Argo: Filme-Mentira, Cinema de Verdade

Ben Affleck realiza uma façanha com este filme, e bastam os primeiros minutos para que você entenda isso e mergulhe com tudo na proposta que ele nos faz. A reprodução da invasão da embaixada americana em Teerã em 1979, alavancada pela fúria dos revolucionários islâmicos contra a decisão dos EUA de não extraditar o xá Reza Pahlevi de volta ao Irã é feita com esmero jornalístico e amplo domínio dos movimentos dos atores, música e belíssimo jogo de câmera. E o melhor é que cada nova tomada justifica-se, o timing é ótimo ao longo de toda a película até o final, um tanto espetacular, mas ainda assim, muito satisfatório.

O filme é baseado em uma estória real, revelada ao mundo em 1997, sobre como a CIA resolveu resgatar 6 funcionários que haviam escapado da embaixada momentos antes de ela ser completamente tomada pelos adeptos de Khomeini, refugiando-se na casa do embaixador canadense. A princípio alicerçada em uma ideia estapafúrdia, de simular a filmagem de um roteiro de ficção cientifica (o tal ARGO), as engrenagens da aliança CIA-hollywood-Canadá acabam por viabilizar o projeto, e Affleck, também o protagonista, lança-se no meio do caos para fazer a exfiltração dos 6 americanos. A dimensão da dificuldade da operação é dada por Affleck, ao comentar sobre a empreitada com os chefões da Agência de inteligência: “exfiltrações são como abortos. Você não quer ter de fazer um, mas se for preciso, não vai querer fazer você mesmo”

O agente de Affleck, Tony Mendes, não é Bond. Não há glamour, há apenas um trabalho a ser feito.  Mendes sofre, tem medo e, pior de tudo, depende muito de seus 6 alvos para também sair ileso do Irã. Toda esta tensão é muito bem retratada no filme, mas contrabalançada com mestria nas cenas onde Hollywood é pano de fundo, especialmente pelas participações geniais de John Goodman e Alan Arkin, como os que são engajados pela CIA para “produzir” o não-filme Argo. As frases lapidares que são proferidas pela personagem de Goodman são um ótimo exemplo de como Hollywood sabe fazer piada de si mesma.

Argo é no todo uma bela produção, que aparece muito bem cotada para a temporada de premiações que se aproxima.

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Critica do cinema francês – Esposa troféu (Potiche)

François Ozon faz aqui um retrato sensacional dos anos 70, neste filme que é ao mesmo tempo irônico e requintado. Ele abusou do deboche e do escracho, mas não transformou este material em um pastelão, pelo contrário, o riso correu solto devido à inteligência das cenas criadas. Potiche é um filme-crítica às organizações e a CEOs fanfarrões e ao mesmo tempo um filme de época. Vale muito a pena. Um filme que ri de si mesmo a todo tempo, começando por usar atores-fetiche do cinemão francês, os ícones Catherine Deneuve e Gerard Depardieu, em papéis sem nenhum glamour. Ri também ao estereotipar tipos como os sindicalistas e os(as) “filhinhos(as) de papai”.

Não são muitos os filmes que retratam bem a vida nas corporações, mas os franceses quando o fazem, costumam acertar, basta lembrar “A Questão Humana”, e a brilhante comédia “O Corte” . Em Potiche, mais um acerto, especialmente no tom sarcástico que usa ao retratar as relações empresa-sindicato-empregados.

Ozon é mestre em criar situações que insinuam possíveis bifurcações para a estória, somente para logo em seguida desmontá-las habilmente, conduzindo a trama para uma terceira via também eficaz. Com isso, o roteiro funciona, tem ótimo timing.

Agora, o maior triunfo do filme é sem dúvida Fabriche Luchini, que está absolutamente sensacional como o CEO.

O melhor do cinema francês estará em março em São Paulo!

Rue Francois Truffaut

São três (!) mostras dentro da Semana da Francofonia. Absolutamente TUDO o que é importante da Nouvelle Vague está aí, ótimos exemplos dos clássicos e do cinema contemporâneo também. Como é impossível ver tudo, minhas sugestões vão destacadas na enorme lista abaixo. Alonsenfant!

