Dalí in Wonderland

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Salvador Dalí, em 1969 ilustrou uma edição especial de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Nada mais apropriado. As imagens finalmente foram digitalizadas  e estão agora disponíveis na web. Veja no slideshow acima todas as ilustrações. Para tudo sobre Alice no País das Maravilhas clique na tag aí ao lado.

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Vou te contar…e Alice no país das maravilhas

Era tudo muito calmo aqui. No máximo, algumas poucas cabeças eram cortadas. Algumas poucas, por ano. Mas depois daquela garota, puxa, que caos! Tudo em rebuliço, a Rainha ficou muito irritadiça, mandava cortar dezenas, centenas por dia, acho. A gente obedece, certo? O que mais pode fazer um Dez de Ouros ? Pelo menos valho mais que todos os outros números, só tenho que me rebaixar para aquelas Figuras empertigadas, humpt. Mesmo assim, elas precisam de mim….quero ver sair um Royal sem a minha presença! Nunca!

Bem, tem o Ás, aquele presunçoso. Ele vale um, e só. Pensa que tem um Rei na barriga, sem trocadilhos. Quando se juntam os quatro, ficam doidinhos, falando besteiras, tipo “…….
E o 2, então? Se acha, fala que pode substituir todos nós…Duvido. Quem trocaria um Dez por um Dois? Eu hein? Bem, mas aqui neste Mundo, é capaz de alguém trocar….

E vamos levando…..ouvi dizer que estavam por trazer a menina de volta…só pode ser coisa daquele Chapeleiro…sempre tramando…acho que ele é meio tantã, sabe? Imagina, ouvi dizer que ele põe uma mesa enorme para o chá, mas somente convida uns três ou quatro…e oferece vinho! Uma vez o vi dançando o “futterwacker”….bem isso até que ele faz bem….E aquela charada que ele vive repetindo: “qual a semelhança entre o corvo e a escrivaninha?” meu deus, que loucura? O que pode ter de igual entre estas coisas tão díspares? Nada, nadica.

Como será que ela está? Puxa, deve estar bem grandinha já. Digo, em idade, porque em tamanho…nossa! ela já era enorme há treze anos atrás….

Lembro-me bem dela…desafiou a Lagarta, não deu bola para o Gato. Esperta, ela. Dizia que vinha de um lugar cafdasdasda

Se ela voltasse….poderia ser que algumas coisas se resolvessem. Menos a charada. Ah, não, esta não tem jeito. Humpt.

Ihhh, lá vem o 6, o 7, o 8 e o 9 de ouros…..e o 2! Mas que coisa, quem ele pensa que é?

8 razões para ver Tim e Alice no país da maravilhas

Tim fez um filme digno do material de que dispunha. Podemos dizer até que sem dúvida foi fiel ao livro original, na medida do possível. Alguns já disseram que Tim perdeu a mão, pois o enredo mais fantasioso, com cenários e criaturas que pareciam saídos de O Senhor dos Anéis e Nárnia, sai do espaço mais lírico e sensível, que são os elementos por excelência de sua filmografia, e que se configura naquilo que esperamos que sempre sobressaia em todos os seus filmes. Há que se entender que a Disney seguramente queria atingir um público muito amplo e tornar Alice um blockbuster, no que está sendo muito bem sucedida. Apesar disto, Tim soube preservar-se entre os tubarões. Ao ver e rever o filme, em 2D e em 3D (neste caso, com um impacto impressionante), encontrei pelo menos as seguintes razões para você ir ver o filme:

1. a situação de continuidade é excelente, com Alice crescida e envolta em decisões maiúsculas para sua vida. É mais um momento de transição para ela, desta vez da adolescência para a vida adulta, representada pelo compromisso do casamento.

2. muitos dos personagem “criados” para o filme, pareciam sempre estar alí em Wonderland, como se o próprio Carroll os tivesse colocado lá. Isso não é pouca coisa. Especificamente ótimos ficaram os gemeos bolinha.

3. A Rainha Vermelha de Helena Bonham-Carter é um primor e também Depp faz uma interpretação brilhante. A capacidade de expressão de ambos é exemplar. Vale o filme.

