Crítica do cinema francês – Intocáveis / Intouchables

Embora na mesma cidade, eles eram completamente diferentes e o encontro entre ambos, quase impossível. Um, podre de rico, branco, cercado de todas as regalias, vivendo dentro de uma bolha protetora contra toda e qualquer imundície do mundo real lá fora. Apenas um problema, ele é tetraplégico. Outro, podre de pobre, negro, cercado de todas as imundícies do mundo real, sua única bolha protetora é via o escapismo da droga. Mas de repente todos os tais seis degraus de separação vão se fusionando na tela à sua frente. Todas as intrincadas peças do mecanismo do Acaso se movem para criar uma conjunção inusitada. O encontro se dá. O improvável está diante do inesperado. O que nunca poderia acontecer, surge. Eles se cruzam, convivem, se tocam. Muito. Intocável é o que não existe. O resto tudo é muito tocável. E você vai rir e chorar. Não necessariamente nesta ordem e menos ainda de forma organizada. Todas as emoções vão se embaralhar em você, como cartas jogadas a esmo.  O momento de tensão vira piada. O escracho quer te dizer alguma coisa, e o aperto no peito é para te dar centro.

É bom ficar de olho em Toledano / Nakache. Os caras já fizeram alguns filmes juntos e parecem sólidos. Na trilha dos Coen. François Cluzet renasce esplêndido, merecidamente. E Omar Sy é brilhante, para dizer o mínimo. Você vai se lembrar de O escafandro e a borboleta, igualmente baseado em uma história real e com um personagem principal fisicamente incapacitado. Mas este Intocáveis atinge um patamar superior. Talvez por dar mais leveza, por não sentir pena em nenhum momento. Philippe mesmo afirma que não quer compaixão. Philippe paga por serviços e só.

Muitos qualificam o filme como comédia. Para mim este filme é essencialmente a vitória do Humano. Emoção do primeiro ao último pedaço de celulóide. O que é intocável é aquilo que a nossa cegueira nos impede de ver à nossa frente, aquilo que a nossa insensibilidade tenta esconder. E como dizem os ingleses, stay in touch. É isso que faz a diferença. Ainda há esperança. Toque de gênio.

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Critica do cinema francês – Esposa troféu (Potiche)

François Ozon faz aqui um retrato sensacional dos anos 70, neste filme que é ao mesmo tempo irônico e requintado. Ele abusou do deboche e do escracho, mas não transformou este material em um pastelão, pelo contrário, o riso correu solto devido à inteligência das cenas criadas. Potiche é um filme-crítica às organizações e a CEOs fanfarrões e ao mesmo tempo um filme de época. Vale muito a pena. Um filme que ri de si mesmo a todo tempo, começando por usar atores-fetiche do cinemão francês, os ícones Catherine Deneuve e Gerard Depardieu, em papéis sem nenhum glamour. Ri também ao estereotipar tipos como os sindicalistas e os(as) “filhinhos(as) de papai”.

Não são muitos os filmes que retratam bem a vida nas corporações, mas os franceses quando o fazem, costumam acertar, basta lembrar “A Questão Humana”, e a brilhante comédia “O Corte” . Em Potiche, mais um acerto, especialmente no tom sarcástico que usa ao retratar as relações empresa-sindicato-empregados.

Ozon é mestre em criar situações que insinuam possíveis bifurcações para a estória, somente para logo em seguida desmontá-las habilmente, conduzindo a trama para uma terceira via também eficaz. Com isso, o roteiro funciona, tem ótimo timing.

Agora, o maior triunfo do filme é sem dúvida Fabriche Luchini, que está absolutamente sensacional como o CEO.

Resumo (mesmo! ) de férias

Gene Kelly dancing while singing the title son...
Image via Wikipedia

Filmes:

Os doze condenados (12 Angry Men) – nunca deixe de expressar sua opinião

A viagem de chihiro – alguém pode me explicar ?

Esposa troféu (Potiche) – genial, Ozon! Luchini é um furação na tela.

Dançando na chuva (Singin’ In The Rain) – bom de rever

A outra (Another Woman) – Um Woody mais pesado, fase Bergman, para fazer contra-ponto com seus filmes mais leves atuais

Um dia de cão (Dog Day Afternoon) – Pacino, Pacino!