1. SEMANA DA FRANCOFONIA: “CLAUDE CHABROL E OUTROS AUTORES DA NOUVELLE VAGUE”
Galeria Olido – Cine Olido. Centro. De 17 a 31. +16 anos. R$ 1

HIROSHIMA MEU AMOR
(Hiroshima Mon Amour, França/Japão, 1959, 90 min, 35mm, PB). Dir.: Alain Resnais. Com Emmanuelle Riva, Eiji Okada, Stella Dassas e outros.
| Dias 17, 15h. Dia 29, 17h

TIO VÂNIA EM NOVA IORQUE
(Vanya on 42nd Street, EUA, 1994, 119 min, 35mm). Dir.: Louis Malle. Com Phoebe Brand, Lynn Cohen, George Gaynes e outros.
| Dia 17, 17h

NAS GARRAS DO VÍCIO
(Le Beau Serge, França, 1958, 98 min, DVD, PB). Dir.: Claude Chabrol. Com Gérard Blain, Jean-Claude Brialy, Michèle Méritz e outros.
| Dia 17, 19h30. Dia 29, 15h

LOLA, A FLOR PROIBIDA
(Lola, França, 1961, 90 min, 35mm, PB). Dir.: Jacques Demy. Com Anouk Aimée, Marc Michel, Jacques Harden e outros.
| Dia 18, 15h. Dia 30, 17h

OS INCOMPREENDIDOS
(Les 400 Coups, França, 1959, 94 min, DVD, PB). Dir.: François Truffaut. Com Jean-Pierre Léaud, Claire Maurier, Albert Rémy e outros.
| Dia 18, 17h

DELEGADO LAVARDIN
(Inspecteur Lavardin, França/Suíça, 1986, 100 min, 35mm). Dir.: Claude Chabrol. Com Jean Poiret, Jean-Claude Brialy, Bernadette Lafont e outros.
| Dia 18, 19h30. Dia 30, 15h

O SIGNO DO LEÃO
(Le Signe du Lion, França, 1959, 98 min, 35mm, PB). Dir.: Eric Rohmer. Com Jess Hahn, Michéle Girardon, Van Doude e outros.
| Dia 19, 15h

ALPHAVILLE
(Alphaville, une Étrange Aventure de Lemmy Caution, França/Itália, 1965, 99 min, 35mm, PB). Dir.: Jean-Luc Godard. Com Eddie Constantine, Anna Karina, Akim Tamiroff e outros.
| Dia 19, 17h

MADAME BOVARY
(França, 1991, 143 min, DVD). Dir.: Claude Chabrol. Com Isabelle Huppert, Jean-François Balmer, Christophe Malavoy e outros.
| Dia 19, 19h30

BEIJOS PROIBIDOS
(Baisers Volés, França, 1968, 90 min, 35mm). Dir.: François Truffaut. Com Jean-Pierre Léaud, Delphine Seyrig, Claude Jade e outros.
| Dia 20, 15h

OS PRIMOS
(Les Cousins, França/Alemanha, 1959, 112 min, DVD, PB). Dir.: Claude Chabrol. Com Gérard Blain, Jean-Claude Brialy, Juliette Mayniel e outros.
| Dia 20, 17h

ZAZIE NO METRÔ
(Zazie dans le Métro, França/Itália, 1960, 89 min, 35mm). Dir.: Louis Malle. Com Philippe Noiret, Antoine Roblot, Catherine Demongeot e outros.
| Dia 22, 15h

O PEQUENO SOLDADO
(Le Petit Soldat, França, 1963, 97 min, 35mm, PB). Dir.: Jean-Luc Godard. Com Anna Karina, Michel Subor, Henri-Jacques Hubet e outros.
| Dia 22, 17h

ALICE
(Alice ou la Dernière Fugue, França, 1977, 93 min, DVD). Dir.: Claude Chabrol. Com Sylvia Kristel, Charles Vanel, André Dussollier e outros.
| Dia 22, 19h30

O DESPREZO
(Le Mépris, França/Itália, 1963, 99 min, 35mm). Dir.: Jean-Luc Godard. Com Brigittte Bardot, Jack Palance, Michel Piccoli e outros.
| Dia 23, 15h

TRINTA ANOS ESTA NOITE
(Le Feu Follet, França, 1963, 110 min, 35mm, PB). Dir.: Louis Malle. Com Maurice Ronet, Léna Skerla, Yvonne Clech e outros.
| Dia 23, 17h

RIEN NE VA PLUS
(França/Suíça, 1997, 105 min, DVD). Dir.: Claude Chabrol. Com Isabelle Huppert, Michel Serrault, François Cluzet e outros.
| Dia 23, 19h30

A COLECIONADORA
(La Collectionneuse, França, 1967, 89 min, 35mm). Dir.: Eric Rohmer. Com Patrick Bauchau, Haydée Politoff, Daniel Pommereulle e outros.
| Dia 24, 15h

