Dez ótimos filmes para refletirmos sobre Gestão e Carreira

Esta é a minha lista de filmes para instigar discussões úteis no ambiente corporativo. Não espere encontrar aqui os grandes blockbusters (A rede social, Jobs, A firma). Aqui trago filmes com maior grau de reflexão, porém, nem tão famosos. Posso ter deixado algo importante de lado, mas aqui vocês encontrarão material cinematográfico de primeira e envolvendo temas da mais alta relevância para o mundo dos negócios, fruto de uma incessante garimpagem. Como cultivo muito essa aliança da sétima arte com o Management, deixou-os à vontade para comentar que outros filmes poderiam abrilhantar esta lista.

  1. O que você faria? (El método, Espanha, 2005)

Direção de Marcelo Piñeyro

Começando por onde se entra nas empresas, o temível Recrutamento. Este é o famoso filme do “método Grönholm’. A luta desenfreada de sete candidatos por uma vaga. Um pouco fantasioso é claro, mas é bom não desprezar a criatividade dos recrutadores hoje em dia.

2. Em boa companhia (In Good company, EUA, 2004)

Com Dennis Quaid e Scarlet Johansson. Direção de Paul Weitz.

Um dos melhores da lista, porque quase que inteiramente filmado em ambiente corporativo,e para quem está em algum processo de fusão, imperdível. Para quem está longe disso, concentre-se na cena em que o novo CEO dá um discurso para lá de vazio aos funcionários e recebe um petardo impagável na forma de uma pergunta de um dos funcionários “adquiridos”. (Dennis Quaid, ótimo). E a resposta do CEO é outra coisa que não está no gibi.

3. Com o dinheiro dos outros (Other people’s Money, EUA, 1991)

Direção Norwan Jewison, com Danny de Vito e Gregory Peck

O filme com a visão do acionista em uma ação de “take-over hostil”. Memorável a cena da assembleia, onde se enfrentam as duas visões de mundo que o filme coloca em confronto: os “abutres de wall street” e os que fazem negócio por absoluta paixão e desprendimento. Se não me engano, também tem uma cena impagável onde Danny demonstra o básico do economês para os antigos donos do negócio em um quadro negro.

4. As confissões de Schmidt (About Schmidt, EUA, 2002)

Direção de Alexander Payne, com Jack Nicholson

O Diretor do aclamado Nebraska, entre outros grandes filmes (Os descendentes , Sideways) já mostrava em 2002 o que sabia fazer com muita veemência. O drama do despreparo para a aposentadoria em um filme tocante, que aborda ainda relações familiares de um jeito muito peculiar. Jack Nicholson extraordinário, com sua cara de frustrado permanente.

5. O sucesso a qualquer preço (Glendgarry Glen Ross, EUA, 1992)

Dirigido por James Foley com roteiro do grande David Mammet.

Al Pacino em grande performance, unido a grande elenco (Jack Lemmon, Alec Baldwin, Ed Harris, Kevin Spacey). A rotina de um grupo de vendedores é perturbada pela introdução de

uma competição entre eles. O melhor vendedor leva um bônus, o pior….é despedido. A regra do “Neutron Jack” explorada ao extremo.

6. Sobre aquele que nada fazia e um dia fez (Brasil, 2003)

Este é um curta gaúcho de 2003, vencedor de uma série ótima da RBS TV. Uma metáfora interessante sobre a futilidade de hoje nas empresas. A personagem principal, Ary, descobre que sua promoção está em risco pela chegada de um competidor mais jovem. Ary apela então para o “extraordinário”, quer “mudar” e vai em busca de uma opção que o deixe “moderno”. Dura cerca de 15 minutos e pode ser visto online. Humor refinado.

7. A corporação (The Corporation, Canadá, 2003)

Um documentário bomba, que questiona as corporações e seu papel na sociedade moderna. Imperdível, nem que seja para você contestar a visão do filme, muito para lá da terceira via em relação às externalidades causadas pelas empresas na sociedade. Uma visão ácida das corporações.

8. Sociedade dos poetas mortos (Dead poets society, EUA, 1989)

Direção de Peter Weir, com Robin William e os jovens Robert Sean Leonard e Ethan Hawke. Imperdível pela alta dosagem de inovação e criatividade que o Professor Keating (Williams, em um de seus melhores papéis) injeta nos jovens embrutecidos pelas amarras rígidas do código social vigente. Um filme com potencial de transformar qualquer um. Se você for jovem veja imediatamente, se você for mais crescidinho, veja também. Sempre é tempo.