Minha versão do amor (Barney’s Version) – Imperdível, Paul Giamati dá um show e ótima ponta de Dustin Hofmann

The Adjustment Bureau – Se algum dia você fez um Plano, você vai gostar.

Cisne Negro (Black Swan) – bom, intenso.

Livros :

Our Choice – o ebook alçado a um outro patamar.

Liberdade (Freedom) – sigo a leitura no pós-férias, half way thru

Expo:

6 bilhões de outros – curioso, agora Yann Arthur tem a visão do todo e do individual. Parece que ele leu Lispector, ” a impessoalidade absoluta do mundo versus a minha individualidade como pessoa”

Kubrick em Paris, na Cinemateque > Muito bom, toda a filmografia do cara, inclusive os filmes que ele não fez.

Tv:

Guerra dos tronos (Game of Thrones)  > até agora, não chegou lá. A Terra Média segue imbatível.

O melhor do cinema francês estará em março em São Paulo!

Rue Francois Truffaut

São três (!) mostras dentro da Semana da Francofonia. Absolutamente TUDO o que é importante da Nouvelle Vague está aí, ótimos exemplos dos clássicos e do cinema contemporâneo também. Como é impossível ver tudo, minhas sugestões vão destacadas na enorme lista abaixo. Alonsenfant!

1. SEMANA DA FRANCOFONIA: “CLAUDE CHABROL E OUTROS AUTORES DA NOUVELLE VAGUE”
Galeria Olido – Cine Olido. Centro. De 17 a 31. +16 anos. R$ 1

HIROSHIMA MEU AMOR
(Hiroshima Mon Amour, França/Japão, 1959, 90 min, 35mm, PB). Dir.: Alain Resnais. Com Emmanuelle Riva, Eiji Okada, Stella Dassas e outros.
| Dias 17, 15h. Dia 29, 17h

TIO VÂNIA EM NOVA IORQUE
(Vanya on 42nd Street, EUA, 1994, 119 min, 35mm). Dir.: Louis Malle. Com Phoebe Brand, Lynn Cohen, George Gaynes e outros.
| Dia 17, 17h

NAS GARRAS DO VÍCIO
(Le Beau Serge, França, 1958, 98 min, DVD, PB). Dir.: Claude Chabrol. Com Gérard Blain, Jean-Claude Brialy, Michèle Méritz e outros.
| Dia 17, 19h30. Dia 29, 15h

LOLA, A FLOR PROIBIDA
(Lola, França, 1961, 90 min, 35mm, PB). Dir.: Jacques Demy. Com Anouk Aimée, Marc Michel, Jacques Harden e outros.
| Dia 18, 15h. Dia 30, 17h

OS INCOMPREENDIDOS
(Les 400 Coups, França, 1959, 94 min, DVD, PB). Dir.: François Truffaut. Com Jean-Pierre Léaud, Claire Maurier, Albert Rémy e outros.
| Dia 18, 17h

DELEGADO LAVARDIN
(Inspecteur Lavardin, França/Suíça, 1986, 100 min, 35mm). Dir.: Claude Chabrol. Com Jean Poiret, Jean-Claude Brialy, Bernadette Lafont e outros.
| Dia 18, 19h30. Dia 30, 15h

O SIGNO DO LEÃO
(Le Signe du Lion, França, 1959, 98 min, 35mm, PB). Dir.: Eric Rohmer. Com Jess Hahn, Michéle Girardon, Van Doude e outros.
| Dia 19, 15h

ALPHAVILLE
(Alphaville, une Étrange Aventure de Lemmy Caution, França/Itália, 1965, 99 min, 35mm, PB). Dir.: Jean-Luc Godard. Com Eddie Constantine, Anna Karina, Akim Tamiroff e outros.
| Dia 19, 17h

MADAME BOVARY
(França, 1991, 143 min, DVD). Dir.: Claude Chabrol. Com Isabelle Huppert, Jean-François Balmer, Christophe Malavoy e outros.
| Dia 19, 19h30

BEIJOS PROIBIDOS
(Baisers Volés, França, 1968, 90 min, 35mm). Dir.: François Truffaut. Com Jean-Pierre Léaud, Delphine Seyrig, Claude Jade e outros.
| Dia 20, 15h

OS PRIMOS
(Les Cousins, França/Alemanha, 1959, 112 min, DVD, PB). Dir.: Claude Chabrol. Com Gérard Blain, Jean-Claude Brialy, Juliette Mayniel e outros.
| Dia 20, 17h