O GAROTO SELVAGEM
(L’Enfant Sauvage, França, 1969, 83 min, 35mm, PB). Dir.: François Truffaut. Com Jean-Pierre Cargol, François Truffaut, Françoise Seigner e outros.
| Dia 24, 17h

A TEIA DE CHOCOLATE
(Merci pour le Chocolat, França/Suíça, 2000, 99 min, 35mm). Dir.: Claude Chabrol. Com Isabelle Huppert, Jacques Dutronc, Anna Mouglalis e outros.
| Dia 24, 19h30

A NOIVA ESTAVA DE PRETO
(La Mariée Était en Noir, França/Itália, 1968, 107 min, 35mm). Dir.: François Truffaut. Com Jeanne Moreau, Michel Bouquet, Jean-Claude Brialy e outros.
| Dia 25, 15h

O JOELHO DE CLAIR
(Le Genou de Claire, França, 1970, 105 min, 35mm). Dir.: Eric Rohmer. Com Jean-Claude Brialy, Aurora Cornu, Béatrice Romand e outros.
| Dia 25, 17h

CIÚME – O INFERNO DO AMOR POSSESSIVO
(L’Enfer, França, 1994, 100 min, 35mm). Dir.: Claude Chabrol. Com Emmanuelle Béart, François Cluzet, Nathalie Cardone e outros.
| Dia 25, 19h30

ATIREM NO PIANISTA
(Tirez sur le Pianiste, França, 1960, 85 min, 35mm, PB). Dir.: François Truffaut. Com Charles Aznavour, Marie Dubois, Nicole Berger e outros.
| Dia 26, 15h

TEMPO DE GUERRA
(Les Carabiniers, França/Itália, 1963, 85 min, 35mm, PB). Dir.: Jean-Luc Godard. Com Marino Masé, Patrice Moullet, Geneviève Gálea e outros.
| Dia 26, 17h

A DAMA DE HONRA
(La Demoiselle d’Honneur, França/Alemanha/Itália, 2004, 111 min, 35mm). Dir.: Claude Chabrol. Com Benoît Magimel, Laura Smet, Aurore Clément e outros.
| Dia 26, 19h30

ASCENSOR PARA O CADAFALSO
(Ascenseur pour l’Échafaud, França, 1958, 88 min, 35mm, PB). Dir.: Louis Malle. Com Jeanne Moreau, Maurice Ronet, Georges Poujouly e outros.
| Dia 27, 15h

A COMÉDIA DO PODER
(L’Ivresse du Pouvoir, França/Alemanha, 2006, 110 min, DVD). Dir.: Claude Chabrol. Com Isabelle Huppert, François Berléand, Patrick Bruel e outros.
| Dia 27, 17h

A SEREIA DO MISSISSIPI
(La Sirène du Mississipi, França/Itália, 1969, 123 min, 35mm). Dir.: François Truffaut. Com Jean-Paul Belmondo, Catherine Deneuve, Nelly Borgeaud e outros.
| Dia 29, 19h30

MINHA NOITE COM ELA
(Ma Nuit Chez Maud, França, 1969, 110 min, 35mm, PB). Dir.: Eric Rohmer. Com Jean-Louis Trintignant, Françoise Fabian, Marie-Christine Barrault e outros.
| Dia 30, 19h30

A CARREIRA DE SUZANE
(La Carrière de Suzanne, França, 1963, 54 min, 35mm). Dir.: Eric Rohmer. Com Catherine Sée, Philippe Beuzen, Christian Charrière e outros.
| Dia 31, 15h

UM SÓ PECADO
(La Peau Douce, França/Portugal, 1964, 113 min, 35mm). Dir.: François Truffaut. Com Jean Desailly, Françoise Dorléac, Nelly Benedetti e outros.
| Dia 31, 16h30

OS AMANTES
(Les Amants, França, 1958, 90 min, 35mm). Dir.: Louis Malle. Com Jeanne Moreau, Jean-Marc Bory, Judith Magre e outros.
| Dia 31, 19h

UMA MULHER É UMA MULHER
(Une Femme Est une Femme, França/Itália, 1961, 85 min, 35mm). Dir.: Jean-Luc Godard. Com Jean-Claude Brialy, Anna Karina, Jean-Paul Belmondo e outros.
| Dia 31, 20h30

2. CLÁSSICOS DO CINEMA FRANCÊS

11 a 27 de março de 2011

CINEMATECA BRASILEIRA

Ingressos: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada)

