Revisitando o Patinho Feio – Gypsy

Se alguém não conhece a história de Gypsy, e o espetáculo começa com você no teatro, (na platéia, bem entendido), pode pensar que está diante de um equívoco e que acabou entrando em uma peça infantil por engano. São muitos números protagonizados por crianças, por isso o espanto deste cronista. Mas tais números dão uma certa graça à montagem, apesar da simplicidade. Não há nenhuma música excepcional, mas a maioria delas funciona, apesar de algumas rimas muito pobres em várias. Quanto ao enredo, (spoilers) é a história do patinho feio, quase tal e qual, com nuances interessantes, principalmente na parte final, da transformação em cisne (sem aqui entrarmos no mérito dos caminhos trilhados pelo patinho para virar cisne, que fique claro).

O primeiro ato, apesar de inteligente, é pouco atraente para entusiasmar o público com o que o intervalo fica com um gosto meio-amargo. Alguns ensaiam o desejo de ir embora. Mesmo assim, há um espaço excelente para o vozeirão de Totia Meireles reverberar pelo Teatro inteiro.

A transição para a fase adulta dos protagonistas, com um número de sapateado, que simboliza a passagem do tempo, é muito bem orquestrada e se dá como que conjuntamente com a passagem para a segunda parte. Onde temos, na verdade, um salto de qualidade e emoção. Este ato basicamente retrata a vida adulta de Gypsy, e agora explicamos um pouco quem ela é, a irmã esquecida, ou deixada em segundo plano pela mãe durona e competitiva, na sua tentativa desesperada de “vender” a irmã supostamente mais capaz, mas que na verdade ostenta as projeções de sucesso dela mesma (da mãe). Projeções infrutíferas, pois de fato, não se traduzem em talento real. O burlesco toma conta e alguns personagens muito criativos entram em cena, como as strippers e seus números bizarros, mas sem nunca ser demasiadamente vulgar ou escatológico. Há mais vivacidade, cor e entusiasmo. A tensão entre Gyspy, nossa teórica cisne, e a mãe cresce até o limite e se converte em um ponto alto da encenação.
Gypsy, então, enfim mostra a que veio e se converte em um bom musical. A saída tem a todos mais aliviados e satisfeitos, desfezando-se no ar a impressão do intervalo pesado. Resumo: vá ver.

É isso aí.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s