Um livro: A Passagem (The Passage)

Cover of "The Passage"
Cover of The Passage

Quando você lê em outro idioma, pode haver um grau de perda em relação àquilo que você lê na sua língua materna. Mas, dependendo do domínio que se tem da outra língua, é uma perda bastante suportável. Eu estava ansioso para ler The Passage, de Justin Cronin (que acabou eleito um dos dez melhores livros de ficção de 2010 nos USA), tanto que  acabei fazendo-o chegar para mim logo do lançamento lá fora (thanks, mana!). Só para, algumas semanas mais tarde, eu começar a me deparar com as capas de A passagem, de Justin Cronin, em todas as livrarias nacionais. Parece que em certos casos temos uma espécie de tradução simultânea…

O livro é um bom divertimento, sem dúvida. Difícil contar algo sem destruir parte do encanto de descobrí-lo. É uma saga, uma coisa épica, onde mudam os heróis a medida em que a narrativa avança ao longo das suas quase 800 páginas, e na medida da evolução temporal da trama. (em 2010, entretive-me com livrões: o último Larsson, depois Bolaño e agora este, 2500 páginas em apenas 3 livros…).

Há muita imaginação por parte do autor na criação de um cenário apocalíptico, disparado por experimentos científicos que escapam ao controle das autoridades. A partir daí, Cronin acha um caminho interessantíssimo para revisitar temas batidos como vampiros, o fim do mundo, superstição e fé. Pensado quase que como estórias distintas que se interconectam, o livro tem claramente 3 fases. A trama inicia em altíssima velocidade, envolvendo dois policiais que tem a missão de transportar presos de alta periculosidade para uma instalação secreta do exército dos USA. Essa parte do livro é uma clássica narrativa de ação, embora com elementos que já denotam a genialidade do autor.

Na segunda parte, temos toda a criação de um mundo novo, com toques que nos remetem aos melhores neste tipo de ficção, como Tolkien ou Dick. É uma parte exaustiva, um tanto arrastada na narrativa, que introduz dezenas de personagens novos, mas riquíssima, recheada de elementos saborosos.  Cronin sabe levar diversas situações em paralelo, saltando aos poucos de uma para outra e amarrando a narrativa habilmente, mantendo o suspense até o final. Final este que, embora vertiginoso, ação pura, exagera em certos aspectos. Cronin arrisca muito a credibilidade da sua trama ao colocar seus personagens em armadilhas muito intrincadas de resolver, e sempre resolvê-las. A coisa fica com um gosto um tanto estranho, depois de ser experimentada pela enésima vez.

Tudo está pensado para ser uma trilogia, comenta-se, e honestamente, os ganchos foram todos colocados…..mas se forem realmente sair mais dois livros, vou esperar as versões em português, que demandarão menos esforço.

É isso aí,

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s