Alphaville, de Jean-Luc Godard

França, 1965, 35mm, pb, 85’ | Legendas em português
Eddie Constantine, Anna Karina, Jean-Pierre Léaud, Akim Tamiroff

ter 15 19h00 | qua 23 21h00 | sáb 26 21h15

Ascensor para o cadafalso (Ascenseur pour l’échafaud), de Louis Malle

França, 1958, 35mm, pb, 88’ | Legendas em português

Jeanne Moreau, Maurice Ronet, Jean Wall, Georges Poujouly

sáb 12 20h30 | qui 17 19h00 | dom 27 21h00

 

Pickpocket – O Batedor de carteiras (Pickpocket), de Robert Bresson

França, 1959, 35mm, pb, 75’ | Legendas em português

Jean Pelegri, Martin Lassale, Pierre Etaix, Pierre Lemarie

dom 13 19h00 | qua 16 21h00 | qui 24 19h00

Boudu salvo das águas (Boudu sauvé des eaux), de Jean Renoir

França, 1932, 35mm, pb, 85’ | Legendas em português | Exibição em 16mm

Michel Simon, Marcelle Hainia, Sévérine Lerczinska, Jean Gehret

sex 11 18h30 | qui 17 21h00 | dom 20 18h30

 

O Corvo (Le Corbeau), de Henri-Georges Clouzot

França, 1943, 35mm, pb, 93’ | Legendas em português | Exibição em 16mm

Pierre Fresnay, Ginette Leclerc, Micheline Francey, Noël Roquevert, Héléna Manson

sex 11 20h30 | qua 16 19h00 | sáb 19 21h00

 

As Grandes manobras (Les grandes manoeuvres), de René Clair

França/Itália, 1955, 35mm, cor, 106’ | Legendas em português

Michèle Morgan, Gérard Philipe, Jean Desailly, Brigitte Bardot

sáb 12 16h30 | sex 18 21h00 | dom 27 19h00

Lola Montès, de Max Ophüls

França/Alemanha/Luxemburgo, 1955, 35mm, cor, 116’ | Legendas em português

Martine Carol, Peter Ustinov, Anton Walbrook, Lise Delamare

dom 13 17h00 | sáb 19 19h00 | qui 24 21h00

 

Meu Tio (Mon oncle), de Jacques Tati

França, 1958, 35mm, cor, 117’ | Legendas em português

Jacques Tati, Jean-Pierre Zola, Adrienne Servantie, Alain Bécourt

sáb 12 18h30 | dom 20 16h30 | sex 25 20h30

 

Meu Tio da América (Mon oncle d’Amérique), de Alain Resnais

França, 1980, 35mm, cor/pb, 125’ | Legendas em português

Gérard Depardieu, Nicole Garcia, Nelly Borgeaud, Pierre Arditi

ter 15 21h00 | dom 20 20h30 | sáb 26 19h00

Testamento de um gângster (Les Tontons flingueurs), de Georges Lautner

França/Alemanha/Itália, 1963, 35mm, pb, 105’ | Legendas em português

Lino Ventura, Bernard Blier, Francis Blanche, Claude Rich

dom 13 21h00 | sex 18 19h00 | qua 23 19h00

 

 

3.  Ciclo de Cinema Contemporâneo Francês
de 17 a 31/3

(Todos os filmes terão legendas eletrônicas em português)

Sala Lima Barreto (100 lugares) – Taxa: R$1,00 (retirada de ingressos: uma hora antes de cada sessão)

idade recomendada: 14 anos

dia 17/3 – quinta

16h Bom dia França
(Western, França, 1997, 124min – suporte 35mm)
direção: Manuel Poirier – elenco: Sergi López, Sacha Bourdo, Élisabeth Vitali, Marie Matheron, Daphné Gaudefroy

18h O último reduto
(Dernier Maquis, Argélia/França, 2008, 93min – suporte DVD)
direção: Rabah Ameur-Zaimèche – elenco: Abel Jafri, Christian Milia-Darmezin, Rabah-Ameur Zaimèche

20h Déchainés
(Déchainés, Suíca/França, 2009, 90min – suporte DVD)
direção: Raymond Vouillamoz – elenco: Adele Haenel, Irène Jacob, Paolina Biguine

dia 18/3 – sexta

16h Lírios d’água
(Naissance des Pieuvres, França, 2007, 85min – suporte 35mm)
direção: Céline Sciamma – elenco: Paulien Acquart, Louise Blachère, Adele Haenel, Warren Jacquin

18h Curling
(Canadá/França, 2010, 96min – suporte DVD)
direção: Denis Côté – elenco: Emmanuel Bilodeau, Philomène Bilodeau, Roc Lafortune, Sophie Desmarais