ZAZIE NO METRÔ
(Zazie dans le Métro, França/Itália, 1960, 89 min, 35mm). Dir.: Louis Malle. Com Philippe Noiret, Antoine Roblot, Catherine Demongeot e outros.
| Dia 22, 15h

O PEQUENO SOLDADO
(Le Petit Soldat, França, 1963, 97 min, 35mm, PB). Dir.: Jean-Luc Godard. Com Anna Karina, Michel Subor, Henri-Jacques Hubet e outros.
| Dia 22, 17h

ALICE
(Alice ou la Dernière Fugue, França, 1977, 93 min, DVD). Dir.: Claude Chabrol. Com Sylvia Kristel, Charles Vanel, André Dussollier e outros.
| Dia 22, 19h30

O DESPREZO
(Le Mépris, França/Itália, 1963, 99 min, 35mm). Dir.: Jean-Luc Godard. Com Brigittte Bardot, Jack Palance, Michel Piccoli e outros.
| Dia 23, 15h

TRINTA ANOS ESTA NOITE
(Le Feu Follet, França, 1963, 110 min, 35mm, PB). Dir.: Louis Malle. Com Maurice Ronet, Léna Skerla, Yvonne Clech e outros.
| Dia 23, 17h

RIEN NE VA PLUS
(França/Suíça, 1997, 105 min, DVD). Dir.: Claude Chabrol. Com Isabelle Huppert, Michel Serrault, François Cluzet e outros.
| Dia 23, 19h30

A COLECIONADORA
(La Collectionneuse, França, 1967, 89 min, 35mm). Dir.: Eric Rohmer. Com Patrick Bauchau, Haydée Politoff, Daniel Pommereulle e outros.
| Dia 24, 15h

O GAROTO SELVAGEM
(L’Enfant Sauvage, França, 1969, 83 min, 35mm, PB). Dir.: François Truffaut. Com Jean-Pierre Cargol, François Truffaut, Françoise Seigner e outros.
| Dia 24, 17h

A TEIA DE CHOCOLATE
(Merci pour le Chocolat, França/Suíça, 2000, 99 min, 35mm). Dir.: Claude Chabrol. Com Isabelle Huppert, Jacques Dutronc, Anna Mouglalis e outros.
| Dia 24, 19h30

A NOIVA ESTAVA DE PRETO
(La Mariée Était en Noir, França/Itália, 1968, 107 min, 35mm). Dir.: François Truffaut. Com Jeanne Moreau, Michel Bouquet, Jean-Claude Brialy e outros.
| Dia 25, 15h

O JOELHO DE CLAIR
(Le Genou de Claire, França, 1970, 105 min, 35mm). Dir.: Eric Rohmer. Com Jean-Claude Brialy, Aurora Cornu, Béatrice Romand e outros.
| Dia 25, 17h

CIÚME – O INFERNO DO AMOR POSSESSIVO
(L’Enfer, França, 1994, 100 min, 35mm). Dir.: Claude Chabrol. Com Emmanuelle Béart, François Cluzet, Nathalie Cardone e outros.
| Dia 25, 19h30

ATIREM NO PIANISTA
(Tirez sur le Pianiste, França, 1960, 85 min, 35mm, PB). Dir.: François Truffaut. Com Charles Aznavour, Marie Dubois, Nicole Berger e outros.
| Dia 26, 15h

TEMPO DE GUERRA
(Les Carabiniers, França/Itália, 1963, 85 min, 35mm, PB). Dir.: Jean-Luc Godard. Com Marino Masé, Patrice Moullet, Geneviève Gálea e outros.
| Dia 26, 17h

A DAMA DE HONRA
(La Demoiselle d’Honneur, França/Alemanha/Itália, 2004, 111 min, 35mm). Dir.: Claude Chabrol. Com Benoît Magimel, Laura Smet, Aurore Clément e outros.
| Dia 26, 19h30

ASCENSOR PARA O CADAFALSO
(Ascenseur pour l’Échafaud, França, 1958, 88 min, 35mm, PB). Dir.: Louis Malle. Com Jeanne Moreau, Maurice Ronet, Georges Poujouly e outros.
| Dia 27, 15h

A COMÉDIA DO PODER
(L’Ivresse du Pouvoir, França/Alemanha, 2006, 110 min, DVD). Dir.: Claude Chabrol. Com Isabelle Huppert, François Berléand, Patrick Bruel e outros.
| Dia 27, 17h

