Filmes para o 2º Semestre/2010

Saiu, com um mês de atraso, a lista (muito pessoal) do que vale a pena ver e já está programado para ser lançado na Telona nestes próximos cinco meses. Vamos a ela, lembrando que a lista está em ordem de lançamento previsto para SP:

1. Inception (A Origem) – 6 de Agosto

“A” Dose de ficção e originalidade da temporada, em um filme do diretor do último Batman (é, aquele do Coringa). Francamente, pelo material do site, um must-see do ano. Melhor em Imax. O site do filme já é um arraso, com uma HQ e tudo. Vale a pena visitar.

Inception - cortesia de inceptionmovie.warnerbros.com

2. The Killer inside me – data em aberto
aquele típico filme para o qual você não daria nada, mas que surpreende pela ousadia, pela intriga policial e psicológica. Cenas fortes.

3. A suprema felicidade – 8 de outubro

Pode ser tudo, obra-prima ou grande decepção, mas um filme do Jabor, a esta altura, tem de ser visto.

4. You will meet a tall dark stranger – 17 de dezembro

O Woody nosso de cada ano (Epa, mas este ano já teve “Tudo pode dar certo”, não é?) Verdade, mas este último deveria ter sido lançado em 2009 e não foi. Neste vídeo, Woody fala do novo filme em Cannes e faz piada.

5. Unstoppable – 5 de novembro

Você já viu isso antes, mas um filme com um trem descontrolado…isso tem de ser visto, sempre, é uma espécie de categoria à parte, onde cabe desde “O Expresso de Chigaco” até o “O expresso Polar”. Ótimo para metáforas corporativas….

Mais um trem desgovernado....

6. Mammuth – 26 de novembro

Os franceses têm uma obsessão por filmes que retratam o ambiente corporativo. Recentemente, tivemos uma estória nazista por trás do excelente “A questão Humana”. Este, embora trate de um recém-aposentado, mostra uma “viagem” de Gerard Depardieu aos seus empregos antigos, em busca de justiça, já que os empregadores lhe devem certas coisas. Humor francês.

Além destes 6, dois Documentários que considero imperdíveis:

Uma noite em 67“, sobre o festival da Record de 1967, já em cartaz, e Raul, o início, o fim e o meio sobre o Maluco Beleza…

É isso aí

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Woodies and Goodies !

Acaba de sair a caixa com 20 filmes do Woody Allen, com um belo extrato da produção do cara como Diretor. Só a fase mais recente da carreira dele não está representada (Pelo menos Match Point tinha de estar!). Mesmo assim, a coisa entra imediatamente na minha “wish list“, sob o título “Curso de Cinema em 20 aulas, por R$ 12,00 cada”.

Veja a lista de filmes incluídos no box:

Bananas (1971)
Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo Mas Tinha Medo de Perguntar (1972)
O Dorminhoco (1973)
A Última Noite de Boris Grushenko (1975)
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977)
Interiores (1978)
Manhattan (1979)
Memórias (1980)
Sonhos Eróticos de uma Noite de Verão (1982)
Zelig (1983)
Broadway Danny Rose (1984)
A Rosa Púrpura do Cairo (1985)
Hannah e suas Irmãs (1986)
A Era do Rádio (1987)
Setembro (1987)
A Outra (1988)
Crimes e Pecados (1989)
Simplesmente Alice (1990)
Neblina e Sombras (1991)
Melinda e Melinda (2004)

É isso aí.

Woody: deu tudo certo!

É, mais um filme de Woody Allen. O que ele pode nos apresentar de novo, se perguntam alguns? Bem, na boa na boa mesmo, se ele continuar nos apresentando o velho e bom cinema de sempre, já dá para sair ganhando de uns 6 a zero, não é mesmo? Em “Tudo pode dar certo” (Whatever works), temos o velho e bom Woody de novo, depois da fase européia, nos apresentando a sua baforada anual de inteligência e cinismo. E deu tudo certo mesmo neste filme, incrivelmente atual, mesmo sendo um roteiro de 1977. O elenco está sensacional, o roteiro é um tiroteio de boas piadas e sacadas geniais, sem falar nas críticas que rolam a torto e a direito, contra tudo e todos: religião, costumes, direita americana, nada para de pé depois dos 90 minutos. Allen também não perde o tom ao inserir uma enormidade de citações, de Conrad a Heisenberg, todas a serviço do roteiro. Este não está, porém, a serviço da verossimilhança. As viradas dos personagens são tão caricatas quanto implausíveis. Mas Allen não está preocupado com isso, o que ele quer nos fazer chegar é justamente uma reflexão sobre a Vida. Afinal, vale ao não vale a pena? Ele parece nos perguntar, se tudo acaba, por que sofrer? Nas palavras de Boris, o personagem de Larry David:

“Se eu tenho que comer nove porções de frutas e vegetais todos os dias para viver, eu não quero viver. Eu odeio frutas e vegetais. E seus Omega-3, a esteira, o cardiograma, o mamograma e, ô meu Deus, a colonoscopia! E mesmo com tudo isso, ainda chega o dia em que eles vão te colocar em uma caixa…”

Daí vem a explicação para o título do filme, que melhor traduzido, seria algo como “qualquer coisa serve”. Qualquer coisa serve para combater o Horror, o fim inevitável, a apatia e os absurdos que nos cercam. Qualquer coisa serve para o caminho.