9. Tucker (Tucker, EUA, 1988)

Direção de Francis Ford Coppola, com Jeff Bridges

A inovação, o espírito criativo, os erros, tudo sobre este processo fascinante na vida de Tucker, o homem que queria revolucionar o automóvel. A inovação vista por dentro.

10. A questão humana (La question humaine, França, 2007)

Direção de Nicolas Klotz, com Mathieu Amalric

E se na empresa em que você trabalhasse eclodisse uma crise ética de altas proporções? O filme vai até o fim na busca das respostas. Profundo, reflexivo, europeu até a espinha.

Boa sessão, ou sessões!

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Top 5 James Bond songs ever (no, Adele is not part of it) / As melhores músicas de James Bond (não deu, Adele)

5. Diamonds are Forever. No início da série, Shirley Bassey emplacou três canções. As outras duas também são interessantes (Goldfinger e Moonracker), mas esta, com esta letra, deixa as demais para trás. Um golaço.

4. License to Kill. Um hit pop, o vozeirão de Gladys Knight e a orquestra. Puro Bond.

3. Live and Let Die. Tida por muitos como a melhor de todas, com Sir Paul McCartney e The Wings. Eu quase concordo.

2. If There Was a Man. A surpresa da lista, pois esta é uma música secundária do filme “The Living Daylights”, que rola nos créditos finais. Os Pretenders e a voz incrível de Chrissie Hynde arrassaram. Bond também ama.

1. Nobody Does it Better. Carly Simon e a essência de Bond. Minha favorita.

Argo: Filme-Mentira, Cinema de Verdade

Ben Affleck realiza uma façanha com este filme, e bastam os primeiros minutos para que você entenda isso e mergulhe com tudo na proposta que ele nos faz. A reprodução da invasão da embaixada americana em Teerã em 1979, alavancada pela fúria dos revolucionários islâmicos contra a decisão dos EUA de não extraditar o xá Reza Pahlevi de volta ao Irã é feita com esmero jornalístico e amplo domínio dos movimentos dos atores, música e belíssimo jogo de câmera. E o melhor é que cada nova tomada justifica-se, o timing é ótimo ao longo de toda a película até o final, um tanto espetacular, mas ainda assim, muito satisfatório.

O filme é baseado em uma estória real, revelada ao mundo em 1997, sobre como a CIA resolveu resgatar 6 funcionários que haviam escapado da embaixada momentos antes de ela ser completamente tomada pelos adeptos de Khomeini, refugiando-se na casa do embaixador canadense. A princípio alicerçada em uma ideia estapafúrdia, de simular a filmagem de um roteiro de ficção cientifica (o tal ARGO), as engrenagens da aliança CIA-hollywood-Canadá acabam por viabilizar o projeto, e Affleck, também o protagonista, lança-se no meio do caos para fazer a exfiltração dos 6 americanos. A dimensão da dificuldade da operação é dada por Affleck, ao comentar sobre a empreitada com os chefões da Agência de inteligência: “exfiltrações são como abortos. Você não quer ter de fazer um, mas se for preciso, não vai querer fazer você mesmo”

O agente de Affleck, Tony Mendes, não é Bond. Não há glamour, há apenas um trabalho a ser feito.  Mendes sofre, tem medo e, pior de tudo, depende muito de seus 6 alvos para também sair ileso do Irã. Toda esta tensão é muito bem retratada no filme, mas contrabalançada com mestria nas cenas onde Hollywood é pano de fundo, especialmente pelas participações geniais de John Goodman e Alan Arkin, como os que são engajados pela CIA para “produzir” o não-filme Argo. As frases lapidares que são proferidas pela personagem de Goodman são um ótimo exemplo de como Hollywood sabe fazer piada de si mesma.

Argo é no todo uma bela produção, que aparece muito bem cotada para a temporada de premiações que se aproxima.