A SEREIA DO MISSISSIPI
(La Sirène du Mississipi, França/Itália, 1969, 123 min, 35mm). Dir.: François Truffaut. Com Jean-Paul Belmondo, Catherine Deneuve, Nelly Borgeaud e outros.
| Dia 29, 19h30

MINHA NOITE COM ELA
(Ma Nuit Chez Maud, França, 1969, 110 min, 35mm, PB). Dir.: Eric Rohmer. Com Jean-Louis Trintignant, Françoise Fabian, Marie-Christine Barrault e outros.
| Dia 30, 19h30

A CARREIRA DE SUZANE
(La Carrière de Suzanne, França, 1963, 54 min, 35mm). Dir.: Eric Rohmer. Com Catherine Sée, Philippe Beuzen, Christian Charrière e outros.
| Dia 31, 15h

UM SÓ PECADO
(La Peau Douce, França/Portugal, 1964, 113 min, 35mm). Dir.: François Truffaut. Com Jean Desailly, Françoise Dorléac, Nelly Benedetti e outros.
| Dia 31, 16h30

OS AMANTES
(Les Amants, França, 1958, 90 min, 35mm). Dir.: Louis Malle. Com Jeanne Moreau, Jean-Marc Bory, Judith Magre e outros.
| Dia 31, 19h

UMA MULHER É UMA MULHER
(Une Femme Est une Femme, França/Itália, 1961, 85 min, 35mm). Dir.: Jean-Luc Godard. Com Jean-Claude Brialy, Anna Karina, Jean-Paul Belmondo e outros.
| Dia 31, 20h30

2. CLÁSSICOS DO CINEMA FRANCÊS

11 a 27 de março de 2011

CINEMATECA BRASILEIRA

Ingressos: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada)

Alphaville, de Jean-Luc Godard

França, 1965, 35mm, pb, 85’ | Legendas em português
Eddie Constantine, Anna Karina, Jean-Pierre Léaud, Akim Tamiroff

ter 15 19h00 | qua 23 21h00 | sáb 26 21h15

Ascensor para o cadafalso (Ascenseur pour l’échafaud), de Louis Malle

França, 1958, 35mm, pb, 88’ | Legendas em português

Jeanne Moreau, Maurice Ronet, Jean Wall, Georges Poujouly

sáb 12 20h30 | qui 17 19h00 | dom 27 21h00

 

Pickpocket – O Batedor de carteiras (Pickpocket), de Robert Bresson

França, 1959, 35mm, pb, 75’ | Legendas em português

Jean Pelegri, Martin Lassale, Pierre Etaix, Pierre Lemarie

dom 13 19h00 | qua 16 21h00 | qui 24 19h00

Boudu salvo das águas (Boudu sauvé des eaux), de Jean Renoir

França, 1932, 35mm, pb, 85’ | Legendas em português | Exibição em 16mm

Michel Simon, Marcelle Hainia, Sévérine Lerczinska, Jean Gehret

sex 11 18h30 | qui 17 21h00 | dom 20 18h30

 

O Corvo (Le Corbeau), de Henri-Georges Clouzot

França, 1943, 35mm, pb, 93’ | Legendas em português | Exibição em 16mm

Pierre Fresnay, Ginette Leclerc, Micheline Francey, Noël Roquevert, Héléna Manson

sex 11 20h30 | qua 16 19h00 | sáb 19 21h00

 

As Grandes manobras (Les grandes manoeuvres), de René Clair

França/Itália, 1955, 35mm, cor, 106’ | Legendas em português

Michèle Morgan, Gérard Philipe, Jean Desailly, Brigitte Bardot

sáb 12 16h30 | sex 18 21h00 | dom 27 19h00

Lola Montès, de Max Ophüls

França/Alemanha/Luxemburgo, 1955, 35mm, cor, 116’ | Legendas em português

Martine Carol, Peter Ustinov, Anton Walbrook, Lise Delamare

dom 13 17h00 | sáb 19 19h00 | qui 24 21h00

 

Meu Tio (Mon oncle), de Jacques Tati

França, 1958, 35mm, cor, 117’ | Legendas em português

Jacques Tati, Jean-Pierre Zola, Adrienne Servantie, Alain Bécourt

sáb 12 18h30 | dom 20 16h30 | sex 25 20h30

 

