Mudança e Aprendizado

Quantos de nós já não escutou os tubos sobre “Gestão da Mudança”? Desde as regrinhas de Kotter até “O Monge e o Executivo” e “Quem mexeu no meu queijo?” pululam regras e macetes para “liderar” a mudança nas organizações. Bem, neste caso, não adianta: você só muda se quiser mudar.  E é incrível como muitas vezes nós esquecemos de pensar sobre o que é, exatamente, mudar. Volta e meia eu me deparo com esta questão, e após ler um belo livro do Charles Handy, aprendi de vez: mudar é aprender. Explico melhor se partimos do começo:  o que é aprender? Muitas vezes confundimos o processo de aprendizado, lembrando-nos do tempo de escola, onde éramos obrigados a estudar e muitas vezes decorar coisas. Isto, para  a grande maioria das pessoas,  não é aprender. E por quê não? Pelo simples fato de que você não está incorporando um conhecimento novo que responda às suas próprias indagações. É um conhecimento temporário que você vai apagar da sua memória quando não lhe interessar mais.  Ou alguém ainda lembra de quem foi o primeiro conselheiro de Luis XIV, ou da capital da Bielo-Rússia? Bem, eu lembro por que me interessa, mas certamente, para a grande maioria das pessoas, este é o típico conhecimento descartável. Estudar respostas para as questões dos outros não produz aprendizado. O verdadeiro aprendizado, como nos mostra Handy, é aquele que se origina da curiosidade ou da necessidade de um saber algo novo porque eu quero saber. Eu quero resolver uma indagação que é minha. Isto gera aprendizado, mas desde que eu passe pelo ciclo completo. Sim, o aprendizado tem um ciclo: Qual é o Problema, quais são as possíveis respostas (Teorias), vamos ver a aplicabilidade das mesmas (Testes) e a Reflexão a respeito dos resultados (por que isto deu certo e aquilo não?). Quem só ênfase nas  perguntas, e não se preocupa em buscar as respostas, testá-las, etc., está só sendo um Auditor. “por quê isso, por quê aquilo?” As respostas que deem os outros. Quem só fica na teorização é um mau-acadêmico. Daqueles que adoram se intrometer nas dúvidas dos outros, colocam um monte de citações nas suas justificativas, mas não provam nada, nunca. Quem só quer partir logo para ação, os hiper-pragmáticos, não teem garantido que um eventual êxito possa ser repetido, pois ele não testou nada, só fez o que estava mais ao alcance da mão e, mais importante, não refletiu a respeito, o que é mais importante ainda. Se perguntado porque aquilo que ele fez deu certo, não saberá responder.

Para aprender, portanto é preciso transcorrer todo o percurso, etapa por etapa.

Agora, o link entre aprender e mudar fica nítido, não?

Mudar, e principalmente no jargão empresarial, não é fazer as coisas de outro jeito, melhor? Adotar o Novo? Ora, como, senão aprendendo outro jeito, aprendendo aquilo que é novo?

É isso aí.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s