As meninas da Maitê

Elas estão sensacionais, elas ocupam os espaços, nos transportam para onde querem. Várias vezes nos esquecemos que é um velório. Os recursos cênicos são poucos e trazem leveza para o palco. Como o tema é pesado, gostei do uso excessivo do branco, que relaxou o ambiente. Os grandes painéis que giram também agradam e fazem bem o papel de mostrar/esconder os atores nas transições do mis-en-scene, e também na transição vivo/morto.

A riqueza e a beleza do espetáculo independe de ser o mesmo autobiográfico ou não. A propriedade de encantar se faz quando o espectador mergulha de olhos fechados no que está vendo, mesmo que não tenha referência nenhuma sobre o enredo, a trama, o ambiente apresentado, e se deixa embriagar pelo que vê.

É o que acontence nesta peça. As atrizes entreguem performances a maioria delas excelentes e o texto é leve, sugestivo, recheado de momentos saborosos. É um universo por muitas vezes feminino demais, quase impenetrável, mas eu tomei um porre.

As “crianças” fogem de qualquer momento taciturno e impedem que aflore a pieguice. Há que se aplaudir especialmente Clarisse Derzié Luz, que interpreta com brilhantísmo vários pequenos papéis. Não só mudava o figurino para compor a nova personagem, mas mudava também toda a sua forma interpretativa, descortinando nuances em cada nova encarnação.

Elas são as meninas, as moças, as senhoras, as velhas e as defuntas da Maitê. Não perca.

É isso aí,

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