Meu Tio da América (Mon oncle d’Amérique), de Alain Resnais

França, 1980, 35mm, cor/pb, 125’ | Legendas em português

Gérard Depardieu, Nicole Garcia, Nelly Borgeaud, Pierre Arditi

ter 15 21h00 | dom 20 20h30 | sáb 26 19h00

Testamento de um gângster (Les Tontons flingueurs), de Georges Lautner

França/Alemanha/Itália, 1963, 35mm, pb, 105’ | Legendas em português

Lino Ventura, Bernard Blier, Francis Blanche, Claude Rich

dom 13 21h00 | sex 18 19h00 | qua 23 19h00

 

 

3.  Ciclo de Cinema Contemporâneo Francês
de 17 a 31/3

(Todos os filmes terão legendas eletrônicas em português)

Sala Lima Barreto (100 lugares) – Taxa: R$1,00 (retirada de ingressos: uma hora antes de cada sessão)

idade recomendada: 14 anos

dia 17/3 – quinta

16h Bom dia França
(Western, França, 1997, 124min – suporte 35mm)
direção: Manuel Poirier – elenco: Sergi López, Sacha Bourdo, Élisabeth Vitali, Marie Matheron, Daphné Gaudefroy

18h O último reduto
(Dernier Maquis, Argélia/França, 2008, 93min – suporte DVD)
direção: Rabah Ameur-Zaimèche – elenco: Abel Jafri, Christian Milia-Darmezin, Rabah-Ameur Zaimèche

20h Déchainés
(Déchainés, Suíca/França, 2009, 90min – suporte DVD)
direção: Raymond Vouillamoz – elenco: Adele Haenel, Irène Jacob, Paolina Biguine

dia 18/3 – sexta

16h Lírios d’água
(Naissance des Pieuvres, França, 2007, 85min – suporte 35mm)
direção: Céline Sciamma – elenco: Paulien Acquart, Louise Blachère, Adele Haenel, Warren Jacquin

18h Curling
(Canadá/França, 2010, 96min – suporte DVD)
direção: Denis Côté – elenco: Emmanuel Bilodeau, Philomène Bilodeau, Roc Lafortune, Sophie Desmarais

20h A vida sonhada dos anjos
(La vie rêvée des anges, França, 1998, 113min – suporte 35mm)
direção: Erick Zonca – elenco: Grégoire Colin, Élodie Bouchez, Jo Prestia, Natacha Régnier, Patrick Mercado

dia 19/3 – sábado

16h Medos privados em lugares públicos
(Coeurs, França, 2006, 120min – suporte 35mm)
direção: Alain Resnais – elenco: Sabine Azéma, Lambert Wilson, André Dussollier, Pierre Arditi

18h Coeur animal
(Suíça/França, 2009, 91min – suporte DVD)
direção: Séverine Cornamusaz – elenco: Antonio Buíl, Pierre-Isaie Duc, Camille Japy

20h O fabuloso destino de Amélie Poulain
(Le fabuleux destin d’Amélie Poulain, França, 2001, 120min – suporte 35mm)
direção: Jean-Pierre Jeunet – elenco: Audrey Tautou, Mathieu Kassovitz, Rufus, Yolande Moreau

dia 20/3 – domingo

16h As bicicletas de Belleville
(Les triplettes de Belleville, Inglaterra/França, 2003, 78min – suporte 35mm)
direção: Sylvain Chomet

18h A última fuga
(La dernière fugue, Canadá/França, 2010, 92min – suporte DVD)
direção: Léa Pool – elenco: Jacques Godin, Andrée Lachapelle, Yves Jacques, Aliocha Schneider

20h Serial lover
(França, 1998, 83min – suporte 35mm)
direção: James Hutch – elenco: Michèle Laroque, Albert Dupontel, Elise Tielrooy, Michel Vuillermoz

dia 22/3 – terça

16h Verso
(Bélgica/França, 2009, 105min – suporte DVD)
direção: Xavier Ruiz – elenco: Arben Bajraktaraj, Isabelle Caillat, Delphine Chanéac

18h As bicicletas de Belleville
(Les triplettes de Belleville, Inglaterra/França, 2003, 78min – suporte 35mm)
direção: Sylvain Chomet

