Crítica do Cinema Francês : Mademoiselle Chambon

O silêncio só pode ser rompido pelo sublime, parece nos querer dizer o diretor Brizé. No filme, uma história de amor simples, entre um pedreiro e uma professora de primário, vale o que não está dito. Mas não é preciso muito mais que alguns minutos para que se perceba todo o potencial deste não-falado, não-comunicado. A atuação dos protagonistas é estupenda, sensível e jamais previsível. Jean, o pedreiro, só sabe o que é concreto, sólido como as fundações que faz, não tem nenhuma intimidade com as palavras e o mundo intangível. Já a professora, não sabe concretar nada, vive no que poderia ser e não naquilo que é. Tem uma total inadequação ao mundo real. A forma como ela tenta trazer Jean para o seu mundo é custosa, indireta, torta ao extremo. O telefonema que ela recebe da mãe, e que ela não atende, oferece uma boa pista para a sua reclusão e seu modo errante de vida. A forma como Jean tenta trazê-la para perto de si é igualmente irregular, quase um nada, distante e penosa também. A conversão dos dois modos se dá sofregamente. Mademoiselle Chambon, a professora, concretiza no violino o que não sabe expressar de outra forma, e Jean entende perfeitamente o que quer e não sabe dizer.

E o filme segue nesse não-dizer, mas comunicando tudo pelos olhares intensos, pelo gestual contido mas cheio de tensão, pelo quase-toque de mão, pelo quase sufocar. Poucas vezes o silêncio fez tão bem à alma.

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