Critica do cinema francês – Esposa troféu (Potiche)

François Ozon faz aqui um retrato sensacional dos anos 70, neste filme que é ao mesmo tempo irônico e requintado. Ele abusou do deboche e do escracho, mas não transformou este material em um pastelão, pelo contrário, o riso correu solto devido à inteligência das cenas criadas. Potiche é um filme-crítica às organizações e a CEOs fanfarrões e ao mesmo tempo um filme de época. Vale muito a pena. Um filme que ri de si mesmo a todo tempo, começando por usar atores-fetiche do cinemão francês, os ícones Catherine Deneuve e Gerard Depardieu, em papéis sem nenhum glamour. Ri também ao estereotipar tipos como os sindicalistas e os(as) “filhinhos(as) de papai”.

Não são muitos os filmes que retratam bem a vida nas corporações, mas os franceses quando o fazem, costumam acertar, basta lembrar “A Questão Humana”, e a brilhante comédia “O Corte” . Em Potiche, mais um acerto, especialmente no tom sarcástico que usa ao retratar as relações empresa-sindicato-empregados.

Ozon é mestre em criar situações que insinuam possíveis bifurcações para a estória, somente para logo em seguida desmontá-las habilmente, conduzindo a trama para uma terceira via também eficaz. Com isso, o roteiro funciona, tem ótimo timing.

Agora, o maior triunfo do filme é sem dúvida Fabriche Luchini, que está absolutamente sensacional como o CEO.

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Resumo (mesmo! ) de férias

Gene Kelly dancing while singing the title son...
Image via Wikipedia

Filmes:

Os doze condenados (12 Angry Men) – nunca deixe de expressar sua opinião

A viagem de chihiro – alguém pode me explicar ?

Esposa troféu (Potiche) – genial, Ozon! Luchini é um furação na tela.

Dançando na chuva (Singin’ In The Rain) – bom de rever

A outra (Another Woman) – Um Woody mais pesado, fase Bergman, para fazer contra-ponto com seus filmes mais leves atuais

Um dia de cão (Dog Day Afternoon) – Pacino, Pacino!

Minha versão do amor (Barney’s Version) – Imperdível, Paul Giamati dá um show e ótima ponta de Dustin Hofmann

The Adjustment Bureau – Se algum dia você fez um Plano, você vai gostar.

Cisne Negro (Black Swan) – bom, intenso.

Livros :

Our Choice – o ebook alçado a um outro patamar.

Liberdade (Freedom) – sigo a leitura no pós-férias, half way thru

Expo:

6 bilhões de outros – curioso, agora Yann Arthur tem a visão do todo e do individual. Parece que ele leu Lispector, ” a impessoalidade absoluta do mundo versus a minha individualidade como pessoa”

Kubrick em Paris, na Cinemateque > Muito bom, toda a filmografia do cara, inclusive os filmes que ele não fez.

Tv:

Guerra dos tronos (Game of Thrones)  > até agora, não chegou lá. A Terra Média segue imbatível.