20h A vida sonhada dos anjos
(La vie rêvée des anges, França, 1998, 113min – suporte 35mm)
direção: Erick Zonca – elenco: Grégoire Colin, Élodie Bouchez, Jo Prestia, Natacha Régnier, Patrick Mercado

dia 19/3 – sábado

16h Medos privados em lugares públicos
(Coeurs, França, 2006, 120min – suporte 35mm)
direção: Alain Resnais – elenco: Sabine Azéma, Lambert Wilson, André Dussollier, Pierre Arditi

18h Coeur animal
(Suíça/França, 2009, 91min – suporte DVD)
direção: Séverine Cornamusaz – elenco: Antonio Buíl, Pierre-Isaie Duc, Camille Japy

20h O fabuloso destino de Amélie Poulain
(Le fabuleux destin d’Amélie Poulain, França, 2001, 120min – suporte 35mm)
direção: Jean-Pierre Jeunet – elenco: Audrey Tautou, Mathieu Kassovitz, Rufus, Yolande Moreau

dia 20/3 – domingo

16h As bicicletas de Belleville
(Les triplettes de Belleville, Inglaterra/França, 2003, 78min – suporte 35mm)
direção: Sylvain Chomet

18h A última fuga
(La dernière fugue, Canadá/França, 2010, 92min – suporte DVD)
direção: Léa Pool – elenco: Jacques Godin, Andrée Lachapelle, Yves Jacques, Aliocha Schneider

20h Serial lover
(França, 1998, 83min – suporte 35mm)
direção: James Hutch – elenco: Michèle Laroque, Albert Dupontel, Elise Tielrooy, Michel Vuillermoz

dia 22/3 – terça

16h Verso
(Bélgica/França, 2009, 105min – suporte DVD)
direção: Xavier Ruiz – elenco: Arben Bajraktaraj, Isabelle Caillat, Delphine Chanéac

18h As bicicletas de Belleville
(Les triplettes de Belleville, Inglaterra/França, 2003, 78min – suporte 35mm)
direção: Sylvain Chomet

20h Lírios d’água
(Naissance des Pieuvres, França, 2007, 85min – suporte 35mm)
direção: Céline Sciamma – elenco: Paulien Acquart, Louise Blachère, Adele Haenel, Warren Jacquin

dia 23/3 – quarta

16h Déchainés
(Déchainés, Suíca/França, 2009, 90min – suporte DVD)
direção: Raymond Vouillamoz – elenco: Adele Haenel, Irène Jacob, Paolina Biguine

18h Lírios d’água
(Naissance des Pieuvres, França, 2007, 85min – suporte 35mm)
direção: Céline Sciamma – elenco: Paulien Acquart, Louise Blachère, Adele Haenel, Warren Jacquin

20h Amores imaginários
(Les amours imaginaires, Canadá/França, 2010, 97min – suporte DVD)
direção: Xavier Dolan – elenco: Xavier Dolan, Niels Schneider, Monia Chokri, Anne Dorval

dia 24/3 – quinta

16h A esquiva
(L’Esquive, França, 2003, 117min – suporte DVD)
direção: Abdel Kechiche – elenco: Osman Elkharraz, Sara Forestier, Sabrina Ouazani, Nanou Benhamou

18h Medos privados em lugares públicos
(Coeurs, França, 2006, 120min – suporte 35mm)
direção: Alain Resnais – elenco: Sabine Azéma, Lambert Wilson, André Dussollier, Pierre Arditi

20h Um herói de nosso tempo
(Va, vis et deviens, Bélgica/França, 2005, 140min – suporte DVD)
direção: Radu Mihaileanu – elenco: Yaël Abecassis, Roschdy Zem, Moshe Agazai, Moshe Abebe

dia 25/3 – sexta

16h Amores imaginários
(Les amours imaginaires, Canadá/França, 2010, 97min – suporte DVD)
direção: Xavier Dolan – elenco: Xavier Dolan, Niels Schneider, Monia Chokri, Anne Dorval

18h Coeur animal
(Suíça/França, 2009, 91min – suporte DVD)
direção: Séverine Cornamusaz – elenco: Antonio Buíl, Pierre-Isaie Duc, Camille Japy

20h O fabuloso destino de Amélie Poulain
(Le fabuleux destin d’Amélie Poulain, França, 2001, 120min – suporte 35mm)
direção: Jean-Pierre Jeunet – elenco: Audrey Tautou, Mathieu Kassovitz, Rufus, Yolande Moreau

dia 26/3 – sábado

16h Os barões
(Les barons, Bélgica/França, 2009, 106min – suporte DVD)
direção: Nabil Ben Yadir – elenco: Nader Boussandel, Mourade Zeguendi, Monir Ait Hamou

