O absurdo da legendagem no cinema

Não dá para entender a legendagem dos filmes no Brasil. Este final de semana, assistindo a “O segredo dos seus olhos”, embasbaquei-me com a auto-censura e o moralismo que elas encerram. Toda vez que os argentinos falavam hijo de puta aparecia em amarelo “desgraçado” ou algo similar. Para carajo, tivemos “puxa”, “droga”, e outros eufemismos. O que é isso? Quem define e aprova estes absurdos? O filme é classificado como recomendado para maiores de 12 anos, mas tínhamos uam cena de nu frontal masculino, sem falar em um cadáver após um crime hediondo. Quem se advoga o direito de interpretar que uma criança de 12 anos pode ver estas cenas, mas não pode ler “filho da puta”, por exemplo? Será que “filho da puta” vai chocar mais que o que está sendo mostrado? Sem falar na trama, complexa, com corrupção política e outros temas fortes.

Ora, lamentável.

Não se trata de apenas um ou outro filme, temos estes absurdos em todos os filmes, independente de origem ou idioma. Em filmes como “o segredo dos seus olhos”, é importante para a densidade da trama entender as agressões que são trocadas pelos personagens, as malícias implícitas e outros jogos de palavras. Com o nível das legendas, fica difícil. Parte do brilhante roteiro fica irremediavelmente perdida.

É hora de sairmos deste ridículo. Censuramos dancinha em propaganda de cerveja ao mesmo tempo em que todo o país acompanha o esfrega-esfrega debaixo do edredom.

É muita hipocrisia! Botem legendas fiéis nos filmes.

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