188 anos de indiferença

É incrível como o Brasil não presta atenção nos seus vizinhos. Este ano, diversos países da América Latina comemoram duzentos anos de independência (coisa que só vamos alcançar em 2022) e muito pouco se vê, lê ou escuta por aqui sobre este marco. Há muita coisa bacana sendo feita pelos hermanos em relação a esta data, muita discussões e revisitas a temas polêmicos do passado.

Cada um comemora como quer, mas o fato é que ninguém tem muito o que festejar. Coisas bizarras também fazem parte das comemorações em todos os lados. O México tem uma nova refinaria chamada…Bicentenario, e na Colômbia um hino foi composto! Mas o estandarte de campeão da esquisite vai para a Venezuela, que renomeou uma cadeia de supermercados “Hipermercado Bicentenario”.

Mas, afinal comemorar o quê? De que se orgulha a América Latina independente? Cem milhões de latino-americanos ainda vivem em extrema pobreza, segundo estudos recentes. Em nenhum outro lugar a riqueza é tão mal distribuída, basta ver o ranking do Índice de Gini (entre os vinte piores países, 14 são da América Latina!!). Ainda assim, os sites criados especialmente para o evento, tem pérolas como esta:

Em apenas 200 anos gestos heróicos e grandes momentos criaram muitas ocasiões de que podemos estar orgulhosos. Somos parte daquilo que os fundadores sonharam como Independência.”

hummmm…sei. Sonho estranho este.

O tema que encanta e espanta para o observador de fora, e aqui faço uso de uma reprotagem publica na Alemanha pelo Süddeutsche Zeitung, é o dos recursos naturais: “é uma maldição de ser abundante em recursos naturais, conclui o economista e político equatoriano Alberto Acosta. A riqueza do ouro, prata, zinco, chumbo, café e bananas tornou tudo demasiado fácil para as elites, e o investimento em educação e infra-estrutura eram vistos como supérfluos”. Hoje sofremos as conseqüências.

Uma navegada pelas páginas oficiais dos países para a celebração da data já proporciona mais do que tudo o que você aprendeu na vida sobre a Argentina, o Chile, a Colombia, o Mexico e a Venezuela.

Veja abaixo minha seleção de recomendações:

Argentina:

uma galeria digital muito ampla e bem organizada, por ano. Vale a pena olhar a visão crítica atual sobre a Guerra das Malvinas, por exemplo (1982) e vejam a narração do gol de Maradona contra a Inglaterra na semifinal de 1986 (o cara põe Galvão Bueno no chinelo).

http://www.muralbicentenario.encuentro.gov.ar/videoteca1900.html

http://www.bicentenario.argentina.ar/listado_historia.php?decada=1980

Chile:

A idéia de criar uma declaração de valores para o País é estupenda. E o que está escrito lá é um primor de bom-senso e equilíbrio político. Outra coisa bacana é a “galeria de sonhos” onde qualquer pessoa pode escrever sua mensagem e deixar seu sonho registrado (já tem quase 1000).

http://www.chilebicentenario.cl/frmValoresBicentenario.aspx?idArticulo=50

http://www.chilebicentenario.cl/frmGaleriaSuenos.aspx?idarticulo=693&t=1

Colombia:

os caras criaram perfis de personagens históricos que você pode seguir pelo Facebook! Bolivar é o mais curtido.

http://www.facebook.com/BolivarLibertador

Mexico:

Muito boa a biblioteca digital do Bicentenario, com toda a história do país contado pelos documentos e livros.

http://www.bicentenario.gob.mx/bdbic/

Venezuela:

Dá para sentir a conotação militarista do site e nas postagens, ênfase aos desfiles militares e acrobacias aéreas.

http://www.bicentenario.gob.ve/noticias/category/videos/

É isso aí,

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