20h Lírios d’água
(Naissance des Pieuvres, França, 2007, 85min – suporte 35mm)
direção: Céline Sciamma – elenco: Paulien Acquart, Louise Blachère, Adele Haenel, Warren Jacquin

dia 23/3 – quarta

16h Déchainés
(Déchainés, Suíca/França, 2009, 90min – suporte DVD)
direção: Raymond Vouillamoz – elenco: Adele Haenel, Irène Jacob, Paolina Biguine

18h Lírios d’água
(Naissance des Pieuvres, França, 2007, 85min – suporte 35mm)
direção: Céline Sciamma – elenco: Paulien Acquart, Louise Blachère, Adele Haenel, Warren Jacquin

20h Amores imaginários
(Les amours imaginaires, Canadá/França, 2010, 97min – suporte DVD)
direção: Xavier Dolan – elenco: Xavier Dolan, Niels Schneider, Monia Chokri, Anne Dorval

dia 24/3 – quinta

16h A esquiva
(L’Esquive, França, 2003, 117min – suporte DVD)
direção: Abdel Kechiche – elenco: Osman Elkharraz, Sara Forestier, Sabrina Ouazani, Nanou Benhamou

18h Medos privados em lugares públicos
(Coeurs, França, 2006, 120min – suporte 35mm)
direção: Alain Resnais – elenco: Sabine Azéma, Lambert Wilson, André Dussollier, Pierre Arditi

20h Um herói de nosso tempo
(Va, vis et deviens, Bélgica/França, 2005, 140min – suporte DVD)
direção: Radu Mihaileanu – elenco: Yaël Abecassis, Roschdy Zem, Moshe Agazai, Moshe Abebe

dia 25/3 – sexta

16h Amores imaginários
(Les amours imaginaires, Canadá/França, 2010, 97min – suporte DVD)
direção: Xavier Dolan – elenco: Xavier Dolan, Niels Schneider, Monia Chokri, Anne Dorval

18h Coeur animal
(Suíça/França, 2009, 91min – suporte DVD)
direção: Séverine Cornamusaz – elenco: Antonio Buíl, Pierre-Isaie Duc, Camille Japy

20h O fabuloso destino de Amélie Poulain
(Le fabuleux destin d’Amélie Poulain, França, 2001, 120min – suporte 35mm)
direção: Jean-Pierre Jeunet – elenco: Audrey Tautou, Mathieu Kassovitz, Rufus, Yolande Moreau

dia 26/3 – sábado

16h Os barões
(Les barons, Bélgica/França, 2009, 106min – suporte DVD)
direção: Nabil Ben Yadir – elenco: Nader Boussandel, Mourade Zeguendi, Monir Ait Hamou

18h Amores imaginários
(Les amours imaginaires, Canadá/França, 2010, 97min – suporte DVD)
direção: Xavier Dolan – elenco: Xavier Dolan, Niels Schneider, Monia Chokri, Anne Dorval

20h Bom dia França
(Western, França, 1997, 124min – suporte 35mm)
direção: Manuel Poirier – elenco: Sergi López, Sacha Bourdo, Élisabeth Vitali, Marie Matheron, Daphné Gaudefroy
dia 27/3 – domingo

16h A esquiva
(L’Esquive, França, 2003, 117min – suporte DVD)
direção: Abdel Kechiche – elenco: Osman Elkharraz, Sara Forestier, Sabrina Ouazani, Nanou Benhamou

18h Desde que Otar partiu
(Depuis qu’Otar est parti, Bélgica/França, 2003, 103min – suporte 35mm)
direção: Julie Bertucelli – elenco: Esther Gorintin, Nino Khomasuridze, Dinara Drukarova, Temur Kalandadze

20h Déchainés
(Déchainés, Suíca/França, 2009, 90min – suporte DVD)
direção: Raymond Vouillamoz – elenco: Adele Haenel, Irène Jacob, Paolina Biguine

dia 29/3 – terça

16h A última fuga
(La dernière fugue, Canadá/França, 2010, 92min – suporte DVD)
direção: Léa Pool – elenco: Jacques Godin, Andrée Lachapelle, Yves Jacques, Aliocha Schneider

18h Os barões
(Les barons, Bélgica/França, 2009, 106min – suporte DVD)
direção: Nabil Ben Yadir – elenco: Nader Boussandel, Mourade Zeguendi, Monir Ait Hamou

