Os 39 degraus – uma avaliação

Cheio de soluções criativas, principalmente na cenografia, Os 39 degraus agrada bastante.  A peça, em cartaz no Teatro Frei Caneca, é uma boa adaptação. Embora os produtores tenham mantido a ambientação em Londres e na Escócia, o texto foi recheado de referências ao cotidiano brasileiro, com ênfase, nestes tempos de eleições, ao cenário político. E tudo entra à perfeição, com sutileza e graça.  As soluções encontradas para a ambientação (em um trem, em um carro, a ponte, a fuga, entre outras) são brilhantes. Invariavelmente, ao optar pelo mais simples, estas soluções abram mais espaços para o brilho dos atores. Eles são quatro, e três deles (Danton Mello, Fabiana Gugli e Henrique Stroeter) se revezam em inúmeros personagens, cabendo a Dan Stulbach manter a linha narrativa sempre como Richard Hannay, o inglês por excelência, que é “envólvido” em uma trama de espionagem, acusado de um assassinato que não cometeu.

Alguns personagens são impagáveis, como a espiã alemã de sotaque marcante e trejeitos hilários e o pobre fazendeiro escocês. As trocas de caracterização, no entanto, não são tão sutis como em Irma Vap, com a direção tendo optado por uma linha mais escrachada.  Funciona, mas escapa-se do clássico em favor do histrionismo.

As homenagens a Hitchkock vão se sucedendo, pelo menos três outros filmes do diretor  são citados e o enredo funciona bem até a cena final, que, para mim, ficou exagerada demais. Único senão em uma montagem que, do contrário, acerta em cheio no ritmo e no tom.

É isso aí,

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s