Crítica do cinema francês : O Profeta

O sistema, o sistema.

Não sabemos quem é este que chega, preso, assustado. Mas algo nos diz que ele é bom. Ele não sabe nada, a camera de Audiard o toma por inocente, daria quase que para apostar nisso. E os guardas parecem mais estúpidos do que ele, mais violentos do que ele, mais escória do que ele. Conhecemos demasiadamente bem este cenário, e sabemos quais são os ensinamentos que a ele serão ministrados.

O Mal que vem e se instala, insidioso.

E eis que ele, a quem presumimos bom, se encontra com o seu Destino. E tem de tomar decisões que vão interferir sobremaneira na sua vida. O filme aqui é duro e cruel como uma navalha na carne. Ele nos surpreende e surpreende ao sistema, até. Porque aprendeu a lição. Ponto para o filme.

A ordem das coisas é o caos generalizado.

A partir daí temos a podridão que grasa. Não vemos salvação possível e vislumbramos a tragédia. Nosso aprendiz cresce com o sistema, usa o sistema, é usado, em uma simbiose estapafúrdia, onde tudo se corrompe. Devora-me ou te devoro. Quem é a Esfinge?

O custo de vencer

É impagável. Mas o nosso homem sempre dá um jeito de refinanciar suas dívidas. Até a próxima cobrança vir maior e mais implacável. Neste interim, a única dignidade possível é manter-se vivo.  

O filme como espetáculo não é uma obra assim tão envolvente, mas como retrato desta situação extrema que é o cárcere corrupto, o racismo, a luta pela sobrevivência, aí ele é soberbo.

É isso aí,

 

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