20h A vida sonhada dos anjos
(La vie rêvée des anges, França, 1998, 113min – suporte 35mm)
direção: Erick Zonca – elenco: Grégoire Colin, Élodie Bouchez, Jo Prestia, Natacha Régnier, Patrick Mercado

dia 30/3 – quarta

16h Curling
(Canadá/França, 2010, 96min – suporte DVD)
direção: Denis Côté – elenco: Emmanuel Bilodeau, Philomène Bilodeau, Roc Lafortune, Sophie Desmarais

18h O último reduto
(Dernier Maquis, Argélia/França, 2008, 93min – suporte DVD)
direção: Rabah Ameur-Zaimèche – elenco: Abel Jafri, Christian Milia-Darmezin, Rabah-Ameur Zaimèche

20h Desde que Otar partiu
(Depuis qu’Otar est parti, Bélgica/França, 2003, 103min – suporte 35mm)
direção: Julie Bertucelli – elenco: Esther Gorintin, Nino Khomasuridze, Dinara Drukarova, Temur Kalandadze

dia 31/3 – quinta

16h Serial lover
(França, 1998, 83min – suporte 35mm)
direção: James Hutch – elenco: Michèle Laroque, Albert Dupontel, Elise Tielrooy, Michel Vuillermoz

18h Verso
(Bélgica/França, 2009, 105min – suporte DVD)
direção: Xavier Ruiz – elenco: Arben Bajraktaraj, Isabelle Caillat, Delphine Chanéac

20h Um herói de nosso tempo
(Va, vis et deviens, Bélgica/França, 2005, 140min – suporte DVD)
direção: Radu Mihaileanu – elenco: Yaël Abecassis, Roschdy Zem, Moshe Agazai, Moshe Abebe

D+

Crítica do cinema francês: O pequeno Nicolau – Le petit Nicolas

 

Em algum tempo já perdido, de um passado que a Nova Modernidade insiste em nos roubar, todos fomos Nicolas. Basta que surjam as primeiras imagens deste filme para que as memórias venham à tona, emergindo de algum recôndito neuronial qualquer. E, mesmo que o Sr. Acaso não tenha brindado você com uma infância lúdica, pura e simples como o rodopio de um pião de rosca, você também as tem, estas memórias.  Agradeça ao inconsciente coletivo, talvez. Ou aos seus pais, que te contavam da infância deles. Elas estão em você, tenho certeza. Nicolas e sua gangue de garotos-símbolos, no filme tão bem representados, te fazem lembrar disso a cada quadro. E são tantas passagens memoráveis que nem vale a pena citar uma qualquer que seja, para evitar de parecer demérito para as outras.  E nenhuma, absolutamente nenhuma, merece que se suponha que as estamos desmerecendo.

O filme, baseado na obra de Goscinny, tem uma narrativa envolvente, um ótimo timing para a sucessão de blagues que ocorrem em profusão impressionante. A reconstrução de época é impecável, e o casting merece um comentário à parte, começando pelas crianças que formam a classe de Nicolas na escola (aliás, classes separadas por sexo), todas excelentes, chegando até as participações quase que especiais de Sandrine Kiberlain e Anemone, como as professoras titular e substituta, respectivamente. Sandrine, aliás, parece ter mantido os trejeitos e as vestimentas de seu outro filme recente, Mademoiselle Chambon.

Que não se enganem os menos atentos, o filme não tem apenas uma temática infantil, ele tem uma dinâmica atrativa que o faz digno para qualquer audiência. Algumas piadas, porém, infelizmente perdem um pouco o tom com a tradução.

Os créditos iniciais já encantam, trabalho excepcional que sai do mero passar de letrinhas e já te introduz no clima de fantasia do filme, usando o traço característico de Goscinny para suas figuras.

Impossível de não se encantar com o olhar perdido de Clotário, o aluno-problema, ou com a obsessão do garotinho de óculos em ser o primeiro da classe, ou ainda com o Bedel eloqüente. Graça também com o papai e a mamãe de Nicolas e suas rusgas e trejeitos, e mesmo com Maria Edwiges, a garota-mimada e, quem sabe, primeiro amor de Nicolas.

Mas a preocupação principal do garotinho é não ser esquecido pelos pais, com a chegada de um irmãozinho. Nicolas supõe que será não apenas relegado à segunda instância, ele imagina que será cruelmente abandonado à própria sorte, na floresta. A partir desta falsa premissa, o garoto envolve seus amiguinhos em armar uma estratégia de defesa, que produz todo o tipo de mote para situações hilárias.

