A sombra e a luz, fábula em um ato.

A sombra e a luz
Passeava a luz alegremente pela floresta quando se depara com uma arvore frondosa, de galhos amplos, de cujas folhas pendiam muito frutos de aparência saborosa.
A luz decide descansar e se acomoda sob a arvore, encostando-se no tronco. Ao adormercer, se apaga por um instante.
Nisso vem a sombra, e a tudo engole e a todos remete a uma escuridão terrível.
Diz a arvore: levanta-te, luz, devolva-nos o dia, a vida, a alegria!
A luz, inabalável, retruca:
Eu não, cansei de tudo iluminar, de ser radiante, quero o ostracismo
A sombra, embora ninguém possa ver, sorri à larga.
A arvore indigna-se e grita, exasperada:
Mas feneceremos todos neste breu, neste mar sem fim de negrume inóspito!
Cala-te ente, o mundo precisa de um pouco de Nada agora. 99% do universo é assim, breu total. Já escutaste alguém reclamando disto?
E a árvore, apelativa: Mas somos nós, este 1%, que fazemos a diferença! Luz: volte por favor!
Esqueça. Detesto minorias, quero me juntar ao grande e democrático Nada Total. Vamos! Ao breu!
Não consta que o Universo tenha reclamado de agregar o ultimo bastião de resistência.

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