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Skyfall e A Sociedade dos Heróis Mortos

Quando tudo vira só uma tênue esperança, é usual nos agarramos ao inesperado, ao mágico, ao sobrenatural. E aos heróis, sejam eles precedidos ou não do prefixo super. Estamos talhados para isso desde nossos primórdios, é nossa formação. A capacidade Humana de gerar inovações neste novo Milênio só parece poder ser superada para nossa igualmente voraz capacidade de gerar crises, cataclismos e catástrofes. E não importa que cada vez mais saibamos mais sobre tudo. O problema é que o Tudo insiste em se expandir inconteste, gerando novos problemas, estes ainda mais complexos que os anteriores, atingindo fronteiras antes impensáveis. Ok, achamos o Bóson de Higgins, e agora?

Como ensinou Jean Monnet, “só aceitamos a mudança na necessidade e só vemos a necessidade na crise”. A crise está por toda parte e, conseqüência natural, as mudanças que ela causa. A nova moda é a descrença na crença. Assolados pelas inúmeras catástrofes, exógenas ou auto impostas, passamos a  duvidar de nossa própria imaginação e potencial de resposta.  A Humanidade poucas vezes teve tantas possibilidades de dar errado como Raça. Colapso climático, superpulação, choque de asteróides, falta de água, hecatombe nuclear, mega-giga-tera bactérias, terrorismo desenfreado, explosão zumbi, you name it. Parece não haver saída. 

O Homem, então, revisita seus símbolos e se questiona se sairá vivo desta. Há um fortíssimo núcleo de desesperançados correndo solto por aí, tomando de assalto a liderança e provocando a mudança. No cinema, eles fazem nossos heróis sucumbir inapelavelmente.

Webb já havia humanizado o Homem-Aranha e Chris Nolan matou Batman sem dó nem piedade, transformando-o em um impotente contra o Mal avassalador que vem das Sombras. O último Batman de sua trilogia é um inflamado discurso nesta direção. Batman tenta, ressurge depois de oito anos na obscuridade, mas é cada menos o Salvador. É estoico, mas sabe que é falível. E as sombras penetraram fundo na alma de Gotham.

As mesmas sombras estão muito presentes em Skyfall, a 23ª aventura de James Bond, onde Sam Mendes assume o papel de iconoclasta da vez.  O inimigo vem de dentro do próprio MI-6, bastião da honra e da retidão. Não há escapatória. Tanto que M, papel de Judi Dench, a certa altura da trama, revela: “não sabemos quem são nossos inimigos, eles estão nas Sombras. Vocês se sentem seguros?”

Bond não se sente. Sucumbe. Daniel Craig é o Bond mais viril, truculento e carismático, ombreando Sean Connery, sem dúvida alguma. Mas Mendes descaracteriza o herói por completo, tirando-lhe mulheres, gadgets e os martinis, e lhe entregando um efeminado Javier Bardem como alvo. Bardem longe de seu melhor, aliás. E mesmo este Bond viril ao extremo não termina bem suas lutas. Não finaliza com precisão, hesita, erra. Quem é Bond agora? Um Highlander dos grotões da Escócia, defendendo a mãezinha, ajudado por um menino imberbe. O Mito cai. Bond é um Humano comum.

O filme é instigante e tem todos os méritos ao repensar o personagem, um dos mais emblemáticos e longevos da indústria do entretenimento. O Mundo sem Esperança precisava de um novo tipo de Bond. Mendes, Sam Mendes faz o serviço e entrega este Bond duro, leal e rude. Sua grande estratégia é o constrate com o Bond idealizado. Em uma cena emblemática, os espectros de Bond e um de seus algozes lutam com um grande telão do assombroso skyline de Shanghai como pano de fundo. O brilhante mundo novo com velhos heróis foscos a lhe fazer apenas sombra.

Bond, James Bond. Fui um bom herói, mas não sirvo para os novos tempos. Estou envelhecendo. Falho como qualquer outro. Preciso de muita  ajuda para o combate e de trapaças para voltar à ativa.

A tela flui rápida e duas horas e vinte minutos depois a sensação é agradável, todos entregam muito, o filme tem elenco e não apenas Craig. Ralph Fiennes parece ser uma ótima aquisição para a série.

Mendes inova muito. Q encontra Bond diante de uma tela de Turner e faz M, de novo, ter o momento mais ímpar do filme, ao recitar Tennyson e resumir tudo (embora ainda deixando uma última gota de esperança):

We are not now that strength which in old days

Moved earth and heaven; that which we are, we are;

One equal temper of heroic hearts,

Made weak by time and fate, but strong in will

To strive, to seek, to find, and not to yield.

