A(s) Chegada(s)

Papéis, papéis. Estava pensando em todas as maneiras de saudar a chegada do Marquinhos, e na verdade, depois de matutar e maturar tudo, concluo que não existe uma única maneira de saudá-lo, pois eu tenho várias formas de ver o mundo. Então, assumindo todos os papéis, todos os meus eus, foi assim que eu (nós) vi (vimos) a sua chegada:

Do executivo e CFO  Marcos Bardagi > o Marquinhos teve uma excelente performance, na verdade antecipando-se à concorrência pode chegar ao resultado esperado com alguns dias de folga em relação ao target. É de se ressaltar a excelência operacional do desempenho, haja vista que a produtividade obtida pela interrupção abrupta dos trabalhos (de parto normal), trouxe um ganho extra para os envolvidos (a equipe cirúrgica e o hospital).

Do implementador de ERP´s > o Projeto MaFA (Marquinhos For All) foi concluído com êxito, o Go-live pode ser antecipado em alguns dias, gerando enormes sinergias e a possibilidade de realizar de testes adicionais do pezinho. Os end-users, embora tenham sofrido um pouco com a falta de treinamento, estão já rapidamente se acostumando ao novo ambiente de trabalho.

Do francófono Marcô Bardagí > Marquinhos fez o seu debut com extrema ellegance. A soirée mal tinha começado e ele já resolveu entrar de cabeça. Com muito glamour, sob fortes luzes e cercado de uma entourage de “femmes vitales”, fez seu vernissage muito eficazmente. Faltou champagne et du vin rouge, mas que tinha canapés, ah isso tinha.

Do saxônico Dr. Hr. Bardagui > realmente podemos afirmar que o processo de entrada de Marquinhos foi muito eficaz. Tínhamos planificado tudo e, apesar de alguns ligeiros desvios de rota, alcançamos resultados muito positivos. Não há objeções ao andamento dos trabalhos, razão pela qual felicitamos muito entusiasticamente (bem, não tanto assim…) ao novo membro de nossa mui leal e valorosa comunidade.

Do cinéfilo contumaz Marc de Bardagis >  pois eu acho que esse negócio assim do improviso, da chegada repentina, isso tem um quê de Tarantino, uma busca de surpreender a cada instante. É verdade que se analisarmos o conjunto da obra, com toda a pré-produção, é coisa bem mainstream mesmo, tipo cinemão, blockbuster. Nasce fadado ao estrelato.

Do über-moderno Marc Ospatta > Líquido. Eu via tudo líquido, sabe? Essa coisa da pós-modernidade, onde na verdade nos liquefazemos diariamente em tudo. Uma coisa amniótica. Na ansiedade de sair, de deixar, talvez meio que inconscientemente, um ambiente seguro e estável, e se aventurar no desconhecido, isso é reflexo da saturação dos modelos atuais, onde não há uma contestação genuína do Geist.

Do Facebook Bardagi > Bardagi “curtiu” isso.

Do gaúcho Tchê Bardagão > Bah, o guri chegou tranquilaço, não se  segurou mais de emoção no piscinão lá dentro e se bandeou para bandas de cá. Saiu assim de repente, como quem não quer nada, mas o bagualzinho não demorou nada já tava igual cusco ciscando em dia de mudança com as mina lá do berçário. Tchê, façanha, façanha bacanaça, de servir de modelo à toda terra.

Do coloradaço B’ ardassandro > Só vi o guasca chorando um pouquinho quando saiu e já foi ficando todo vermelho, coloradão que é. Ele tentou um cabeçasso assim tipo Dadá quando parava no ar, deu um cotovelaço a la Figueroa na anestesista e desatou a fintar o pediatra, altivo, esbelto, que nem o Falcão, passeando pelo CO. Glória do desporto. Olhou para um lado e cuspiu no outro, tipo Mario Sérgio, uma beleza. Só não vai me sair com a formosura do Gabiru, guri. Congo? Não sei onde é. Pergunta para o perfil aí de baixo.

Do Geográfo, o Barão Marc von Bard > supondo o planisfério como referência, temos a saída, via Delta do Mekong. Mas a ruptura da Bolsa, que é uma coisa assim como o colapso do Muro de Berlin, impede a passagem tranquila das águas e outros líquidos e corpos. O fluxo de massa vem como banhado em vermelho-rosado, como em uma vista aérea da migração dos flamingos na savana africana. Uma hecatombe de força no primeiro choro, rugir de vulcões adormecidos. Rompe-se o cordão, que é como separar a Bósnia da Herzegovina, ou os tchecos dos eslovacos. Ou ainda a Valonia de Flandres, ou o Quebec do Canada. Deixa para lá, não queremos suscitar revoluções. O ser assume sua independência, isola-se em si mesmo, como Kaliningrado da Rússia, ou Kabinda de Angola, ou o Congo-belga da Bélgica….Deixa para lá, deixa para lá….

Do narrador de futebol de botão Marcos de Souza Bardagi (para ler rápido, como um disco em 78 rotações)> Arranca Marquinhos pela ponta direita. Passa espetacularmente pela marcação e vai em direção à meta. É um ataque certeiro, dribla sensacionalmente o beque Cordão, floreio sensacional no lateral Colo. Vai para o Gol, atenção…..nooooo paaaauuuu! noooo paaauuuuuu!!! não entra o tirombaço. …Nova tentativa de Marquinhos, impossível na armação da jogada, imparável. Im-pa-rá-vel esse garoto, a nova revelação! Vai de novo em direção à meta. Atenção, mais um drible seco, olha lá, olha lá, vai que dá, vai que dá…ééééé….é puxado pelas costas! É sacado brutalmente do campo de jogo. Uma barbaridade! E já surge à beira do gramado, extenuado, sujo, uma falta brutal cometida contra este garoto. Isto é profundamente, mas isto é profundamente lamentável, digo, comemorável cidadão. Profudamente comemorável cidadão!

Do pai da Alice e da Julia, o Papito > Pô, a Alice com 14 e a Julia com 11, eu me julgava super preparado para o Marquinhos, mas a verdade é que tudo mudou, mesmo, sem brincadeira. Hoje temos o modelo E.A.S.Y, que se eu tivesse aprendido antes….ah! E acabo de descobrir que tem o método H.E.L.P. também, o que é bastante tranqüilizador.

Do maridão da Dani, o Gá > pois é garotona, o meninão procurou, procurou a saída, mas preferiu a opção da clarabóia superior. Mas tudo bem, ele escolheu a hora e coube a você sofrer a navalhada. Coisa já superada. Agora você já é Mãe. Miss Mãe 2011. Ficarei um pouco para escanteio, é certo, mas não importa. Já te falei que sou craque em gol olímpico?

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3 thoughts on “A(s) Chegada(s)”

  1. Parabéns Marcos pelo filhão. Realmente filho é uma coisa que mexe com a gente. Viramos leões ou maria mole (o doce) dependendo do caso.
    Parabéns também pelo texto… muito bom mesmo
    Abraços

  2. O texto é excelente, embora errôneo com relação a cor clubística do guri.
    Evidentemente, seguindo a maioria das pessoas que têm origem gaúcha, o piá será gloriosamente tricolor, Imortal como 60% das pessoas.
    Abraços!

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