Há ainda espaço para uma homenagem à Goscinny, absolutamente convincente e integrada à trama, quando os garotos ressolvem vender a poção mágina de Asterix, outro personagem do autor, que eles leem na própria revista “Pilote”, que publicava as HQ`s de…le petit Nicolas. Metalinguagem…

Com tudo isso, só faltou Aznavour cantando “Douce France“, cuja primeira estrofe reproduzo abaixo:

Il revient à ma mémoire
Des souvenirs familiers
Je revois ma blouse noire
Lorsque j’étais écolier
Sur le chemin de l’école
Je chantais à pleine voix
Des romances sans paroles
Vieilles chansons d’autrefois
Douce France
Cher pays de mon enfance
Bercée de tendre insouciance
Je t’ai gardée dans mon cœur!

Voltam à minha memória
lembranças familiares
revejo minha roupa preta
de quando era estudante
pelo caminho da escola
cantava à plena voz
romances sem palavras
velhas canções de antigamente
Doce França
querido país de minha infância
Embalado por tenras despreocupações
te guardei no coração

É isso aí, lá, lá, lá….tra lá, lá, lá, lá….

Crítica do cinema francês : O Profeta

O sistema, o sistema.

Não sabemos quem é este que chega, preso, assustado. Mas algo nos diz que ele é bom. Ele não sabe nada, a camera de Audiard o toma por inocente, daria quase que para apostar nisso. E os guardas parecem mais estúpidos do que ele, mais violentos do que ele, mais escória do que ele. Conhecemos demasiadamente bem este cenário, e sabemos quais são os ensinamentos que a ele serão ministrados.

O Mal que vem e se instala, insidioso.

E eis que ele, a quem presumimos bom, se encontra com o seu Destino. E tem de tomar decisões que vão interferir sobremaneira na sua vida. O filme aqui é duro e cruel como uma navalha na carne. Ele nos surpreende e surpreende ao sistema, até. Porque aprendeu a lição. Ponto para o filme.

A ordem das coisas é o caos generalizado.

A partir daí temos a podridão que grasa. Não vemos salvação possível e vislumbramos a tragédia. Nosso aprendiz cresce com o sistema, usa o sistema, é usado, em uma simbiose estapafúrdia, onde tudo se corrompe. Devora-me ou te devoro. Quem é a Esfinge?

O custo de vencer

É impagável. Mas o nosso homem sempre dá um jeito de refinanciar suas dívidas. Até a próxima cobrança vir maior e mais implacável. Neste interim, a única dignidade possível é manter-se vivo.  

O filme como espetáculo não é uma obra assim tão envolvente, mas como retrato desta situação extrema que é o cárcere corrupto, o racismo, a luta pela sobrevivência, aí ele é soberbo.

É isso aí,

 

Crítica do Cinema Francês : Mademoiselle Chambon

O silêncio só pode ser rompido pelo sublime, parece nos querer dizer o diretor Brizé. No filme, uma história de amor simples, entre um pedreiro e uma professora de primário, vale o que não está dito. Mas não é preciso muito mais que alguns minutos para que se perceba todo o potencial deste não-falado, não-comunicado. A atuação dos protagonistas é estupenda, sensível e jamais previsível. Jean, o pedreiro, só sabe o que é concreto, sólido como as fundações que faz, não tem nenhuma intimidade com as palavras e o mundo intangível. Já a professora, não sabe concretar nada, vive no que poderia ser e não naquilo que é. Tem uma total inadequação ao mundo real. A forma como ela tenta trazer Jean para o seu mundo é custosa, indireta, torta ao extremo. O telefonema que ela recebe da mãe, e que ela não atende, oferece uma boa pista para a sua reclusão e seu modo errante de vida. A forma como Jean tenta trazê-la para perto de si é igualmente irregular, quase um nada, distante e penosa também. A conversão dos dois modos se dá sofregamente. Mademoiselle Chambon, a professora, concretiza no violino o que não sabe expressar de outra forma, e Jean entende perfeitamente o que quer e não sabe dizer.

E o filme segue nesse não-dizer, mas comunicando tudo pelos olhares intensos, pelo gestual contido mas cheio de tensão, pelo quase-toque de mão, pelo quase sufocar. Poucas vezes o silêncio fez tão bem à alma.