Woody parece ter aproveitado o frescor dos seus filmes mais recentes, como Match Point e Vicky Cristina Barcelona e aplicado às velhas fórmulas, como em Annie Hall e Interiores. O resultado é muito satisfatório, muito mesmo. Então, mesmo fazendo mais do mesmo, Allen entrega um produto superior, cinema de qualidade e diversão garantida. E rebate o título de seu filme, nos entrega não qualquer coisa, mas algo de valor para a caminhada.

É isso aí,

A lista dos desejos para 2010 – Cinema

Muita expectativa para o que vai rolar nas telonas em 2010. Segue uma primeira lista de filmes que prometem. Fazendo jus às minhas preferências pessoais, claro. Ou seja, não espere encontrar aqui muito mainstream (mas há exceções à toda regra). Foco no cinema de autor. A ordem procura refletir mais ou menos o cronograma de estréias conforme publicado pelas distribuidoras, mas as datas mencionadas podem sofrer alterações.

Começo com Sherlock Holmes, previsto para o dia 8 de janeiro. Já na Veja desta semana temos uma crítica muito positiva sobre esta película, e os traillers que vimos deixaram um gostinho de quero mais. Robert Downey Jr. parece que se encontra definitivamente.

Na outra semana, em 15.01, estréia Vicío Frenético, refilmagem do filme homônimo de 1992. Cage, Kilmer e Eva Mendes. Não precisa mais.

Invictus de Eastwood, em 29.1. Enquanto ele estiver fazendo filmes, nós vamos ver, certo?

O novo dos irmãos Cohen, em 19.2, logo após o carnaval. Depois do sensacional “Queime depois de ler” esperemos que eles mantenham o passo.

A fita Branca, em 5.3, porque não deu para ver na Mostra. Palma de Ouro em Cannes de 2009 e credenciado pela direção de Haneke, que nos deu Caché e a A Professora de Piano.

Os homens que não amavam as mulheres, sem data em março (veja o trailer do filme aqui)

O novo Woody, Tudo pode dar certo, sem data em março também. De volta a NY.

Alice, de Tim Burton, mega expectativa em 2.4. Leia o livro antes, vale a pena.

Wall Street 2, com Michael Douglas como Gordon Gekko, voltando ao papel, 24 anos depois do primeiro filme, em abril.

Jabor, voltando ao cinema, com A suprema felicidade, em Maio, ainda sem data.

Nada mau, não? É isso aí.

A elegância de Woody Allen

A príncipio soa muito estranho falar da “elegância” de WA, principalmente se nos lembrarmos dos primórdios da carreira deste cineasta tão original. “O cara”, alicerçava seus filmes em um histrionismo para lá de físico, com as gags mais estapafúrdias acontencendo em cascata, minuto após minuto. Sem nenhuma elegância ou apuro visual. Mas o título acerta, digamos, se olhamos para a unidade da obra de Woody a partir de “Annie Hall”. A partir daí, identidade, estilo e criatividade andarem sempre juntos, claro que com altos e baixos, mas sempre com muita elegância. Elegância tal que identificamos logo nos créditos, sempre com as mesmas letras simples, brancas, sobre o fundo totalmente preto. A partir daí, pronto, mergulhamos no mundo de WA. Embora muito discrepantes, as exposições sobre Woody na série promovida pelo CCBB neste início de mês em geral foram bem realizadas, com os professores utilizando-se de muitos takes dos filmes mais importantes da profícua obra do autor para exemplificar seus pontos de vistainteressante ter participado de algumas sessões. Ponto alto para a análise de Cássio Starling Carlos, sobre o cinema de ator e ponto fraco para a análise da “fase européia” do autor, feita por Luiz Carlos Oliveira Jr. Tanto que a melhor resposta que obtive nesta sessão foi de um outro ouvinte, que comentou brilhantemente sobre o “jogo” de WA com a suposta “femma fatale” de Scarlet Johansson em “Match Point”.

É isso aí, e daqui a pouco tem o próximo filme dele chegando.

Woody Europeu

Bem, Vicky Cristina Barcelona é um grande filme. Sempre fui fã de Woody Allen, desde Annie Hall (Noivo Neurótico, Noiva Nervosa), acho que em 1977! Pois não é que o homem se renovou de maneira sensacional nesta fase européia? Depois de ver aos três filmes “londrinos” do mestre, Ponto Final, Scoop e O Sonho de Cassandra, nos quais ele já havia feito várias transformações importantes, este filme “almodovariano” é ainda mais transformante. Woody fale de mudanças, desapego, despreendimento, empreendedorismo e lê a mente das mulheres com muita propriedade. A prova disso é que os personagens femininos são muito mais críveis que o masculino. O filme flui magicamente e preende a atenção até o final, que se para alguns é meio insoso, para mim, representa nenhum final, por que nada acaba, todos têm de continuar suas buscas pessoais. E é assim que é, não é mesmo? Nunca acaba.

Os personagens vivem conflitos morais de alto teor, na busca da felicidade. Woody parece ter uma tendência a favorecer certos comportamentos, e para quem conhece um pouco da sua biografia, parece em alguns momentos querer expiar as próprias experiências. Vale. É uma espécie de “sensemaking”:  Tudo aquilo que eu faço, para ser justificável, acaba reescrevendo meu próprio passado. É a busca do Homem pela relação causa-efeito em tudo. Intrigante.  

De qualquer maneira, um belo filme, com Penelope Cruz dando um show. E olha que ela só entra no filme depois de transcorrida já uma boa parte.