2666 – Uma Odisséia (2) – análise da terceira parte

Na terceira parte de 2666, Bolaño introduz novos personagens e faz uma narrativa mais rasa. Um jornalista negro americano do Harlem, de duplo nome, é deslocado para cobrir uma luta de boxe no México, justamente na cidade fictícia de Santa Tereza. Não é certo que ele continuará tendo papel importante nas demais partes do livro, mas seria de se supor que sim. Curiosamente, um dos nomes usados por ele é Fate (destino). Sabemos que a quarta parte se chama “a parte dos crimes” e se desenrola em Santa Tereza e que o tal jornalista tem tendências investigativas claras. É de se esperar  que ele permaneça na estória.

Bolaño usa muito bem o cenário do deserto para incutir visões e divagações nos personagens, ao mesmo tempo em que os faz comentar sobre a Realidade, fazendo-os falar sobre Robert Rodriguez e até Michael Jackson! Nestas passagens pela aridez do deserto o livro lembra e até homenageia clássicos que vão do Western a Carlos Castañeda, passando pelos road-movies tipo “Easy Rider”.

Uma observação: os papéis femininos até aqui me parecem bastante caricatos em Bolaño, à exceção da personagem acadêmica da primeira parte.

Mas a parte mais curiosa é da tese sobre o aumento de tamanho dos mexicanos….um dos raros momento mais hilários do livro, que Bolaño faz com grande sarcasmo.

É isso aí,

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One thought on “2666 – Uma Odisséia (2) – análise da terceira parte”

  1. Cheguei no final da terceira parte. Desde que Fate conheceu Rosa, aquela minha sensação de que estava indo do nada para lugar nenhum passou, parece que o romance vai in crescendo. Talvez, tenha sido por ter percebido a costura invisível entre Amalfitano e Fate – por enquanto, os dois personagens de quem gostei. Vamos ver onde vou cair na quarta parte! =:o) As partes tediosas, ou vazias, estou enfrentando como um exercício de leitura diferente – paradoxalmente, vivo: no qual não há nada a ser desvendado, ou nenhum problema a ser resolvido. Identifiquei-me com a reflexão sobre as salas de cinema e a sala de casa na qual vejo filmes.

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