Crítica do cinema francês – Intocáveis / Intouchables

Embora na mesma cidade, eles eram completamente diferentes e o encontro entre ambos, quase impossível. Um, podre de rico, branco, cercado de todas as regalias, vivendo dentro de uma bolha protetora contra toda e qualquer imundície do mundo real lá fora. Apenas um problema, ele é tetraplégico. Outro, podre de pobre, negro, cercado de todas as imundícies do mundo real, sua única bolha protetora é via o escapismo da droga. Mas de repente todos os tais seis degraus de separação vão se fusionando na tela à sua frente. Todas as intrincadas peças do mecanismo do Acaso se movem para criar uma conjunção inusitada. O encontro se dá. O improvável está diante do inesperado. O que nunca poderia acontecer, surge. Eles se cruzam, convivem, se tocam. Muito. Intocável é o que não existe. O resto tudo é muito tocável. E você vai rir e chorar. Não necessariamente nesta ordem e menos ainda de forma organizada. Todas as emoções vão se embaralhar em você, como cartas jogadas a esmo.  O momento de tensão vira piada. O escracho quer te dizer alguma coisa, e o aperto no peito é para te dar centro.

É bom ficar de olho em Toledano / Nakache. Os caras já fizeram alguns filmes juntos e parecem sólidos. Na trilha dos Coen. François Cluzet renasce esplêndido, merecidamente. E Omar Sy é brilhante, para dizer o mínimo. Você vai se lembrar de O escafandro e a borboleta, igualmente baseado em uma história real e com um personagem principal fisicamente incapacitado. Mas este Intocáveis atinge um patamar superior. Talvez por dar mais leveza, por não sentir pena em nenhum momento. Philippe mesmo afirma que não quer compaixão. Philippe paga por serviços e só.

Muitos qualificam o filme como comédia. Para mim este filme é essencialmente a vitória do Humano. Emoção do primeiro ao último pedaço de celulóide. O que é intocável é aquilo que a nossa cegueira nos impede de ver à nossa frente, aquilo que a nossa insensibilidade tenta esconder. E como dizem os ingleses, stay in touch. É isso que faz a diferença. Ainda há esperança. Toque de gênio.

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