Vou te contar….JFK

-…..mas você prometeu que este final de semana ficaríamos com as crianças.
– eu sei, meu amor. Mas vai ser rápido, vou lá na sexta de manhã para este almoço e te prometo que organizo o retorno no mesmo dia.

– mas…Dallas, por que Dallas?
– precisamos ganhar no Texas…aquilo é um reduto conservador ao extremo. Minha ida lá é importante.
– quer saber? eu vou com você.
– sério…mas isso..é…erh..é muito bom. Você me traz votos, sabia?
– sei. E tenho receio de que você não possa voltar.
– como assim?
– ah…você sabe como é…as coisas atrasam, se arrastam…estou sentindo, do ar.
– tens razão. Mas vai ser ótimo você ir comigo!

Depois de desligar, pega o telefone novamente e faz uma chamada.
– alô, John, é você?
– claro que sou eu, só eu tenho este seu número, não é?
– claro, querido. Que tolinha que eu sou!
– olha, hoje não vai dar.
– como, por quê?
– Jackie estará comigo.
– oh John, mas você havia prometido…teríamos todo o fim-de-semana…eu me livrei das filmagens só por isso.
– na próxima semana, baby.
-…(muxoxos)
– não fique triste. Na próxima semana. Mando o Air force one. Traga aquele vestido do aniversário na bagagem.
– …(risinhos guturais)

O odor da pólvora era fortíssimo, Lee quase não conseguiu seguir o plano para sair do edifício. Tremia, nauseado. Dois tiros. Não podia acreditar que havia errado ambos! Droga, a oportunidade era perfeita, dia de sol, o carro conversível, em marcha reduzida, visão do alto, ampla. Como iria explicar aquilo? O comandante de verde iria ficar uma fera. Mas era melhor enfrentá-lo de frente, direto. Antes que ele desse aquelas baforadas nojentas depois de chupar aquele charutão imenso e ele tivesse de tragar aquela fumaceira.

O almoço era um sucesso. Os cheques eram escritos e assinados em velocidade espantosa. Os fundos da campanha iriam crescer muito. O aroma da vitória passeava soberano em Dealey Plaza.

Na reeleição, em 1965, John ganha com mais de 65% dos votos úteis. O povo havia entendido a importância da tomada de Cuba, em 1964, após o assassinato de Castro por um maníaco desconhecido. A ilha ficou uma balbúrdia, mas a tese da conspiração americana nunca foi provada.

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