30 days to go: toda a estratégia de lançamento do novo “Os homens que não amavam as mulheres” (The Girl with the Dragon Tattoo)

Dia 21 de Dezembro estréia nos EUA a versão de David Fincher para a primeira parte da Trilogia Millennium de Stieg Larsson. A estratégia de divulgação do filme é massiva, e tem sido bem sucedida, gerando muito atenção em todas as frentes. É uma estratégia que pode alavancar nomeações ao Oscar, embora o próprio David Fincher tenha declarado que “este não é um filme de Oscar”. Entende-se o que ele diz. Fincher aposta pesado no lado mais “dark” da estória, pelo pouco que podemos ver nos trailers e chamadas de TV, vai ser mesmo “the feel bad x-mas movie“. A Salander de Rooney Mara é extremamente outsider e o roteiro parece que vai carregar na parte pesada da trama, com ênfase ao tópico de exploração de mulheres, que era tangenciado apenas na versão sueca. O filme ainda não foi classificado, mas seguramente vai ganhar um R, o que quer dizer que menores só podem assistir acompanhados de um adulto.

Mas de volta à estratégia de lançamento, vejam só:

1. Duas chamadas para a TV, incluindo esta aí abaixo, de 1 minuto:

2. O site do filme na web é espetacular, com imagens alucinantes da Suécia, vale a pena visitar.

3. A trilha sonora do filme será lançada em 02.12

4. Soma-se a isto tudo um site que publica quase tudo da produção, o http://mouth-taped-shut.com/ e linka com outro,  http://www.whatishiddeninsnow.com/ onde pouco a pouco segredos são revelados em uma espécie de geo-catching game. Os internautas já acharam, por exemplo, 14 das flores enviadas à família Vanger, o capacete de Lisbeth e o diário de Harriet Vanger !

5. A cadeia de lojas H&M vai lançar uma coleção de roupas baseada na estética de Lisbeth:

6. A página do filme no Facebook já tem mais de 76000 curtições.

Enquanto isso, vivemos um ligeiro conflito de informações a respeito do lançamento do filme no Brasil. O site da rede Cinemark dá a estréia para 06 de janeiro, apenas duas semanas depois dos EUA, porém, o hiper-confiável calendário de lançamentos da Filme B aponta, desde faz muito tempo, a data de 27 de janeiro. A ver.

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O Facebook quer saber em que você está pensando

12 Angry Men (1957)
Image by Profound Whatever via Flickr

Curioso, não?  Paradoxal, até. Nestes tempos de tudo ao mesmo tempo, onde você só tem 140 caracteres para sintetizar tudo, a pergunta soa desfocada. Atrevo-me a dizer até que poucos a percebem, passam por cima dela com a velocidade habitual do ato contínuo. Mas vá lá olhar atentamente sua barra de status e confira. A pergunta está lá, como pano de fundo: No que você está pensando agora?

Ora,  e quem tem tempo para pensar?  E, mais, para que pensar, se já está tudo aí pronto, dado de bandeja?

O que vale é o que estamos fazendo, não é mesmo?

Bem, na boa, na boa mesmo, em alto e bom som, NÃO !

Precisamos sim pensar, pensar muito mais, e principalmente antes de fazer.

Só o pensamento transforma o mundo. Ou você acha que Newton estava fazendo algo embaixo daquela macieira?

Só o pensamento inova. Ou você ainda acha que executar as mesmas coisas, do mesmo modo de sempre vai te propiciar algum resultado diferente? A essência da diferenciação é a criação de alternativas, o estudo de opções, a análise de dados. Depois a ação. Para se obter resultados diferentes, é preciso repensar as coisas primeiro e fazer diferente depois. Para ser sustentável é preciso destruição criativa constante. E para criar é preciso pensar.

Pense nisso antes privilegiar a ação acima de qualquer. E pense nisso antes de escrever naquele espaço, a sua barra de status.

O gratificante é que parece que temos uma retomada da consciência em relação à importância do Pensar. A quantidade de informação disponível nunca foi tão alta, mas o tempo para digerir tudo nunca foi tão escasso. A velocidade do copy-paste é tentadora, mas é bom saber que alguns se recusam a adotá-la como modo de vida permanente. Alguns poucos ainda tem vontade de se debruçar sobre o joio e sacar o trigo.

Por isso foi um alento deparar-se com dois textos brilhantes que tem como pano de fundo esta temática, cujas essências reparto aqui. Primeiro, Sergio Augusto, no editorial do caderno Sabático do Estadão, aproveitando um ciclo de palestras sobre a preguiça (veja link aqui, lamentavelmente já esgotado), acabou nos brindando com o que considero as pérolas dos Papas do ócio, aqueles caras que sabiam que o não-pensar era a condenação da raça: O ócio, não confundam, não é entregar-se a uma espécie de “deixa assim para ver como é que fica”, o ócio é o tempo para pensar por excelência.

São os ociosos que transformam o mundo, pois os outros não têm tempo (Camus)

“A primeira prova de uma inteligência ordenada é poder parar e aquietar-se consigo mesmo” (Sêneca)

“Quem não tem dois terços do dia para si é escravo” (Niestzche)

Segundo, o grande artigo de Neal Gabler, reproduzido no Estadão, mas acessível aqui, sobre o mundo pós-ideia, que joga uma luz e tanto sobre o tema.  Neal advoga, no que tem absoluta razão, sobre a vitória inequívoca da Lei de Gresham, que adaptada da Economia para a Nuvem, quer dizer que informação ruim expulsa informação boa. E informação ruim é o que mais tem na Nuvem, o que mais orbita em torno dos sóis da Web.

E ficamos a ver navios, em uma grande Nuvem que condensou o mundo, mas que faz chover apenas fel, uma vez que dela nada frutifica.

Finalizando, deixo uma recomendação de um filme, que, entre outras coisas, evidencia a qualidade do pensar. Estou falando de “Doze homens e uma sentença”, no original: 12 angry men, (pode ser tanto a versão original, com Henry Fonda, como a refilmagem de 1997, com Jack Lemmon, no papel do velhinho obstinado). Não dá para dizer muito sem entregar o ouro. Veja e tire (pense) suas conclusões.

É isso aí!