4. Há sim um certo lirismo, ainda que pontual. Se prestarmos atenção em algumas falas do Mad Hatter veremos que ela é rimada, poética. Sem esquecer de que há a criação de todo um linguajar específico para o filme, que os tradutores tiveram um esforço incrível para dar uma coerência.

5. Tim rende uma clara homenagem a Lewis Carroll ao enfatizar a charada do Corvo e da Escrivaninha, repetida mais de quatro vezes no filme (no livro, ela aparece apenas uma vez). E, fiel, faz o que é sensato neste caso: não ousa dar uma resposta.

6. A prova de que Alice é a mesma Alice para mim está presente na fala da “loucura”. Pois Alice repete para o Chapeleiro exatamente o que ela ouvia de seu pai quando menina.

7. Metáforas e mais metáforas: A Dani (um dia ela vai efetivamente colaborar aqui!) ponderou que a decisão de enfrentamento, de combate que Alice é obrigada a passar em Wondeland está para o sonho asim como a decisão de enfrentar o tolo Hamish, no mundo real. Provavelmente Hamish é tão escatológico como o terrível monstro das profundezas. Concordo!

8. O final é poético, vemos várias transformações ocorrendo, e neste momento, Tim brilha ao nos trazer “Absolem” em sua nova viagem, ao mesmo tempo em que Alice embarca em uma nova aventura. No Inglaterra Vitoriana, qual aventura poderia ser maior que a que Tim vislumbrou para ela? Só mesmo em sonho!

Portanto, esqueça as críticas tolas e vá ver o filme. É Tim, é Depp, é a mágica em ação.

É isso aí,

Alice no país das maravilhas (6) – Tim Burton e os desafios do livro de Carroll

E a poucos dias da estréia do filme entre nós, se faz imperativo discutir aquele que é seguramente o enigma mais intransponível de Carroll: A charada sobre o Corvo e a Escrivaninha (the raven and the writing desk).
Nas palavras do Chapeleiro:

“Por que um corvo é parecido com uma escrivaninha?”
“Acho que posso adivinhar essa”, respondeu Alice
No que a Lebre de Março contesta: “Você acha que pode descobrir a resposta para a charada?”
“Exatamente”, diz Alice
“Então deveria dizer o que quer dizer”, comentou a lebre
Alice se põe a pensar sobre corvos e escrivaninhas enquanto a conversa degringolava para outros rumos.

E neste ponto Carroll deixa a charada suspensa no ar.

Alguma pesquisa vai levar você a algumas especulações sobre a charada, mas o fato é que o próprio Carroll admitiu que não tinha a menor idéia da resposta!

Será que Tim Burton vai ousar responder?

É isso aí,

Tim Burton – Vincent (1982)

A genialidade de Tim Burton é nossa velha conhecida, basta citar filmes como “Edward mãos de tesoura” ou “A noiva cadáver”. O que pouca gente sabe é que um dos primeiros roteiros de TB, foi neste curta que está disponível na web, e que vale a pena apreciar. Em português não fica tão criativo, pois todo o script é rimado, por isso, colei aí embaixo o texto original em inglês. Para mim, até algumas analogias com “Alice no país das maravilhas” podemos encontrar neste curta. O próprio Vincent Price narra a história!

Vincent Malloy is seven years old,
he’s always polite and does what he’s told.
For a boy his age he’s considerate and nice,
but he wants to be just like Vincent Price.

He doesn’t mind living with his sister dog and cats,
though he would rather share a home with spiders and bats,
there he could reflect on the horrors he has invented,
and wonder dark hallways alone and tormented.

Vincent is nice when his aunt comes to see him,
but imagines dipping her in wax for his wax museum.
he likes to experiment on his dog Ebocrombi,
in the hops of creating a horrible zombie.

So he and his horrible zombie dog,
could go searching for victims in the London fog.

His thoughts though aren’t only of goulish crime,
he likes to paint and read to pass some of the time,
While other kids read books like “Go Jane go”,
Vincent’s favorite author is, Edgar Allen Poe.

One night while reading a gruesome tale,
he read a passage that made him turn pale,
such horrible news he could not survive,
for his beautiful wife had been buried alive.

He dug out her grave to make sure she was dead,
unaware that her grave was his mother’s flower bed.
his mother send Vincent off to his room,
he knew he’d been banished to the tower of doom.

