.S. > ao usar o GPS lá, tente encontrar Buenos Aires na lista de cidades. Não estará!  Sofra até descobrir que você tem de digitar as mégicas letrinhas CABA (Cidade Autônoma de Bs. As.). Que bárbaro!

Duas fábulas argentinas

Dois grandes exemplos da vitalidade do cinema dos Hermanos lá de baixo: os filmes Medianeras e Um Conto Chinês. O primeiro é impregnado de modernidade, retratando em belas imagens a vida de jovens desajustados,  viciados em iPods, iMacs, iPhones e tudo mais com o i na frente, por intermédio dos quais eles encontram quase sempre seu único caminho de expressão social.  A desordem urbana de Buenos Aires, retratada sem dó em toda sua feiúra (as laterais “mortas” dos prédios – as tais medianeras –  e o emaranhado sem fim de cabos e fios a cobrir o céu ) é usada como espelho das tonterias do país.  O filme desenrola um delicioso jogo de esconde-esconde dos dois personagens principais (cujas estórias são narradas em paralelo) até o encontro anunciado.  É sólido, bem escrito, com vozes em off que geram um bom efeito narrativo e com um olhar extremamente crítico para a sociedade portenha. Muito bom, em que pese o final um tanto piegas.

Já Um Conto Chinês tem Ricardo Darín como Roberto, um sujeito arredio e igualmente desajustado. Dono de uma loja de ferragens que parou no tempo, ele nunca viu nada com o i na frente, a exceção dos idiotas, que é como ele considera os seus fregueses, dos imbecis da embaixada chinesa, que não o ajudam a resolver o caso do imigrante que acaba hospedado por acaso em sua casa, e das incredulidades que ele coleciona dos jornais. A busca do desesperado chinês que não esboça uma palavra em castelhano acaba se tornando um enorme fardo para Roberto, que, alma boa que é, não vê escapatória a não ser ajudar ao pobre rapaz. O que Roberto não sabe é aquilo que todo espectador já viu: uma de suas estórias incríveis de jornal está bem diante dele, como que para assombrá-lo, expiá-lo dos horrores por quais passou.

Dois filmes a principio tão dispares, porém, no fundo, muito iguais. É de busca que estamos falando, de buscas incessantes por respostas, por satisfação, por justificativas para a existência. O Chinês, Roberto e os macmaníacos de Medianeras todos querem encontrar seu Wallys.

É isso aí,

188 anos de indiferença

É incrível como o Brasil não presta atenção nos seus vizinhos. Este ano, diversos países da América Latina comemoram duzentos anos de independência (coisa que só vamos alcançar em 2022) e muito pouco se vê, lê ou escuta por aqui sobre este marco. Há muita coisa bacana sendo feita pelos hermanos em relação a esta data, muita discussões e revisitas a temas polêmicos do passado.

Cada um comemora como quer, mas o fato é que ninguém tem muito o que festejar. Coisas bizarras também fazem parte das comemorações em todos os lados. O México tem uma nova refinaria chamada…Bicentenario, e na Colômbia um hino foi composto! Mas o estandarte de campeão da esquisite vai para a Venezuela, que renomeou uma cadeia de supermercados “Hipermercado Bicentenario”.

Mas, afinal comemorar o quê? De que se orgulha a América Latina independente? Cem milhões de latino-americanos ainda vivem em extrema pobreza, segundo estudos recentes. Em nenhum outro lugar a riqueza é tão mal distribuída, basta ver o ranking do Índice de Gini (entre os vinte piores países, 14 são da América Latina!!). Ainda assim, os sites criados especialmente para o evento, tem pérolas como esta:

Em apenas 200 anos gestos heróicos e grandes momentos criaram muitas ocasiões de que podemos estar orgulhosos. Somos parte daquilo que os fundadores sonharam como Independência.”

hummmm…sei. Sonho estranho este.

