Segunda Divisão vs. Primeira

Tudo bem que um canal tenha resolvido transmitir os jogos da Segundona, mas o que é inexplicável é o prejuízo para os que compram pacotes de pay-per-view. Antes, dispunham do horário do sábado à tarde com jogos da Primeira Divisão, ou seja, o dono do pacote poderia ver 4 jogos do campeonato no fim-de-semana: 1sábado às 16h, 1 sábado às 18h, e a mesma coisa no Domingo. Agora, o de sábado às 16h sumiu, a Primeira Divisão só joga em três horários, sábado 18h, e domingo às 16 e 18h. Prejuízo de 25%, sem alteração de valor na cobrança.

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Devorando Shakespeare (2)

Hamlet. 3h15 de duração, teatro lotado. Se tiver lugar, vá, não se preocupe muito com o lugar, a movimentação dos atores é tão intensa que, pelo menos em algum momento, vc vai estar cara a cara com eles.

A representação tem ótimas propostas, como o fato de que os atores quando saem de cena, ficam alí, à espreita, assistindo também e ajudando no cenário. Tem o lance da câmera que passeia, tem os múltiplos personagens que são assumidos por um outro.

Mas tem sobretudo muito de interpretação de Wagner, em um ótimo momento. Reconheça-se que é um texto difícil, longo, que exige máxima concentração. Todo ator deveria se provar com Hamlet. O cara passou com louvor, diga-se de passagem. Mas não se pode dizer o mesmo de muitos dos demais, Tonico esquecendo as falas, titubeando muito, as duas personagens femininas, muitas oitavas abaixo. Mesmo com os atores trajando um figurino moderno e despojado, nada se perde e o texto flui, a nova tradução não perde sua essência, não o moderniza tanto, como no caso de Cacá e sua Megera. Vá ver!

Devorando Shakespeare (1)

Temos três peças de William Shakespeare em cartaz na cidade no momento. Um desafio e tanto dado o tempo exíguo para vê-las. O critério de escolha então foi meramente cronológico: a que sairia de cena por primeiro, deveria ser vista antes, e depois as outras. Então começamos com a Megera Domada, na montagem de Cacá Rosset.

Gostei da criatividade do grupo, o cenário estava bom e os figurinos também. E a caracterização da Megera, por Cristina Tricceri, excelente. A peça conta com boas surpresas, porém com um escracho demasiado em algumas partes e algumas piadas se repetem demais. Aliás, a encenação fica alongada desnecessariamente por causa destes pequenos pecados aqui e alí. Mas é um bom programa e uma ótima preparação para o mundo de WS. Percebi crianças e jovens na platéia, talvez vendo Shakespeare pela primeira vez, o que deve servir de estímulo para novas incursões.

Vá ver se ainda der tempo!

Sex and the City – muitos furos!

Lá vou eu de novo: Deve ter um trilhão de críticos e afins comentando o filme, se apegando em aspectos tais quais – “não está a altura da série” – ou – “vocês viram a celulite da fulana?”. Eu vou por outras bandas, pessoal:

1. Não é louco que o filme gire em torno do casamento de Carrie? É como se no final de A Gata e o Rato Cybill e Bruce virassem adeptos do sexo casual…….percebem a ironia?

2. A piadinha com o México….o que é aquilo? Tá certo que eles quiserem parecer engraçados, mas o fato é que a mocinha, depois de beber a água do país inadvertidamente, realmente tem problemas intestinais! Que feio! 

3. O esteriótipo do italiano garanhão……..em que década estamos, afinal?

4. E a grande Carrie, alguém me explica, como pode ser tão apaixonada por um sujeito que é incapaz de escrever mais de uma frase de cada vez e que tem de copiar as cartas de amor de um livro?

De resto, boa diversão, mas em “O Diabo veste Prada” os figurinos eram melhores. E tinha Meryl.

A Serpente de Nelson

Fui ver “A Serpente”, a última peça de Nelson Rodrigues, com Débora Falabella e sua irmã, na Tuca. Podemos discutir se o texto de Nelson é atemporal, o que não acho, mas aceito rebatores. Creio que a estorinha suburbana que envolve traição, relações de família, etc..ficou datada. Mas esta encenação em especial é arrebatora, vigorosa e envolvente. E crível, muito crível, mérito dos atores, todos ótimos nos seus papéis. Agora, que é datado é, confiram vocês mesmos.