Where he was sentenced to spend the rest of his life,
alone with the portrait of his beautiful wife.

While alone and insane incased in his doom,
Vincent’s mother burst suddenly into the room.
She said “If you want to, you can go out and play,
It’s sunny outside and beautiful day.”

Vincent tried to talk but he just couldn’t speak,
the years of isolation had made him quite week.

So he took out some paper and scrawled with a pen;
I’m possessed by this house and can never live it again.

His mother said: “You are not possessed and you are not almost dead, these games that you play are all in your head,
you are not Vincent Price you’re Vincent Malloy,
you’re not tormented or insane you’re just a young boy,
you’re seven years old and you are my son,
I want you to get outside and have some real fun.”

Her anger now spent she walked out through the hall,
while Vincent back slowly against the wall..

The room started to sway to shiver in crick,
his horrored insanity had reached it’s peak.

He saw Ebocrombi his zombie slave,
and heard his wife call form beyond the grave;
She spoke from her coffin and made goulish demands,
will through cracking walls reached skeleton hands.

Every horror in his life that had crept through his dreams,
swept his mad laughter to terrified screams.

To escape the badness he reached for door,
but fell limp and lifeless down, on the floor.

His voice was soft and very slow,
as he quoted the “raven” from Edgar Allen Poe;
“and my soul from out that shadow that lies floating on the
floor, shall be lifted, nevermore.”

Alice no país das maravilhas (5) – Tim Burton e os desafios do livro de Carroll

Pipocam eventos em São Paulo sobre Alice, aproveitando a expectativa criada em torno do filme de Tim Burton. Veja mais em http://alicenations.blogspot.com/ , o blog da sociedade Lewis Carroll do Brasil. (Tem um post meu republicado lá, inclusive, o primeiro desta série, e só rolar até o dia 7 de março.)

Neste quinto post da série, queria comentar sobre o diálogo de Alice e a Duquesa, a personagem preocupada com a Moral de tudo…mas é Alice que a surpreende, com uma observação para lá de madura. Ao afirmar que o Mundo gira por causa do Amor, Alice contesta: “Ele gira porque cada um cuida dos seus interesses”. A Auto-ajuda leva uma bordoada!

Mas a Duquesa se redime, logo mais adiante, ao afirmar:

“Nunca imagine que você não é senão o que poderia parecer aos outros que o que você foi ou poderia ter sido não era senão o que você tinha sido que lhes teria parecido diferente”

É como disse Lewis Carrol, por intermédio de Humpty Dumpty: ” Quando eu uso uma palavra, isto significa que eu escolho o que ela significa”.

Tá explicado?

Alice no País das Maravilhas (4) : Tim Burton e os desafios do livro de Carroll

Comemorando a estréia do filme hoje (calma, é só nos EUA), segue a nossa série sobre “Alice no país das maravilhas”.

E eis que, lá pelas tantas, surge o Gato! Quem não tem na memória o Gato de Alice? O Gato com um enorme sorrisso…..o Gato que surge só pela metade, só a cabeça, ou só o rabo, ou que desaparece aos poucos em cima da árvore. Vão-se as patinhas, o rabo, o corpo todo, fica só a cabeça, com aquele sorrisso…até que some também a cabeça e finalmente temos só…o sorisso! Enormes dentes brancos, perfeitamente encaixados. Não sei quanto a vocês, mas para mim, é uma das imagens clássicas da infância. E agora teremos o Gato de Cheshire em 3D! Cuidado Tim, há milhões de adultos aqui fora que, neste caso, não querem que você seja um iconoclasta! Não neste caso.

Mas o Gato tem uma das passagens mais marcantes também no que se refere ao texto de Carroll. O diálogo entre Alice e o Gato é o seguinte:

Pergunta Alice: “Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?”
Responde o Gato: “Isso depende bastante de onde você quer chegar”.
E Alice: “O lugar não importa muito…”
-“Então não importa que caminho você vai tomar”, diz o Gato.

Brilhante! Essa passagem já foi muitas vezes tomada emprestada e usada como metáfora. Mas original é original.

É isso aí! Eu acho que vi um gatinho…….

Veja todos os posts da série sobre o filme aqui.