As fotos falam. Contam as histórias daquelas pessoas, mesmo sem emitir um único som. As fotos calam. Mostram o horror da guerra e a idiotice do Homem, apagando qualquer chama de esperança. Causam uma dor imensa, paradas ali, a tua frente, clamando salvação. Elas também cheiram a podridão dos corpos queimados, exalam o odor fétido de água parada, o mofo das roupas e mesmo a sujeira das ruas imundas. Sentem. Sentem que tu não és insensível, que elas conseguem te transportar para o mundo delas, para o distante e colorido Rajastão, para o buraco perdido nas montanhas afegãs, para o meio dos destroços de qualquer batalha. Tu estás ouvindo?
E as fotos te olham. Ah, eles te olham, sempre. Esbugalhadamente. Tu que és exposto àqueles olhos todos. Expressivos ao extremo, densos, tristes. Sim, a maioria são pares tristes de olhos a te ver. Revelando tudo para ti. Implorando para que tu reajas. Faz alguma coisa. Usa teus olhos e vê. Pois ser visto por todos aqueles olhos é estar no palco do mundo todo. Não percas esta oportunidade. Mas saias da frente deles ciente do teu papel.
Vá ser visto logo pela exposição de Steve McCurry no Insituto Tomie Otake antes que as fotos te deixem sozinho, a ver o nada.