Por ocasião da Rio + 20

  1. Crescimento insustentável é igual a universo em expansão. Todos sabem como acaba, só não se sabe quando.
  2. Se o crescimento pode ser sustentável, a recessão é mais sustentável ainda?
  3. Sustentar o crescimento não é igual a crescimento sustentável
  4. A insustentável sustentabilidade do crescimento
  5. Rio + 20. Mais vinte mil toneladas de CO2 em emissões por ano desde a Rio 92.
  6. Fomentar o consumo sem contrapartidas ambientais é como curar febre de quem está com hemorragia
  7. A Europa cresceu devastando, os EUA cresceram devastando. A China cresce devastando. A América Latina quer ter o direito de devastar para crescer. A África…, bem a África devasta-se.
  8. A inovação está para o crescimento sustentável assim como a inércia está para a devastação insustentável.
  9. Inove ou Devaste.
  10. Tudo o que der errado na Rio + 20 a Rio + 40 não poderá consertar.
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Dúvida de Mãe

Fez-se Homem muito cedo, criado por Ela como Ela criou a todos os Outros. Não teve regalias, não teve privilégios, mas Ela foi uma boa Mãe, isso não se pode negar. O fez compreender logo cedo que a vida seria difícil. E Ele sofreu intempéries, fugiu de inimigos atrozes, escapou de grandes riscos. “Este Me saiu diferente”, pensava Ela. E Ele soube desbravar o caminho e assim foi evoluindo. Tinha um cérebro privilegiado, aquele Filho. Dotado da capacidade de aprender, inclusive com os erros dos Outros Filhos, mesmo os mais distantes. Mas tudo isso não foi suficiente. Embruteceu-se o Filho pródigo. Talvez porque não tenha guardado lembranças de ternura. Mas Ela foi terna, Ele é que não se lembra, deixemos claro. Embora em alguns momentos Ele A tenha adorado e também aos Seus Parentes. Ele Os cultuou e Os reconheceu como Gente importante, que dominavam coisas que Ele sozinho não podia explicar, apesar de toda Sua sabedoria. Houve um momento em que Ele precisou Se aquecer e a partir deste instante Se mostrou hábil na criação do Novo.  Impetuoso, seguro de Si, a partir deste instante, Ele saiu a procura de mais. Já não bastava sobreviver, era importante fazer daquele lugar um lugar cada vez melhor. Para tal, mudou de hábitos constantemente, esqueceu o Seu passado e construiu vários Futuros, sempre usando o Novo. Hoje, este Homem já resiste a quase tudo, apenas uma ou outra doença o levam à beira da Grande Viagem com frequência. Antes, com baixa resistência, adoecia por qualquer coisinha. Hoje o lugar está melhor, não necesariamente para todos que o compartilham, mas Ele assim o pensa. O Homem com o Novo revolucionou o status quo, não uma nem duas vezes, revolucionou sempre, até dominar céu e terra, água e ar. Ela sempre observando, ora reagindo um pouco aos Seus modos, ora O deixando em paz para que Ele criasse seu próprio Mundo. Não tem sido uma convivência fácil. Como toda Mãe, Ela sofre muito por Ele ser tão independente, tão senhor de Si. No fundo Ela sabe que Ele, apesar de inteligente, é orgulhoso a ponto de perder-Se em Sua confiança desmedida de tudo poder, do Todo Poder. Um dia tudo acabará mal, mas o que Ela pode fazer, senão avisá-Lo, adverti-Lo, tentar orientá-Lo como pode? Como todo Filho, Ele já faz muito não Lhe dá ouvidos. Despreza Suas atitudes e ignora Seus recados. Às vezes até finge que dá atenção a Ela, mas logo esquece Suas vãs promessas de que vai melhorar, de que vai consertar o que tem feito de errado. Mas sempre posterga. Ela sabe que talvez já seja tarde demais. E sofrerá ao ver o próprio Filho extinguir seu futuro. Neste caso, Ela bem sabe, de tão poderoso que Ele se tornou, Ele acabará por extingui-La também. E Ela fica com esta dúvida, que abonima, por ora pensar que pode não ser tão ruim o fato de que em breve não mais poderá gerar Outros como Ele.

Goodbye Yellow BRIC Road, ou O que eu aprendi sobre a China

Vejo muitas discussões rasteiras, bidimensionais, sobre diferenças entre Brasil e China. Muitos falam que um sistema não democrático facilita a tomada de decisões e consequentemente funciona como alavancador da velocidade com que a China ganha espaço. Outros dizem que é a apatia dos chineses, que tudo acatam sem pestanejar o que realmente destrava o país. Nada disso me convence. O que precisamos definitivamente apreender é que obstinação não depende de regime político, nem qualidade das instituições ou qualquer de outro falso argumento para justificar porque o entre a Grande Muralha e o Himalaia existe tanta “acabativa”.

O que move a China, e a faz tão apta a exercer o domínio no novo milênio, são suas pessoas. E estas são ordeiras, disciplinadas, obstinadas e que sabem que o esforço individual ao fim e ao cabo é a mola propulsora do progresso. E eles estão aplicando esta firmeza de caráter para estudar, estudar mais ainda e ainda aprofundar-se nos estudos. Veja aqui a reportagem de Gustavo Ioschpe sobre a educação na China que ilustra isso sobremaneira.

A estrada de tijolos amarelos terá de achar outra cor. Minha aposta é que ele vai empalidecer de vez. É difícil ela ganhar os tons pardos dos ursos da velha Rússia ou mesmo os tons da mulatice indiana. Ambos os países carecem de instituições sólidas para ditar o crescimento sustentável. O enorme arco-íris brasileiro que tudo comporta infelizmente não tem a capacidade de planejmento que é indispensável para ditar o ritmo desta marcha. E os amarelinhos do Império do Meio vão para outra divisão logo, logo. Mais acima, muito mais acima.

Resiliência, obstinação, caráter, disciplina e objetivos claros nunca fizeram mal a ninguém.

Eu vi um país se curando

Chegando a Amsterdam, de Frankfurt, em um dia de céu límpido, fiquei impressionado com a imagem que via da janelinha. Vi um país fazendo acupuntura. Eram agulhões imensos, estas turbinas eólicas que despontavam como que de cada pedacinho de chão que não era cultivo, ou propriedade. A força desta opção energética limpa se faz notar muito intensamente na Holanda e, também na Dinamarca. Mas a taxa de crescimento das novas instalações na Holanda é de 20% nos últimos 5 anos, acumulada, ao passo que a Dinamarca já estagnou. É claro que a capacidade instalada em outros países é maior que na Holanda (que neste quesito ocupa apenas o 12º posto no ranking), mas se dividirmos pela superfície de cada país, veremos que a Holanda sobe para o 3º lugar, atrás apenas de Dinamarca e Alemanha. Com a taxa de crescimento que apresenta, logo, logo ocupará a liderança.

Foi uma imagem bacana, de um país se curando, renovando suas energias no rumo da sustentabilidade. Muitos podem achar feios os grandes parques de vento que vão se construindo mundo afora. Mas é literalmente quixotesco lutar contra estes novos moinhos gigantes. Eles são parte indissociável do futuro. Dá-lhe, Holanda.

É isso aí,