O Facebook quer saber em que você está pensando

12 Angry Men (1957)
Image by Profound Whatever via Flickr

Curioso, não?  Paradoxal, até. Nestes tempos de tudo ao mesmo tempo, onde você só tem 140 caracteres para sintetizar tudo, a pergunta soa desfocada. Atrevo-me a dizer até que poucos a percebem, passam por cima dela com a velocidade habitual do ato contínuo. Mas vá lá olhar atentamente sua barra de status e confira. A pergunta está lá, como pano de fundo: No que você está pensando agora?

Ora,  e quem tem tempo para pensar?  E, mais, para que pensar, se já está tudo aí pronto, dado de bandeja?

O que vale é o que estamos fazendo, não é mesmo?

Bem, na boa, na boa mesmo, em alto e bom som, NÃO !

Precisamos sim pensar, pensar muito mais, e principalmente antes de fazer.

Só o pensamento transforma o mundo. Ou você acha que Newton estava fazendo algo embaixo daquela macieira?

Só o pensamento inova. Ou você ainda acha que executar as mesmas coisas, do mesmo modo de sempre vai te propiciar algum resultado diferente? A essência da diferenciação é a criação de alternativas, o estudo de opções, a análise de dados. Depois a ação. Para se obter resultados diferentes, é preciso repensar as coisas primeiro e fazer diferente depois. Para ser sustentável é preciso destruição criativa constante. E para criar é preciso pensar.

Pense nisso antes privilegiar a ação acima de qualquer. E pense nisso antes de escrever naquele espaço, a sua barra de status.

O gratificante é que parece que temos uma retomada da consciência em relação à importância do Pensar. A quantidade de informação disponível nunca foi tão alta, mas o tempo para digerir tudo nunca foi tão escasso. A velocidade do copy-paste é tentadora, mas é bom saber que alguns se recusam a adotá-la como modo de vida permanente. Alguns poucos ainda tem vontade de se debruçar sobre o joio e sacar o trigo.

Por isso foi um alento deparar-se com dois textos brilhantes que tem como pano de fundo esta temática, cujas essências reparto aqui. Primeiro, Sergio Augusto, no editorial do caderno Sabático do Estadão, aproveitando um ciclo de palestras sobre a preguiça (veja link aqui, lamentavelmente já esgotado), acabou nos brindando com o que considero as pérolas dos Papas do ócio, aqueles caras que sabiam que o não-pensar era a condenação da raça: O ócio, não confundam, não é entregar-se a uma espécie de “deixa assim para ver como é que fica”, o ócio é o tempo para pensar por excelência.

São os ociosos que transformam o mundo, pois os outros não têm tempo (Camus)

“A primeira prova de uma inteligência ordenada é poder parar e aquietar-se consigo mesmo” (Sêneca)

“Quem não tem dois terços do dia para si é escravo” (Niestzche)

Segundo, o grande artigo de Neal Gabler, reproduzido no Estadão, mas acessível aqui, sobre o mundo pós-ideia, que joga uma luz e tanto sobre o tema.  Neal advoga, no que tem absoluta razão, sobre a vitória inequívoca da Lei de Gresham, que adaptada da Economia para a Nuvem, quer dizer que informação ruim expulsa informação boa. E informação ruim é o que mais tem na Nuvem, o que mais orbita em torno dos sóis da Web.

E ficamos a ver navios, em uma grande Nuvem que condensou o mundo, mas que faz chover apenas fel, uma vez que dela nada frutifica.

Finalizando, deixo uma recomendação de um filme, que, entre outras coisas, evidencia a qualidade do pensar. Estou falando de “Doze homens e uma sentença”, no original: 12 angry men, (pode ser tanto a versão original, com Henry Fonda, como a refilmagem de 1997, com Jack Lemmon, no papel do velhinho obstinado). Não dá para dizer muito sem entregar o ouro. Veja e tire (pense) suas conclusões.

É isso aí!

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