A exposição Vermeer e a Dutch Golden Age em Roma

A exposição “Vermeer – o século de ouro da arte holandesa” está em cartaz em Roma até 20 de janeiro de 2013. A curadoria, que inclui Walter Liedtke, do MET, fez um excelente trabalho. Liedtke é dos maiores especialistas em Vermeer, tendo publicado inúmeras obras de qualidade a respeito do grande pintor de Delft, que tem oito de seus trinta e seis quadros na mostra. Inúmeras outras peças de autores de grande importância no contexto da Dutch Golden Age e de importância maior ainda para entender a grandeza de Vermeer completam a exposição, cuja grande feito é lograr contextualizar, comparar e evidenciar o gabarito de Vermeer através do contato também com seus pares e co-irmãos.

De Vermeer temos, na ordem sugerida da exposição:
1. The Little Street
2. Saint Praxedis
3. The Girl with the wine glass
4. Girl with the red hat
5. Lute Player
6. Young woman seated at a virginal
7. A young woman standing at a virginal
8. Allegory of the catholic faith

Pode-se argumentar que as grandes obras de Vermeer não estão representadas. As incrivelmente famosas Girl with the Pearl Ring e The Milkmaid, por exemplo, ficaram de fora. Mas as oito peças escolhidas perfazem um panorama brilhante das distintas fases da arte de Vermeer. Os temas religiosos estão presentes, assim como um tronie e as celebradas cenas do cotidiano.
Peter de Hooch e Gabriel Metsu são os outros dois artistas merecidamente realçados. É importante entender o contexto da pintura flamenca na época de Vermeer para que se tenha uma correta compreensão sobre sua obra. Os pintores em questão não são contratados da realeza ou da alta burguesia. Daí os temas mais banais, da vida cotidiano estarem tão presentes. De Hooch e Vermeer conversavam formalmente a respeito de obras e Metsu teve acesso a diversos quadros de Vermeer. Metsu, em pelo menos duas obras, ombreia com Vermeer. Em “A woman writing a letter” e A man writing a letter”, temos duas obras-primas. Os temas e padrões se comunicam, não só no caso de De Hooch, Metsu e Vermeer, mas também em relação a vários outros artistas, como Fabritius, tido por muitos como mestre de Vermeer.
É na comparação com todos eles que vemos porque Vermeer se destaca, ao elevar a pintura de gênero a patamares nunca vistos. Emblemática é a comparação da Saint Praxedis de Vermeer com sua homônima de um pintor italiano. A cópia é quase literal, mas deixa claro as preferências de Vermeer pela luz, pela intensidade do momento.

A diminuta tela da pequena rua de Delft nos exige um esforço adicional para admirar os inúmeros detalhes, e por isso talvez desperte tanto entusiasmo.

O que dizer de “The girl with the wine glass”? Brilhante nos refinamentos, como na taça de vinho, onde Vermeer “pinta” a transparência de um modo incrível.

A imagem escolhida para ilustrar a exposição, a moça do chapéu vermelho, enigmática, sedutora ao mesmo tempo em que de beleza questionável. Um tronie interessantíssimo.

Três cenas já clássicas de mulheres em cenas com instrumentos musicais compõem um interessante recanto da exposição, que fecha com uma obra de motivos religiosos, a alegoria da fé.

De agora até janeiro você pode até ir a Roma e não o Papa, mas você tem de ver Vermeer.

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