Será?

Nosso heróis ainda não morrem de overdose, mas falta pouco.

Crítica do cinema francês – Intocáveis / Intouchables

Embora na mesma cidade, eles eram completamente diferentes e o encontro entre ambos, quase impossível. Um, podre de rico, branco, cercado de todas as regalias, vivendo dentro de uma bolha protetora contra toda e qualquer imundície do mundo real lá fora. Apenas um problema, ele é tetraplégico. Outro, podre de pobre, negro, cercado de todas as imundícies do mundo real, sua única bolha protetora é via o escapismo da droga. Mas de repente todos os tais seis degraus de separação vão se fusionando na tela à sua frente. Todas as intrincadas peças do mecanismo do Acaso se movem para criar uma conjunção inusitada. O encontro se dá. O improvável está diante do inesperado. O que nunca poderia acontecer, surge. Eles se cruzam, convivem, se tocam. Muito. Intocável é o que não existe. O resto tudo é muito tocável. E você vai rir e chorar. Não necessariamente nesta ordem e menos ainda de forma organizada. Todas as emoções vão se embaralhar em você, como cartas jogadas a esmo.  O momento de tensão vira piada. O escracho quer te dizer alguma coisa, e o aperto no peito é para te dar centro.

É bom ficar de olho em Toledano / Nakache. Os caras já fizeram alguns filmes juntos e parecem sólidos. Na trilha dos Coen. François Cluzet renasce esplêndido, merecidamente. E Omar Sy é brilhante, para dizer o mínimo. Você vai se lembrar de O escafandro e a borboleta, igualmente baseado em uma história real e com um personagem principal fisicamente incapacitado. Mas este Intocáveis atinge um patamar superior. Talvez por dar mais leveza, por não sentir pena em nenhum momento. Philippe mesmo afirma que não quer compaixão. Philippe paga por serviços e só.

Muitos qualificam o filme como comédia. Para mim este filme é essencialmente a vitória do Humano. Emoção do primeiro ao último pedaço de celulóide. O que é intocável é aquilo que a nossa cegueira nos impede de ver à nossa frente, aquilo que a nossa insensibilidade tenta esconder. E como dizem os ingleses, stay in touch. É isso que faz a diferença. Ainda há esperança. Toque de gênio.

13 filmes imperdíveis para este restinho de ano

Meus caros, olho vivo que já tem gente planejando a ceia de Natal. Fica aqui a minha lista de 13 prioridades para os cinéfilos de plantão. Isto não é um ranking, por isso todos os filmes são precedidos do número 1. Mas a lista segue mais oou menos a ordem prevista para a estréia no Brasil.

  1. Carnage (Deus da Carnificina)

De Polanksi, com elenco bárbaro. O homem continua bem, sarcástico ao máximo. Ghost Writer provou.

  1. The Mill and the Cross (O Moinho e a Cruz)

Verei por interesse artístico. Baseado na tela abaixo Brugel, tal como já foi feito com A garota do brinco de pérola, de Vermeer.

  1. On the road – Na Estrada

Waltinho não levou prêmio mas seu filme sobre a obra “infilmável de Kerouac arrasou em Cannes. Beatnicks, uni-vos!

  1. Prometheus

Em Imax. Ridley Scott, o homem que quer fazer uma sequência para Blade Runner. Vamos ver como ele se saiu na prequel de Alien. Pelamordedeus!

  1. Dark shadows (Sombras da Noite)

Burton. Será que ele já sarou, depois de ter caído na toca do Coelho Maluco?

  1. Fausto

incrível versão da lenda de Goethe. Incrível como já remarcaram a estréia deste filme. Leão de Ouro em Veneza 2011. Não garanto que saia este ano.

  1. To Rome with Love ( Para Roma com Amor)

Allen. Ponto.

  1. Dark Knight rises ( Batman, O Cavaleiro das trevas ressurge)

o último Batman. Bale. Nolan com alguns dos vícios de Inception , mas e daí?

  1. Somos tão jovens

Este é o ano Legião.

        1. Skyfall (Operação Skyfall)

Bond. certas coisa não envelhecem.

        1. Frankenweenie

Burton. Já totalmente curado, com certeza.

         1. Gambit

com roteiro dos irmãos Coen. Detalhes aqui.

         1. The Hobbit

My precious.