Oscar 2012: Hugo versus The Artist

Se há uma guerra particular dentro da competição do Oscar 2012, esta será travada entre os dois filmes mais originais dentre todos os indicados, aliás os mais originais desde Avatar: O Artista e A Invenção de Hugo Cabret. O primeiro concorre a 10 estatuetas e o segundo a 11. Em 7 delas, a competição é direta. Vale a pena analisar categoria por categoria para ver quem vai ficar com o que, ou se ainda um terceiro filme pode aparecer correndo por fora e levar parte dos prêmios mais importantes.

1. Onde Hugo está sozinho

Efeitos visuais > indiscutivelmente o uso do 3D é um primor em Hugo, que deve ganhar esta, a menos que a academia resolva dar um reconhecimento para Harry Potter

Mixagem de Som  > pode dar qualquer um dos indicados, eu particularmente aposto que a Academia vai usar este prêmio menos importante para reconhecer um dos demais candidatos

Edição de som > Drive é um fortíssimo candidato aqui. “As pessoas não vão ver Drive, vão ouvi-lo”, diz a Première francesa.

Roteiro adaptado > o roteiro não é a melhor parte de Hugo, que peca na primeira metade por uma certa dificuldade com o timing.

2. The Artist sozinho 

Ator > não parece difícil para Jean Dujardin, dado à sua performance para lá de encantadora no filme, já reconhecida inclusive em outras premiações. George Clooney se aproxima cada vez daquilo que Brad Pitt já conseguiu, que é ser reconhecido como um ator e não apenas um star. Mas ainda não será desta vez.

Atriz coadjuvante > Berenice Bejo tem chances, embora seja estranho que sua indicação tenha sido para coadjuvante, afinal ela é o primeiro nome feminino do elenco. Sorte dela, que escapa da disputa direta com Meryl Iron Streep.

Roteiro original > aqui a competição é duríssima e o prêmio deve ir para Midnight in Paris. Woody merece.

3. Onde o verdadeiro embate acontece

Figurinos  > A academia costuma reconhecer filmes de época nesta categoria, portanto maiores chances para Jane Eyre. Entre nossos dois combatentes, Hugo.

 Música > ambos tem primorosas trilhas, mas o Artista se sobressai.

 Edição > outra categoria onde a disputa será árdua, contando ainda com The Girl with the Dragon Tatto no páreo.

Cinematografia > deve prevalecer o impacto do 3D de Hugo.

Direção de arte > A complexidade de Hugo chama a atenção, a arte dos primeiros minutos é simplesmente mágica e a recriação do universo de Meliés um espetáculo à parte. Hugo.

Direção > Scorsese fez um trabalho hercúleo, e deve ser recompensado.

Melhor filme > é no mínimo curioso que estejamos cotejando um filme francês que homenageia uma época de ouro da cinematografia americana e um filme americano que rende-se aos franceses, inventores da sétima arte. Uma disputa alucinante de estilos também, pois ao passo que The Artist vale-se de quase nenhum efeito especial, é um filme de baixo orçamento e não tem elenco superstar, Hugo usa as mais modernas técnicas de filmagem, é uma superprodução e tem nomes de maior peso no elenco, embora nenhum super-astro. O filme francês ganhou quase tudo até agora e, no conjunto, é mais harmônico que Hugo. Fica a minha aposta.

Bom Domingo a todos.

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30 days to go: toda a estratégia de lançamento do novo “Os homens que não amavam as mulheres” (The Girl with the Dragon Tattoo)

Dia 21 de Dezembro estréia nos EUA a versão de David Fincher para a primeira parte da Trilogia Millennium de Stieg Larsson. A estratégia de divulgação do filme é massiva, e tem sido bem sucedida, gerando muito atenção em todas as frentes. É uma estratégia que pode alavancar nomeações ao Oscar, embora o próprio David Fincher tenha declarado que “este não é um filme de Oscar”. Entende-se o que ele diz. Fincher aposta pesado no lado mais “dark” da estória, pelo pouco que podemos ver nos trailers e chamadas de TV, vai ser mesmo “the feel bad x-mas movie“. A Salander de Rooney Mara é extremamente outsider e o roteiro parece que vai carregar na parte pesada da trama, com ênfase ao tópico de exploração de mulheres, que era tangenciado apenas na versão sueca. O filme ainda não foi classificado, mas seguramente vai ganhar um R, o que quer dizer que menores só podem assistir acompanhados de um adulto.

Mas de volta à estratégia de lançamento, vejam só:

1. Duas chamadas para a TV, incluindo esta aí abaixo, de 1 minuto:

2. O site do filme na web é espetacular, com imagens alucinantes da Suécia, vale a pena visitar.

3. A trilha sonora do filme será lançada em 02.12

4. Soma-se a isto tudo um site que publica quase tudo da produção, o http://mouth-taped-shut.com/ e linka com outro,  http://www.whatishiddeninsnow.com/ onde pouco a pouco segredos são revelados em uma espécie de geo-catching game. Os internautas já acharam, por exemplo, 14 das flores enviadas à família Vanger, o capacete de Lisbeth e o diário de Harriet Vanger !

5. A cadeia de lojas H&M vai lançar uma coleção de roupas baseada na estética de Lisbeth:

6. A página do filme no Facebook já tem mais de 76000 curtições.

Enquanto isso, vivemos um ligeiro conflito de informações a respeito do lançamento do filme no Brasil. O site da rede Cinemark dá a estréia para 06 de janeiro, apenas duas semanas depois dos EUA, porém, o hiper-confiável calendário de lançamentos da Filme B aponta, desde faz muito tempo, a data de 27 de janeiro. A ver.

Um Oscar para Noomi? – Millennium 3, “The Girl who kicked the hornet’s nest”

Academy Award for Best Foreign Language Film
Image via Wikipedia

A finalização da trilogia Millennium nas telas (estamos falando dos filmes originais suecos) termina muito bem com esta parte 3, baseado no livro “A Rainha do Castelo do Ar”.  Tal como nos dois primeiros filmes, este também é bastante fiel ao livro.

O filme assenta-se no tripé composto pelo julgamento de Lisbeth, a solução das questões políticas assossiadas à toda a trama e o acerto de contas familiar dos Salander.

Mas o mais correto talvez seja dizer que o filme levanta voo pela presença de Noomi Rapace como Lisbeth Salander, uma verdadeira “encarnação”, a exemplo do que já havíamos visto nos dois primeiros filmes da série. O papel de Salander foi “tomado” por ela de tal forma que já é difícil falar da personagem sem “ver” Noomi. Tanto que um movimento para dar um Oscar a Noomi anda solto na Web e uma indicação é mais do que merecida. Porém, como o Oscar não é só um tema de performance, e sim também de recursos investidos em campanhas de marketing, etc, há pouca lógica em se acreditar neste investimento nem por parte dos produtores (que já lucraram no mundo todo com os filmes), nem pela distribuidora americana, que também já lançou os filmes e não ganharia muito mais com a premiação. Sem falar no lobby do remake, que quer deixar terreno limpo para David Fincher em 2012.

De resto, para os fãs da série, esta terceira parte é um final digno para a trilogia nas telonas.

é isso aí,