Um Livro: Liberdade (Freedom) de Jonathan Franzen

Freedom
Image by Kliefi via Flickr

O livro do século, segundo o The Guardian. Com um apelo destes, você entra na leitura com uma expectativa tremenda. Não vai se contentar com um enredozinho qualquer, uma trama de segunda, obviedades múltiplas. Claro que não. O bom é que Jonathan Franzen entrega o prometido. Como o século tem apenas 11 anos, sua obra é no mínimo uma competidora de respeito na disputa.

O autor abusa da forma narrativa alternada, passando a voz para várias personagens, uma por capítulo. Funciona. Com extrema habilidade, ele nos oferece vários pontos de vista sobre a estória que quer contar.

Somos apresentados aos Berglunds, típica família do meio-oeste americano, de descendência sueca, vivendo no meio-oeste americano após o 9.11.

Walter Berglund é casado com Patty, e eles tem os filhos Joey e Jessica, em idade de ir para a universidade. Walter está chegando a meia-idade e questiona suas atitudes perante a vida. Anseia ser como Richard, um roqueiro, seu grande amigo de juventude, ao mesmo tempo em que o despreza. Deste embate interno, dependem todas as decisões que ele toma. As boas e as ruins. Walter tem uma causa, o combate a superpopulação no planeta. É um estandarte da ética e do bom comportamento, mas não se acerta com os filhos e sua relação com Patty está por desandar. Patty é descontrolada, meio amalucada, e os capítulos com a voz dela são os mais surpreendentes. Os filhos seguem caminhos distintos. E Richard, bem Richard é uma espécie de Dude elevado ao quadrado. O cara mais cool da face da Terra.

Com estes poucos tipos e alguns outros personagens secundários, como Lalhita, a assistente de Walter no seu emprego, Franzen faz o que quer. Nos brinda passagens memoráveis e nos faz pensar sobre nossas próprias atitudes. E ao longo da trama, tece ácidos comentários sobre a politica americana, sobre o politicamente correto das causas “nobres”, como a febre da Sustentabilidade.

Um segredo do passado será a gota d’água que fará transbordar todas as tensões.

E por que Liberdade? Bem, eu interpreto que Franzen quis mostrar a impotência do Humano. O nosso aparente livre-arbítrio é exatamente isso, muito aparente. Livres são os pássaros, que não sabem nada, não tem vínculos emotivos e sobretudo, não pensam. A capa do livro na versão brasileira lamentavelmente omite o passarinho da capa americana original, uma pena.

O livro eh ótimo, embora Franzen tenha escolhido um final recheado de lugares-comuns, que talvez seja o ponto vulnerável desta brilhante peca literária.

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