Vou te contar…

Não há mudança sem aprendizado, não há aprendizado sem motivação.  Segue a Fábula:

Eles chegam com a voz mansa, olhares simpáticos, gestos cuidadosos, passos sutis. Não parecem atuar através da força, querem te conquistar e te fazer seguidor do que professam pelo poder do convencimento. Nunca se mostram em desavenças, nem a mais mínima, para não macular o comportamento asséptico. Não se deixariam agarrar por qualquer trocinho. Divulgam que O Método não pressupõe impor a Visão, mas sim torná-la um objetivo comum. Nobilíssimo. Espaço aberto para o uso de figuras de linguagem. Os mais belos pepetês, com veleiros singrando o mar azul, gansos em formação, a flecha na mosca. Nenhum erro. Não há espaço para nada menos que o cume.

Uma diminuta resistência, porém, está à espreita. Quando ela se manifesta, O Método responde com ação. Então eles não cumprem o que professam. Apresento-lhes a Discórdia. O manto negro do Senhor Tempo, aliado d’Eles desde o principio, rapidinho começa a se arrastar pelos corredores, ocupar todos os espaços. Trombadas com os espectros surgem a toda a hora. O negrume é tal que não há refúgio. Breu cegante, atmosfera irrespirável, sufocação constante.

Mas há uma inércia que nada move, e então urge a execução implacável do programa. O Programa. Escrito em pedra. É o credo d’Eles. Há uma força inexpugnável n´Ele que os empurra rumo ao topo. O discurso é tudo com palavras que parecem cheias de nada, ou de vácuo. Muitos dos nossos se apequenam, somem reduzidos atrás das baias, das montanhas de papel. Se fossem pisoteados não seriam menores.

Todavia, segue a resistência, resoluta. Alguns armam a defesa em barricadas improvisadas. Um Quixote com sua lança digital atua no email, propagado com precisão. No café, trincheira ideal, vários minúsculos Brancaleones discutem o próximo plano infalível, que será obviamente dizimado com dois slides. A sala de reunião do canto, no último andar,  ao lado do data-center é o QG. Lá vemos nosso Pirro, pensando a sua estratégia final devastadora, mas também suicida, enquanto admira a chuva gotejando a janela, sua micro-conspiração abafada pelo ruído dos poderosos refrigeradores de dados.

Os Tolos Generais defendem o impossível, mas é o mínimo que podem fazer. No último andar, a Invencível Armada já está se aprontando para mais um Comunicado Oficial, que navegará virtualmente, mas tão solene quanto a própria Tábua de Moisés. É imperativo, pois da discórdia para a dissonância total a linha é um tico. Do fundo das crenças, nossos tacanhos Generais sacam uma última arma, já com os flancos desguarnecidos. É ínfima, ridícula, sôfrega, mas se pudesse ser dita literalmente sairia forte, máscula, soberba: “A hipocrisia não é válida como ferramenta, portanto como crer na excelência por uma via tão torpe”?
Ao que a Armada não pode responder, não porque não quer, mas porque o Método diz para jamais se curvar diante do reles inimigo. E sabe o que Eles fazem quando não há respostas? Quando não podem vencer pelo argumento? Citam. Todos os Grandes vêem em auxilio do Método. O Programa está salvo.

Mas os Quixotes e  Brancaleones nunca desistem. Armam às escondidas o próximo movimento sincronizado da revolta silenciosa. Pirro, porém, sempre ganhará, mas o que terá para comemorar? Onde está a Mudança?

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