18h Amores imaginários
(Les amours imaginaires, Canadá/França, 2010, 97min – suporte DVD)
direção: Xavier Dolan – elenco: Xavier Dolan, Niels Schneider, Monia Chokri, Anne Dorval

20h Bom dia França
(Western, França, 1997, 124min – suporte 35mm)
direção: Manuel Poirier – elenco: Sergi López, Sacha Bourdo, Élisabeth Vitali, Marie Matheron, Daphné Gaudefroy
dia 27/3 – domingo

16h A esquiva
(L’Esquive, França, 2003, 117min – suporte DVD)
direção: Abdel Kechiche – elenco: Osman Elkharraz, Sara Forestier, Sabrina Ouazani, Nanou Benhamou

18h Desde que Otar partiu
(Depuis qu’Otar est parti, Bélgica/França, 2003, 103min – suporte 35mm)
direção: Julie Bertucelli – elenco: Esther Gorintin, Nino Khomasuridze, Dinara Drukarova, Temur Kalandadze

20h Déchainés
(Déchainés, Suíca/França, 2009, 90min – suporte DVD)
direção: Raymond Vouillamoz – elenco: Adele Haenel, Irène Jacob, Paolina Biguine

dia 29/3 – terça

16h A última fuga
(La dernière fugue, Canadá/França, 2010, 92min – suporte DVD)
direção: Léa Pool – elenco: Jacques Godin, Andrée Lachapelle, Yves Jacques, Aliocha Schneider

18h Os barões
(Les barons, Bélgica/França, 2009, 106min – suporte DVD)
direção: Nabil Ben Yadir – elenco: Nader Boussandel, Mourade Zeguendi, Monir Ait Hamou

20h A vida sonhada dos anjos
(La vie rêvée des anges, França, 1998, 113min – suporte 35mm)
direção: Erick Zonca – elenco: Grégoire Colin, Élodie Bouchez, Jo Prestia, Natacha Régnier, Patrick Mercado

dia 30/3 – quarta

16h Curling
(Canadá/França, 2010, 96min – suporte DVD)
direção: Denis Côté – elenco: Emmanuel Bilodeau, Philomène Bilodeau, Roc Lafortune, Sophie Desmarais

18h O último reduto
(Dernier Maquis, Argélia/França, 2008, 93min – suporte DVD)
direção: Rabah Ameur-Zaimèche – elenco: Abel Jafri, Christian Milia-Darmezin, Rabah-Ameur Zaimèche

20h Desde que Otar partiu
(Depuis qu’Otar est parti, Bélgica/França, 2003, 103min – suporte 35mm)
direção: Julie Bertucelli – elenco: Esther Gorintin, Nino Khomasuridze, Dinara Drukarova, Temur Kalandadze

dia 31/3 – quinta

16h Serial lover
(França, 1998, 83min – suporte 35mm)
direção: James Hutch – elenco: Michèle Laroque, Albert Dupontel, Elise Tielrooy, Michel Vuillermoz

18h Verso
(Bélgica/França, 2009, 105min – suporte DVD)
direção: Xavier Ruiz – elenco: Arben Bajraktaraj, Isabelle Caillat, Delphine Chanéac

20h Um herói de nosso tempo
(Va, vis et deviens, Bélgica/França, 2005, 140min – suporte DVD)
direção: Radu Mihaileanu – elenco: Yaël Abecassis, Roschdy Zem, Moshe Agazai, Moshe Abebe

D+

11 Filmes para 2011 (e um de 2012)

Listas, listas, época de listas.

A má notícia é que em 2011, os top 11 movies you can’t live without estão muito mal distribuídos ao longo do ano. A boa notícia é que até a Páscoa, haverá muitas opções para os cinéfilos. Mas a entressafra vai ser longa, de abril a outubro. Depois, voltam algumas ótimas opções. Aconselho você a não se desesperar ainda, já que o cronograma de lançamentos costuma sofrer muitas alterações.

E a lista é a seguinte:

1. Hereafter (Além da Vida)- 7 de janeiro

Corra, meu caro, corra. Se você ainda não viu  A rede social e outras coisinhas de 2010, é melhor se apressar, pois já nesta sexta-feira 7  vem um belo filme da nova safra. O novo Clint, que mereceu uma ótima crítica da Isabela Boscov, de Veja, nesta semana. O cara parece que não erra mais, como provou em Invictus em 2009 e em Gran Torino o ano passado.  Matt Damon, que fez Invictus com o diretor declarou que topa qualquer filme com o Clint.

