Bônus é conquista, não presente

A pressa, de novo, sempre ela, e suas consequências: as conclusões apressadas. A falta de planejamento, outra das nossas pièce de resistance e suas consequências: a perda de oportunidades.
Estas duas tão nossas (do Brasil) características me ocorrem agora, lendo o que tem se falado a respeito de um conceito interessante, mas, no meu julgamento, ainda muito mal interpretado no Brasil. Trata-se do já famoso “bônus demográfico”. Cabe explicação rápida: seria a oportunidade que cada país só tem raramente ao longo dos séculos, de ter uma massa populacional economicamente ativa igual ou superior a 55%. Isto porque o numero de idosos acima de 65 anos ainda não seria tão alto, ficando abaixo de 15%, e, ao mesmo tempo, o numero de crianças com até 15 anos seria já inferior a 30%, perfazendo 45% a soma dos considerados inativos. Quando isto ocorre, os países tem excelente pré-requisitos para crescer sua riqueza. Ocorreu com a Europa Ocidental entre 1950 e o ano 2000. Começou na China em 1990 e pode durar lá até 2015. Para a índia, a expectativa é de isto ocorra entre 2010 e 2050. Já na África, a tendência é de ocorrer somente após 2050. Tudo muito natural, pelo estágio de desenvolvimento das nações, pela qualidade da saúde e pelas taxas de natalidade. E o Brasil? Bem, segundo alguns especialistas, o Brasil já estaria vivendo esta situação de alta taxa populacional em estágio de PEA (população economicamente ativa) desde o ano 2000 e ela tende a perdurar até 2040.

O problema é que nós confundimos o conceito de demografhic window com o conceito de demografhic dividend.

Senão, vejamos:

A “janela” é o que conceituamos acima. O período de tempo em que a população economicamente ativa é a maior possível. Com isso, há uma grande chance de que os países que se encontrem nesta janela, possam auferir algum benefício, crescer forte economicamente e aumentar a renda per capita. Este delta de renda derivado da janela demográfica seria o bônus demográfico (dividend).

Ocorre que, se tínhamos na Europa Ocidental entre 1950 e 2000, uma janela demográfica, também tínhamos outros pré-requisitos para o crescimento. Do Plano Marshall ao nível educacional da população, do aparato industrial sub-ocupado do pós-guerra às políticas do welfare state. Vivíamos uma sociedade ainda industrial, onde os requisitos para o crescimento eram a capacidade de produção e mão-de-obra abundantes. A janela da China está obviamente sendo aproveitada, as taxas de crescimento do país são de dois dígitos há mais de décadas. Mas a China é um caso a parte, devido ao modelo de capitalismo “estatal” que impera. Podemos nos virar para os exemplos da Coréia do Sul e dos demais “tigres”.  A Índia segue um bom caminho para aproveitar sua janela também, haja vista a base que preparou nas últimas décadas, especializando sua economia em Softwares e serviços de tecnologia em geral.

Mas e o Brasil?

Bem, nossa janela ocorre em um momento em que os elementos chaves que definem o crescimento econômico são outros. Conhecimento sendo o pré-requisito principal. E conhecimento pressupõe educação. E nossas carências em Educação são enormes, basta ver nossas resultados nas competições globais como Pisa, por exemplo. Em um artigo brilhante em uma Veja recente, Gustavo Ioschpe pergunta: “Brasil, primeira potência de iletrados?”. A resposta óbvia é: claro que não: Portanto, mãos à obra, a janela está aberta, mas nós corremos o risco de só ver o trem passar.

É isso aí,

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