We will always have (Midnight in ) Paris

Midnight in Paris Photo Call
Image by PanARMENIAN_Photo via Flickr

Nostalgia. Modo de usar.

Allen nos entrega uma pérola impregnada de otimismo, lapidada por um texto magnífico, que na maioria das vezes a ele foi presenteado pelos Grandes Mestres que ele, por sinal,  põe na tela para conviver com o seu alter-ego mais jovem. A Owen Wilson cabe o papel do desconectado, perturbado ser que perambula a esmo por Paris, sem saber o que fazer da vida, sem saber como avançar em seu projeto pessoal e sobretudo, sem saber como lidar com as pessoas à sua volta, principalmente sua noiva e seu amigo para lá de pedante. Ele acaba por receber ajuda de um bando sensacional. Falar mais é revelar surpresas que são jóias preciosas do filme.

Diga-se de passagem que Owen cumpre muito bem sua missão, chega a ter uma entonação de voz e trejeitos que lembram os de Woody ao pé da letra.

Já falei aqui em outros textos que Nostalgia se aprende que é doença (negação do presente, dificuldade de se conectar com a realidade, etc…). Saudade seria mais saudável, seria uma forma de admirar algo que já passou, mas sem perder o vínculo com o presente, a realidade. Allen, porém, transforma a Nostalgia em inspiração e o faz magistralmente. Transporta a todos para um mundo idealizado, para uma Paris mágica que é a “festa em movimento” de Hemingway. Mas não para brincar com isso ou cair em uma armadilha fácil e naïve. E sim para corroborar a frase, dita por uma das personagens:  “A vida é insatisfatória”. O escapismo propiciado pela Nostalgia portanto, a partir desta premissa, acaba sendo tão válido quanto qualquer outro. Em um certo momento da trama outra personagem alerta: “vivemos tempos loucos, muito acelerado”. Soa como Huxley, que escreveu isso em 1968. Para nós, os tempos loucos são estes de agora, do século XXI. Para cada geração, o tempo presente é o mais louco, o mais veloz, o mais inadequado de se viver. Sem solução.

Woody surpreende com este filme, que tem leveza, otimismo e transmite uma grande emoção. É uma ode à vida, que ele parece querer dizer que tem de ser vivida do jeito que se quer viver, alicerçada na essência de cada um, com seus valores e ideais. Sejam quais forem. Woody Allen, com quase 76 anos, acaba de acrescentar uma ótima peça ao seu já magistral legado. Que venham mais!

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