2.  Bravura Indômita (True Grit) – 21 de janeiro

Irmãos Coen. Faroeste. Jeff Bridges e Matt Damon (de novo!). Vá. Ponto.

3. Um lugar qualquer (Somewhere) – 28 de janeiro

Pois é, uma semana depois e já tem outra pérola. Depois de Encontros e Desencontros, temos de conferir o novo filme da Sofia Coppolla (quem diria que aquela garotinha que fez uma péssima aparição no filme do pai (O Chefão 3) se sairia uma ótima diretora?)

4- O cisne negro (Black Swan) – 4 de fevereiro

Este já anda por todas as listas de indicados a todos os prêmios, e o trabalho da Natalie Portmann vem sendo elogiadíssimo. Deve arrebatar alguns Oscars na semana anterior, por isso o lançamento vem a calhar.

5- Como você sabe (how do you know) – 4 de fevereiro

O que dizer quando temos Jack Nicholson e  James L. Brooks em uma comédia? Das últimas vezes, deu Oscar. E ele está nesta semana fatídica também, logo após a cerimônia de premiação dos homenzinhos dourados, que ocorre dia 25.1. Por que será, por que será?

Apesar disso, o filme não está com uma cotação muito boa no IMDB (5,3/10), mas em contrapartida, propõe um jogo bem curioso para responder a sua pergunta (como saber se você está amando). Vejam só:

Para jogar online, e descobrir se você está “in love”, entre aqui.

6- O discurso do Rei (the king’s speech) – 4 de fevereiro

Outro candidato a estatuetas, principalmente no quesito melhor ator, pois dizem que a interpretação de Colin Firth (que já tinha arrasado o ano passado no filme do Tom Ford) está sensacional como o rei gago.

7. Trabalho Interno (inside job) – 18 de fevereiro

tudo sobre a crise financeira de 2008. Um documentário muito elogiado. Uma de suas últimas chances para aprender como, a partir do colapso dos bancos Bear Stearns e Lehman Brothers e do resgate bilionário do AIG ($85 billioes de USD) o mundo mudou:

Os preços das casas nos USA caíram 32 % e hipotecas foram executadas em níveis recordes, o desemprego cresceu de 5% para 10% no intervalo de um ano e $700 bilhões de USD tiveram de ser lançados no sistema para salvá-lo do abismo.

8. Sobre homens e deuses ( Des Hommes et des Dieux) – 25 de fevereiro

Pela repercussão que este deixou em Cannes o ano passado, aqui está o candidato a filme francês do ano.

9.  Cópia Fiel (copie conforme) – 18 de marco

Para conferir se Juliette Binoche ganhou como melhor atriz em Cannes porque ela estava no poster do festival ou se porque realmente ela fez o seu trabalho de forma excepcional…

10.  Midnight in Paris – 7 de outubro

O Woody nosso de cada ano. O cara acaba de fazer 75 anos, é de se esperar ainda mais alguns…mas não muitos.

11. Sherlock holmes 2

Guy Ritchie realmente surpreendeu com o primeiro filme sobre o indefectível detetive, e o gancho para o segundo era uma obviedade. Os mesmos atores seguem na franquia e ganharam a companhia de ninguém menos que Noomi Rapace (a Lisbeth Salander dos filmes suecos). Arrá!

Estréia simultânea com os USA dia 16.12.

e de bandeja, um filme de 2012:

12. The Girl with the Dragon Tatoo – 10 de fevereiro de 2012

a primeira refilmagem de David Fincher, baseada na trilogia Millennium. Eles farão melhor que os suecos? Como caracterizaram Lisbeth Salander? Vão tirar as polêmicas e fazer um filme tipo cinemão, ou vão arriscar? Ver para crer.

E tudo sobre a trilogia e os filmes você encontra aqui mesmo no blog. É só ir na minha página dedicada.

Filmes para o 2º Semestre/2010

Saiu, com um mês de atraso, a lista (muito pessoal) do que vale a pena ver e já está programado para ser lançado na Telona nestes próximos cinco meses. Vamos a ela, lembrando que a lista está em ordem de lançamento previsto para SP:

1. Inception (A Origem) – 6 de Agosto

“A” Dose de ficção e originalidade da temporada, em um filme do diretor do último Batman (é, aquele do Coringa). Francamente, pelo material do site, um must-see do ano. Melhor em Imax. O site do filme já é um arraso, com uma HQ e tudo. Vale a pena visitar.

