Porque as empresas são (quase) todas (quase sempre) iguais?

Por causa do isomorfismo. Explico: uma das correntes do pensamento em Organizações hoje em dia é a teoria Neo-Institucional. Ela descreve os mecanismos que induzem ao isomorfismo nas organizações, levando-as a adotar estruturas e práticas que seguem modelos e mitos geralmente aceitos e idealizados no mercado.
Segundo essa teoria, existe uma tendência geral para a padronização pois as organizações buscam legitimidade no seu campo ao adotar modelos e estruturas que são percebidas como as melhores disponíveis.
A teoria neo-institucional sugere que um setor ou segmento institucional é um espaço que congrega diversas organizações competindo por recursos escassos. Setores institucionais são caracterizados pela elaboração de normas e regras às quais a organização deve obedecer para ser percebida como um ator legítimo, obter suporte de outros atores sociais e outras organizações.
Teóricos importantes do neo-institucionalismo, como Powell, DiMaggio, propõem uma tipologia do processo que leva uma organização a mudar sua estrutura e práticas gerenciais para adotar um modelo normativo institucionalizado.
Segundo eles, as organizações travam verdadeiras batalhas simbólicas ao fim das quais determinados padrões emergem com o reconhecimento de ser o mais eficiente e apropriado para cada setor institucional. É por isso que muitas empresas adotam, em ondas que se sucedem, as melhores práticas do mercado (ou campo institucional) e vão se parecendo cada vez mais. Exemplos: a onda da Qualidade Total, a onda do BSC ou, mais recentemente, a criação de Diretorias para tratar de Responsabilidade Social ou Sustentabilidade.
As organizações adotam quatro processos básicos de isomorfismo, sempre segundo a teoria neo-institucional:
a) coerção;
b) indução;
c) apropriação (comportamento mimético); e
d) normatização (autorização).
O isomorfismo coercitivo ocorre quando um organismo exterior impõe regras que devem ser seguidas pelas organizações em um campo particular. A coerção ocorre quando entidades governamentais publicam legislação que define formas e procedimentos que um set específico de organizações deve adotar, usando o poder normativo derivado da autoridade pública.
Na sua versão indutiva, o isomorfismo ocorre quando agentes econômicos que não possuem autoridade legal para determinar o comportamento de outros agentes tentam fazer isso através do estabelecimento de incentivos tangíveis que levariam certas organizações a adotar de forma espontânea certos procedimentos.
Esses agentes econômicos geralmente promovem o isomorfismo ao prometer benefícios e prêmios quando incitam outros agentes a agir da maneira que se acredita seja a mais favorável para o atingimento de seus próprios objetivos.
Isomorfismo por apropriação ocorre quando organizações em um dado setor deliberadamente imitam modelos e práticas definidas por organizações líderes. Essa prática, também chamada de comportamento mimético, é mais notória em setores institucionais com alto grau de incerteza em relação à eficiência de modelos organizacionais, e aparece com clareza nos exemplos citados acima.
Por sua vez, o isomorfismo por normatização se caracteriza quando uma determinada categoria profissional tem práticas arraigadas específicas para o exercício de determinada atividade, que acabam servindo de parâmetros para a atuação dos profissionais em questão, independentemente do ambiente econômico em que estejam.

É isso aí,

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