2666 – A quarta parte

Location Ciudad Juarez
Image via Wikipedia

Só posso entender o consumo de mais de 300 páginas do livro para esta quarta parte como um grande manifesto de Bolaño contra a impunidade no México, mais precisamente na fronteira com os Estados Unidos. Foi duro vencer este trecho da obra. Em sua cidade fictícia, Santa Teresa, que sabemos se tratar de uma alusão à Ciudad Juarez, o autor traz à tona relatos de violência perpretada contra mulheres, que invariavelmente culminam em mortes horrendas, descritas com todos os detalhes possíveis. Uma seqüência invejável de atrocidades, mesmo para quem já viu todas as temporadas de Law&Order:SVU. Intercalando estas crueldades com uma busca ridícula pelos culpados, que não leva a lugar nenhum, mas que descreve a impotência do Estado diante do poder paralelo do Narcotráfico, são poucos os momentos brilhantes nesta parte, e menos ainda os de leveza, como na que ele descreve os diversos tipos de fobias que assolam os homens. Os eventos criados por Bolaño se passam no final dos Anos 90, mas em uma estranha coincidência com o lançamento do livro no Brasil, temos visto na imprensa nos últimos dias uma série de relatos sobre chachinas na fronteira do México com os USA. A coisa, infelizmente, só piorou na última década.

Voltando ao livro, resta esperar que tudo culmine com algum sentido na quinta e última parte. Encontraremos Archimboldi?

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