Inception - cortesia de inceptionmovie.warnerbros.com

2. The Killer inside me – data em aberto
aquele típico filme para o qual você não daria nada, mas que surpreende pela ousadia, pela intriga policial e psicológica. Cenas fortes.

3. A suprema felicidade – 8 de outubro

Pode ser tudo, obra-prima ou grande decepção, mas um filme do Jabor, a esta altura, tem de ser visto.

4. You will meet a tall dark stranger – 17 de dezembro

O Woody nosso de cada ano (Epa, mas este ano já teve “Tudo pode dar certo”, não é?) Verdade, mas este último deveria ter sido lançado em 2009 e não foi. Neste vídeo, Woody fala do novo filme em Cannes e faz piada.

5. Unstoppable – 5 de novembro

Você já viu isso antes, mas um filme com um trem descontrolado…isso tem de ser visto, sempre, é uma espécie de categoria à parte, onde cabe desde “O Expresso de Chigaco” até o “O expresso Polar”. Ótimo para metáforas corporativas….

Mais um trem desgovernado....

6. Mammuth – 26 de novembro

Os franceses têm uma obsessão por filmes que retratam o ambiente corporativo. Recentemente, tivemos uma estória nazista por trás do excelente “A questão Humana”. Este, embora trate de um recém-aposentado, mostra uma “viagem” de Gerard Depardieu aos seus empregos antigos, em busca de justiça, já que os empregadores lhe devem certas coisas. Humor francês.

Além destes 6, dois Documentários que considero imperdíveis:

Uma noite em 67“, sobre o festival da Record de 1967, já em cartaz, e Raul, o início, o fim e o meio sobre o Maluco Beleza…

É isso aí

Crítica do Cinema Francês : Mademoiselle Chambon

O silêncio só pode ser rompido pelo sublime, parece nos querer dizer o diretor Brizé. No filme, uma história de amor simples, entre um pedreiro e uma professora de primário, vale o que não está dito. Mas não é preciso muito mais que alguns minutos para que se perceba todo o potencial deste não-falado, não-comunicado. A atuação dos protagonistas é estupenda, sensível e jamais previsível. Jean, o pedreiro, só sabe o que é concreto, sólido como as fundações que faz, não tem nenhuma intimidade com as palavras e o mundo intangível. Já a professora, não sabe concretar nada, vive no que poderia ser e não naquilo que é. Tem uma total inadequação ao mundo real. A forma como ela tenta trazer Jean para o seu mundo é custosa, indireta, torta ao extremo. O telefonema que ela recebe da mãe, e que ela não atende, oferece uma boa pista para a sua reclusão e seu modo errante de vida. A forma como Jean tenta trazê-la para perto de si é igualmente irregular, quase um nada, distante e penosa também. A conversão dos dois modos se dá sofregamente. Mademoiselle Chambon, a professora, concretiza no violino o que não sabe expressar de outra forma, e Jean entende perfeitamente o que quer e não sabe dizer.

E o filme segue nesse não-dizer, mas comunicando tudo pelos olhares intensos, pelo gestual contido mas cheio de tensão, pelo quase-toque de mão, pelo quase sufocar. Poucas vezes o silêncio fez tão bem à alma.

Crítica do cinema francês : Grandes Mulheres

Curioso como em um curto espaço de tempo o cinema francês acabou produzindo dois filmes muito semelhantes na temática, abordando a vida de duas grandes damas da França no século XX. Piaf e Coco avant Chanel são obras similares até na estrutura narrativa, pois ambos iniciam-se na infância pobre das duas personagens, falam das tragédias particulares dessas grandes personagens e enaltecem ao máximo suas personalidades fortes. Dois filmes que souberam fazer uma reconstrução primorosa de época. De forma muito curiosa, a música também tem um papel importante para Coco, não só para Piaf.

A sinalar também a relação destas mulheres fortes e seus companheiros. Enquanto Piaf parece sempre estar à frente de seus homens, embora dependente do amor deles, Coco, como retratada no filme, parece criar uma relação oportunística, explorando e deixando-se explorar pelos amantes. Em ambos filmes, quando o pior acontece, a reação de ambas é tão díspar, que evidencia enormemente esta diferença. O trabalho de maquiagem não é tão expressivo em Coco, pois o período retratado da personagem coincide mais com a idade real de Audrey, ao passo que em Piaf, Marion Cotilliard, para virar Piaf, necessita de todas as armas em termos de pós e máscaras.

De qualquer modo, ótimas indicações, ambos os filmes.

É isso aí,