O tema que encanta e espanta para o observador de fora, e aqui faço uso de uma reprotagem publica na Alemanha pelo Süddeutsche Zeitung, é o dos recursos naturais: “é uma maldição de ser abundante em recursos naturais, conclui o economista e político equatoriano Alberto Acosta. A riqueza do ouro, prata, zinco, chumbo, café e bananas tornou tudo demasiado fácil para as elites, e o investimento em educação e infra-estrutura eram vistos como supérfluos”. Hoje sofremos as conseqüências.

Uma navegada pelas páginas oficiais dos países para a celebração da data já proporciona mais do que tudo o que você aprendeu na vida sobre a Argentina, o Chile, a Colombia, o Mexico e a Venezuela.

Veja abaixo minha seleção de recomendações:

Argentina:

uma galeria digital muito ampla e bem organizada, por ano. Vale a pena olhar a visão crítica atual sobre a Guerra das Malvinas, por exemplo (1982) e vejam a narração do gol de Maradona contra a Inglaterra na semifinal de 1986 (o cara põe Galvão Bueno no chinelo).

http://www.muralbicentenario.encuentro.gov.ar/videoteca1900.html

http://www.bicentenario.argentina.ar/listado_historia.php?decada=1980

Chile:

A idéia de criar uma declaração de valores para o País é estupenda. E o que está escrito lá é um primor de bom-senso e equilíbrio político. Outra coisa bacana é a “galeria de sonhos” onde qualquer pessoa pode escrever sua mensagem e deixar seu sonho registrado (já tem quase 1000).

http://www.chilebicentenario.cl/frmValoresBicentenario.aspx?idArticulo=50

http://www.chilebicentenario.cl/frmGaleriaSuenos.aspx?idarticulo=693&t=1

Colombia:

os caras criaram perfis de personagens históricos que você pode seguir pelo Facebook! Bolivar é o mais curtido.

http://www.facebook.com/BolivarLibertador

Mexico:

Muito boa a biblioteca digital do Bicentenario, com toda a história do país contado pelos documentos e livros.

http://www.bicentenario.gob.mx/bdbic/

Venezuela:

Dá para sentir a conotação militarista do site e nas postagens, ênfase aos desfiles militares e acrobacias aéreas.

http://www.bicentenario.gob.ve/noticias/category/videos/

É isso aí,

Todos os olhos de “O segredo dos seus olhos”

São olhos estranhos os de Isidoro Gómez, o investigado, o o acusado do crime hediondo do qual tomamos conhecimento nas primeiras cenas do filme. São olhos muito estranhos e frios. É claro que o título do filme remete a estes olhos. Que são também olhos desafiantes, seguros, senhores de si, confiantes. E depois, muito depois, olhos que ainda estão lá, ainda olhando, mas que já morreram.

Mas temos os olhos densos de Benjamin Es-pó-si-to. Em flashback, olhos ansiosos, atormentados. No presente, olhos perdidos, olhos atônitos. Olhos que não revelam os sentimentos, olhos sem tradução simultânea, de legendagem impossível.

Já os olhos apaixonados da “doctora Hastings” são transparentes, nos deixam ver dentro deles, escondem muito pouco. São olhos claros de uma pessoa apaixonada, ainda que sérios, austeros, cheios de pose, quando a flagramos no passado e, no presente, olhos conformados, que perguntam: “Qual o segredo para levar uma vida vazia?”
E os olhos esbugalhados de Pablo Sandoval. Quase um Marty Feldman portenho. Grandes olhos simpáticos, quatro na verdade, do sujeito a quem não devemos temer nunca. Olhos cheios de graça e inocentes até.
São olhos perturbados os de Morales, sempre perturbados, a qualquer tempo. Carregam o desespero, evidente de qualquer ângulo.
Enfim, todos os olhos revelam e guardam, antecipam e rememoram. São tantos os segredos que até surge a dúvida: será que o título é por aquele personagem mesmo?

A nós cabem os olhos embasbacados, pois tantas coisas vêem e admiram que não há cristalino que não brilhe mais que o normal. Se você for olhar, pode ter certeza que a menina, aquela menininha dentro dos teus olhos, vai ficar pequena. Vá ver, quer dizer, vá olhar.

É isso aí,