Rasgando o futuro

O homem, provavelmente indignado com os resultados, adentra o recinto onde são declarados os vencedores, apanha as cédulas de votação, foge e rasga os papeis todos, em um ato de fúria. Mas o que parece um ato isolado de destempero, certamente não o é.  Seguro que a turba o incentivou, todos os companheiros que ali se sentiam prejudicados, enganados, só precisavam de um sujeito com menos conflito entre razão e emoção para concretizar a barbárie que muitos almejavam. E este não tardou a aparecer.

O que me interessa, porém, não é analisar o comportamento de um indivíduo incitado pela massa, ou sequer analisar porque aquela votação era mais rudimentar que eleição de síndico de prédio pequeno.

O que me interessa é pensar que aquela atitude, perpetrada por um, mas seguramente desejada por muitos, é o reflexo de um modo de ser que prefere “reagir contra o sistema”, a fazer qualquer tipo de autocritica. É querer impor-se pela prepotência e não pelo Saber.

Pois Brasil afora nos seguimos rasgando orçamentos que não queremos cumprir, seguimos rasgando os boletins da escola que saíram ruins, seguimos rasgando as avaliações dos consumidores que apontam falhas em nossos produtos, seguimos rasgando os votos contrários ao nosso partido. Rasgamos sempre, ao invés de tentar entender nossas deficiências.

Enquanto persistir esta cultura não sairemos do lugar. O primeiro passo para o crescimento é reconhecer seus pontos fracos. O autoconhecimento precede a capacidade do ser de melhorar. Só quem tem autocritica apreende e avança.

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